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domingo, 11 de julho de 2010

Cartas a um jovem tradutor - parte 2

Bom, agora que estou meio à toa, vou aproveitar para finalmente fechar esse post que comecei em outubro do ano passado, aqui. Para quem não é tradutor e nem quer ser, acho que não interessa, podem parar de ler, senão vão se entediar. Talvez possa ajudar quem está no caminho. Ou confundir mais ainda. De qualquer forma, escrevo.

Como expliquei lá na parte 1, "Cartas a um jovem tradutor" é meio uma brincadeira com o livro "Cartas a um jovem poeta", do Rilke, que a Ana me indicou, quando eu já não sabia o que fazer com a minha vida profissional (não que agora eu saiba com certeza, mas ela achou que o livro me ajudaria a decidir se continuava odonto ou não - vivi dias muito confusos e angustiantes antes de tomar a decisão de deixar o curso e ter coragem de seguir outro caminho, praticamente começar do zero de novo).

Não tenho a pretensão de ser um Rilke, não tenho a pretensão de dizer para ninguém: "eu acho que o seu caminho é esse" ou "seu caminho não é esse" (como já me disseram e eu me angustiava muito), porque sei que cada um sabe/sente o que é melhor para si, o que deve fazer e quando. E o que é melhor para mim não é necessariamente o melhor para outras pessoas. Escrevo essas cartas só para contar e compartilhar a minha experiência até aqui.

Essa segunda parte, na verdade, deveria ser a primeira. A primeira foi um tipo de desabafo misturado com um know-how em formação e, se eu fosse uma pessoa normal, teria colocado essa parte (a primeira) por último, para seguir uma certa lógica.

Como decidi que queria ser tradutora?

Na verdade, eu não sabia.

Quando criança, eu lia muito, escrevia, pedi para minha mãe me colocar no curso de datilografia quando tinha 10 anos (para poder datilografar as histórias que eu escrevia, porque, na época, eu achava minha letra horrível, hoje, até que é apresentável e legível), pedi para estudar inglês aos 11, queria estudar francês aos 13, mas como não tinha escola de francês perto de casa, o plano foi adiado. E também fui estudar espanhol com 15 ou 16 anos. Sei lá se a gente já nasce gostando de determinadas coisas, inclinada a querer fazer determinadas coisas. Mas eu era assim e não sei por que era assim. Também gostava de fazer experimentos, me inscrevi num clube de ciências (do "Instituto Hoescht" - não sei escrever o nome direito!, na verdade, não lembro bem), que mandava um tipo de manual pelo correio, com experiências do tipo analisar folhas e animais. Aí o tempo foi passando e chegou o colegial. Continuei interessada e focada nessas mesmas coisas e no último ano do colégio veio a angústia: gosto de ler, de escrever, de idiomas, de biologia... e o que eu faço com isso??

Prestei Vestibular para: letras, direito, jornalismo, tradução. Também me inscrevi para o de odonto da UFMG, mas não fui fazer porque um dos dias da prova coincidia com o meu exame final de física no colégio (eu precisava de uma nota absurdamente alta para passar de ano, caso contrário, não me formaria - é, tirando notas de 0 a 3,0 [valendo 10] o ano inteiro, alguma coisa tinha que acontecer, né?). Também quis prestar para biologia, mas como já tinha me inscrito em vários Vestibulares, acabei deixando pra lá.

Até hoje não sei por que prestei direito! Acho que porque o Vestibular era de graça, para entrar em uma universidade particular daqui, e direito era o curso menos pior entre os vários outros oferecidos. Passei, óbvio. Eu e todo mundo que sabia escrever pelo menos o nome passamos. Também passei em jornalismo em uma universidade particular que eu tenho vergonha de dizer o nome (também não entendo por que fui perder meu tempo com isso, já que, na época, estava muito claro para mim que "tenho capacidade para entrar em uma universidade pública e vou entrar"). Bom, aí passei em tradução na Unesp, na lista de segunda chamada, lá em Rio Preto (apesar de o campus ficar na %$#@, o curso é um dos melhores na área, acreditem ou não). Depois de algumas semanas, saiu a lista de segunda chamada da USP e consegui entrar nessa, lá eu tinha prestado letras. Como eu já estava instalada em Rio Preto, não pretendia dar aula/ter uma formação pedagógica, o curso da Unesp era integral e oferecia dois idiomas (a USP só oferece um) e era totalmente voltado para tradução desde o primeiro ano, fiquei por lá mesmo (estar na USP também significaria estar em São Paulo, A CIDADE, mas como nada é perfeito na vida, achei que o curso da Unesp valeria mais a pena e não me arrependo da escolha).

[Continua...]

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