Pages

terça-feira, 20 de julho de 2010

Porque eu ainda vou ser garçonete no inferno...

Eu queria sair por aí perguntando para as pessoas adultas e supostamente responsáveis se já tiveram vontade de largar tudo. TUDO. Família, trabalho, esposa/marido, namorado(a), pessoas conhecidas, lugares conhecidos, raízes, valores, bens, planos, crenças. E começar tudo de novo. Mas aí iam me olhar com uma cara e perguntar: "Você tá bem?". Depois de um tempo, descobri que não posso fazer qualquer pergunta para qualquer pessoa.

De tempos em tempos, me dá essa vontade. De terminar o dia como todos os outros, dizer "tchau, até amanhã" no trabalho e, no dia seguinte, comprar uma passagem para o Acre (o Acre existe mesmo?), de ônibus, e começar tudo do zero. Outro lugar, outras pessoas, uma nova identidade, um outro olhar. De ônibus, para demorar mais para chegar e eu ter tempo para pensar, dormir e ver a paisagem. Deve ser o meu lado infantil gritando e pedindo para fugir. Preciso dizer também que estou com uma certa dificuldade para me adaptar e aceitar o mundo adulto. Para ser adulto é preciso fingir e jogar jogos que não sei, é tão complexo e desgastante... Não se pode simplesmente dizer: "Não gosto de você e não vou falar com você", por exemplo.

E só agora o que a Ana F. (agora são tantas Anas na minha vida que preciso diferenciar) disse no ano retrasado faz sentido. Acho que por ela ter a veia artística, tinha (tem!) o desespero de "viver o agora" que eu nunca tinha conseguido entender direito.

Um dia vou acordar, fazer as malas e vou para o Acre ou qualquer outro lugar. Vou ser garçonete, caixa, vendedora ou qualquer outra coisa. Vou ser garçonete no inferno :), como diria Mafer, amiga da Ana F. - ela viu Um beijo roubado, um filme ótimo do Kar-Wai, que a Ana tinha indicado, e odiou... comentou sobre a protagonista: "Ah, vai ser garçonete no inferno!"... haha! A protagonista (Norah Jones) fica mal por causa de um rompimento amoroso e sai viajando pelos Estados Unidos, fica trabalhando como garçonete em vários lugares e manda postais para um amigo ou "amigo", dono do restaurante/café onde ela tinha comido tortas de blueberry (o título original do filme é My blueberry nights), que ela conhece na véspera da viagem. Depois de um tempo ela volta curada. Eu também queria me curar, mesmo sem saber o que tenho de errado. Eu só queria que a realidade me bastasse.

Hoje à tarde essa era a música que ficava tocando na minha cabeça:



Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno
que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho
O lugar
Pro que eu sou

Obs: o trabalho vai bem, obrigada. É com a grana das horas extras que ainda estou fazendo que vou comprar a passagem de ônibus para o Acre! =) É lógico que estou brincando. Ou não.

6 comentários:

Karen disse...

Menina, vontade de mandar tudo pelos ares, abrir a porta e sair correndo.. Hum... Isso me parece familiar... :)

É normal sim. Muito normal. Acho que é um sinal de que somos saudáveis.

Beijos!

Adriana Amaral disse...

Isso é normal, td mundo tem vez ou outra, mas tu pode fazer as coisas acontecere, olha o meu ex, ja morei m vários lugares e agora tomundando de novo..

Anônimo disse...

Não parece ser mais fácil (e lógico) se esconder entre os 11 milhões de habitantes de São Paulo do que entre os quase 700 mil do Acre? E caso o Acre realmente exista, haverá vagas para garçonetes lá?

aline naomi disse...

HAHAHA!
Valeu, Karen e Dri por me fazerem sentir normal!

Anônimo: ah, devem precisar de garçonetes em qualquer lugar.

Anônimo disse...

Será!?
Eu não superestimaria a demanda por certos serviços... e os mosquitos? E as cobras? E tudo mais?
Boa cachaçada!

aline naomi disse...

Anônimo: será que tem cobras e bichos peçonhentos em todo o Acre? Será que Rio Branco não é tipo... uma capital normal? :)