Pages

domingo, 11 de julho de 2010

Cartas a um jovem tradutor - parte 3

A faculdade.

Talvez por uma questão de lógica inconsciente, eu queria estudar em uma uni pública e não abria mão disso. Eu tive escolha (o privilégio da escolha, que eu sei que muitos não têm), poderia fazer o que quisesse, meus pais me apoiariam. E escolhi o que achava melhor para mim. E talvez também tenha a ver com um pouco de orgulho e "prestação de contas" com o meu pai (estudei o colegial em um bom colégio particular, que eu sei que não era barato, e sentiria vergonha de fazer meu pai pagar ou eu mesma ter de trabalhar o dia inteiro para continuar pagando mensalidade de uma universidade com uma qualidade inferior ao que eu poderia conseguir de graça se me esforçasse um pouco, mesmo que isso significasse decorar matérias inúteis e sem sentido para vomitar tudo na prova do Vestibular depois - se eu não tivesse entrado direto do terceiro ano, faria cursinho no ano seguinte). Por ter estudado em um bom colégio, para mim, era obrigação passar em uma universidade pública. Simples e lógico assim.

Ok, aí fui para Unesp (Universidade Estadual Paulista), lá em São José do Rio Preto - segundo a Desciclopédia, "a sucursal do inferno" :), estudar "Bacharelado em Letras com Habilitação de Tradutor" (para descomplicar e para nos diferenciar do pessoal de licenciatura, a gente dizia que estudava "tradução" e pronto - aliás, eu trocaria o nome do curso para "Bacharelado em Tradução", porque "Letras", para a maioria das pessoas, está associado à parte pedagógica, que a gente não estuda!). Uma definição básica do curso pode ser lida aqui.

O curso funciona assim: são 32 vagas por ano; os 16 primeiros classificados no Vestibular escolhem dois idiomas - um "principal" (inglês ou francês) e outro "secundário" (espanhol ou italiano). Como há desistência, afinal de contas, não é todo mundo que quer/pode ir para Rio Preto (onde?) estudar, muita gente que se classifica depois do 16º consegue escolher os idiomas. Em geral os primeiros optam por inglês e espanhol, que são as línguas mais "comerciais". O restante não tem escolha (haha) e estuda francês e italiano ou presta de novo o Vestibular para conseguir estudar inglês e espanhol. Eu queria inglês e italiano, mas não consegui entrar em inglês, o que, no fim das contas, acabou sendo bom, porque depois de ter estudado sete anos de inglês, não sei o quanto a faculdade teria me acrescentado. Estudei francês e italiano.

As combinações possíveis de pares de línguas ficam assim:

- inglês e espanhol OU
- francês e italiano OU
- inglês e italiano OU
- francês e espanhol

Quase ninguém opta por fazer inglês e italiano ou francês e espanhol. Mas se alguém escolher inglês e italiano, necessariamente vai ter alguém que vai fazer francês e espanhol (porque são 16 vagas para cada idioma, então não tem como ter uma turma de inglês com 17 ou mais pessoas).

Quem quiser ver a grade curricular do curso, clique aqui.

O Francisco disse que, não lembro em que ano, talvez 2005, acrescentaram uma matéria para introduzir os alunos aos softwares de tradução (de certo Trados, Wordfast, Déjà Vu e tralalá). Encontrei a matéria "Introdução à terminologia e às técnicas de tradução" inserida no segundo ano do curso. Achei um avanço, mas ainda é pouco perto do que o mercado pede depois.

[Continua...]

Nenhum comentário: