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sábado, 12 de junho de 2010

"O que é que eu vou fazer agora se o teu sol não brilhar por mim?"

Agora pouco recebi e-mail do meu pai; ele escreveu que uma grana por uma revisão, que eu estava para receber, já está ok, que uma vizinha morreu, perguntou se eu tinha visto o caso de uma advogada japonesa que foi assassinada pelo ex-namorado (não, isso não vai acontecer comigo, pai...). Um e-mail sobre tudo ao mesmo tempo que me lembra a minha própria confusão de pensamentos. Daí ele terminou o e-mail com "Fique com Deus e que todos os seus sonhos se realizem". Não sei se é o cansaço e/ou a supersensibilidade desses dias, mas chorei. :-...

Lembrei do que a Sá(mantha), amiga desde a quarta série, falou faz tempo, como se fosse uma profecia: "Você só vai perceber a importância dos seus pais quando sair de casa e aí o relacionamento também vai melhorar" [o amor e os cuidados dos meus pais eram/são tão grandes que me sufocavam e eu ficava meio que reclamando para ela...]. A Sá é outra amiga que admiro demais - fez engenharia (curso superfácil! =D) e trabalhava ao mesmo tempo e agora está colhendo os frutos de tudo isso numa multinacional-sonho-de-todos lá em São José (aliás, meu irmão também conseguiu entrar! e está conciliando o trabalho com namoro e faculdade - queria ser como ele) *orgulhos da minha vida*, além de ser uma pessoa muito madura desde a quarta série. E, bom, agora sinto exatamente o que ela falou: meus pais são importantes, e consigo ver que tenho muito mais deles do que imaginava ter. Talvez as relações humanas sejam como pinturas impressionistas: dá pra ver melhor de longe.

Como o Kevin Arnold, da série Anos Incríveis, disse no fim de um episódio em que ele e a família tiveram de ir para um enterro de um parente distante, eu queria dizer: "Pai, não morre nunca, tá?" porque "O que é que eu vou fazer agora se o teu sol não brilhar por mim?".

O título do post é uma parte da música Firmamento, do Cidade Negra - lembrei dela ao terminar de ler o e-mail. E, ouvindo a música toda, acho que é uma música sobre pais e filhos mesmo. "Forte, sorte na vida, filhos feitos de amor... todo verbo que é forte se conjuga no tempo, perto, longe, o que for...".

3 comentários:

.:*Mandy*:. disse...

Uma coisa que choca muito no início é quando damos conta de que nossos pais não são nada além de seres humanos como nós.

Pelo menos me chocou demais... mas agora já passou. Hoje em dia isso me dá mais liberdade para ser quem quero ser.

E realmente, essa música do Cidade Negra é muito linda. Adoro :)

Beijos =***************

Gerlaine disse...

Minha mãe reclama que falo em morar sozinha como se estar em casa junto dos pais fosse tortura. Acho isso estranho, porque não vejo assim, acredito que esse meu desejo de sair de casa é puro fruto da vontade que eu tenho de saber que sou capaz de realizar o que eu quero. E eu realmente quero seguir minha vida fora de casa, acho que só isso me fará reconhecer meus próprios defeitos. Estar mais sozinha parece desembaçar o espelho em que me vejo e eu preciso muito disso.
Eu também acho que esse afastamento faz com que se veja melhor o que significa a família e a importância que ela tem.

Pelo que eu li aqui no seu blog você também é uma das que desaba em lágrimas com certa frequência. Eu fico aliviada em ver que não sou só eu que me desconstruo com coisas que muita gente acha completamente banal.

Vi que você trabalha com edição. Eu estou me preparando pra prestar vestibular e ainda não me decidi bem no curso que quero fazer. Mas estou pensando seriamente nessa área.

aline naomi disse...

Mandy,

eu senti esse estranhamento quando saí de casa para estudar e cada vez que eu voltava para casa (uma vez por mês, uma vez a cada dois meses) eu via meus pais de um jeito diferente, como você disse, mais como "seres humanos como nós". A relação continuava a ser de pais e filha, mas acho que cresci bastante, por isso conseguia enxergá-los não só como pais, mas como pessoas também...

Crescer é estranho, não? :)

Beeijo! Boa semana!

***

Gerlaine,

minha mãe também não achava boa ideia eu morar sozinha, mas para mim foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida até hoje. Está sendo um período de crescimento, de me virar, de viver com mais liberdade (e responsabilidade).

Adorei isso: "Estar mais sozinha parece desembaçar o espelho em que me vejo" :), mas não sei até que ponto é verdade. Eu preciso ouvir o que as pessoas dizem sobre mim e sobre a minha vida para ter uma ideia melhor do que sou/estou e do que preciso melhorar. Estar sozinha é bom para ouvir minha própria voz e tentar descobrir o que realmente quero (embora nem sempre eu saiba).

Haha... sim, estou bem chorona ultimamente. E que bom saber que não sou só eu!

Se quiser conversar melhor sobre vestibular, escolha de curso, me manda um e-mail (naomi.sassaki@gmail.com) que eu TENTO ajudar! :) Você deve ter visto que não sou a pessoa que mais sabe exatamente o que quer, mas posso falar um pouco sobre a minha experiência até agora.

Beeijo! ;)