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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Trabalho, freelancers e a vaca louca

Ontem me deu dor de cabeça, que eu me lembre, pela primeira vez no ano. Depois de um tempo, eu não podia nem respirar que minha cabeça parecia que ia explodir (!). Tenho dormido pouco, virei algumas noites, então, alguma coisa tinha que acontecer, né? Aí não trabalhei, desliguei o computador (até porque a conexão estava uma merda) e fui dormir. Hoje acordei nova em folha.

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Na editora, além do fluxo normal de trabalho, estou me dedicando bastante a uma coleção de livros didáticos que está em produção há, sei lá, um ano, um ano e meio (!) e está sendo muito enlouquecedor. Não aguento mais falar com o ilustrador e nem com a diagramadora sobre esses livros. Dá vontade de aprender a ilustrar, diagramar, fazer capas, fazer tudo. Porque o tempo que perco fazendo anotações, escrevendo e-mail, falando ao telefone, explicando, digitalizando páginas para explicar melhor o trabalho a ser feito é o tempo que eu mesma gastaria para consertar tudo que está errado com os livros com bem menos desgaste psicológico. Ainda bem que não tem triturador de papel por lá, porque eu ficaria tentada a jogar as provas nele e dizer: "Ah, que coisa, deixei cair sem querer. Já que as provas se foram, não podemos cancelar esse projeto?!" =P. Isso está mil vezes pior que o livro traduzido do espanhol que tive de revisar com o original em inglês (o livro em espanhol era uma tradução/adaptação do inglês e a tradução para o português foi feita a partir dessa tradução em espanhol - para mim parecia praticamente outro livro!!) ou quando tive de traduzir um capítulo de um livro de bruxaria em meio às milhares de outras coisas no editorial - a tradutora largou a tradução porque estava recebendo "sinais" de que não deveria mais trabalhar com o tal livro e que ele nem deveria ser publicado (haha! é verdade!, mas eu adorava/adoro essa tradutora, é uma das melhores lá da Madras)... tudo fichinha perto dessa coleção didática. O que me consola é que um dia essa coleção vai sair e vou sentir muito alívio, como uma mulher após um parto difícil =D.

Em casa, estou tentando terminar uma preparação de texto de um livro de nutrição (e, mesmo virando noite, está difícil, mas vou conseguir - e, sim, estou fazendo por amor, dinheiro que é bom... um dia, quem sabe? :). Tudo porque a pessoa que ia fazer esse trabalho - que é urgente e precisaria já ter sido entregue faz tempo - simplesmente não preparou o texto como o combinado. Eu ligava para ela e ela não atendia, mandava e-mail e ela não respondia. Depois até conseguimos, eu e Ana Paula, falar com ela, mas não tinha muito o que falar. Quando o prazo já tinha estourado vários dias, recebo um e-mail dela, dizendo que tinha dado pau no computador dela, mas que ela tinha me enviado os arquivos e (olha a cara de pau!) se eu podia enviar para ela os arquivos prontos, já que ela não tinha mais e gostava de guardar os trabalhos que tinha feito. Respirei fundo para não mandar um e-mail com tudo que eu estava pensando (sim, é isso mesmo que vocês estão pensando! haha). A Ana acabou falando com ela por telefone depois, que ela não ia receber nada pelo trabalho porque, era óbvio, ela não tinha feito nada. Parece que ela já tinha dado várias desculpas antes, com um outro trabalho, mas, como é supostamente boa, pediram para eu passar esse outro trabalho para ela. Pelo visto, ela já está manjada no mercado por isso (dar desculpas, estourar prazos, etc.) - sim, todo mundo do mercado editorial se conhece e se fala. Parece que da outra vez ela teve gripe suína (ou pelo menos foi essa a desculpa que ela deu para a San...). Podia ter pego a doença da vaca louca - seria mais a cara dela! Rá. Desculpem, eu não consigo evitar, preciso extravasar a minha indignação com essas... vacas loucas ;D. Mas fica a dica de como nunca se comportar - caso vocês pretendam continuar trabalhando no mercado editorial.

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Ontem a Flávia me disse que recebeu uma proposta indecente. Trabalhar como estagiária em uma editora por um salário indecente, que deve ser umas 7 ou 8 vezes menor do que ela está ganhando atualmente. Se ela topasse, provavelmente gastaria todo o salário em almoço, porque sei que a tal editora (apesar de publicar excelentes livros) não dá vale-alimentação para os funcionários - tipo: se virem, queridos funcionários. Mais um pouco e a proposta seria: "Será que você não quer fazer um trabalho voluntário na nossa editora? Tenho certeza de que você vai adorar trabalhar com os títulos, vai ser uma experiência bem enriquecedora, fora que vai dar um up incrível no seu currículo! Pense bem, pois estamos te dando a honra de trabalhar para nós...".
A Flá ficou chocada. Eu também. Se eu fosse a dona da birosca, teria vergonha de fazer uma proposta dessas.
É, depois de um tempo a gente percebe que não tem como viver de amor e de idealismo. Porque as contas vão continuar chegando todo mês... Por isso estou um pouco (muito) inquieta esse ano - ainda não sei bem que rumo dar à minha vida profissional. Não sei se o investimento em um curso de editoração de 4 anos valeria a pena. Se não valer, o que faço comigo? Para onde vou?
As editoras em geral querem pessoas formadas em ótimas faculdades, que tenham experiência, boa vontade, perfil para as vagas, proatividade, que vistam a camisa, etc., mas não querem pagar salários decentes... como faz?
E já vi que não tem como trabalhar com livros legais e ganhar razoavelmente bem. Talvez os editores dessas editoras de livros legais pensem que já é um privilégio e um prazer trabalhar com eles - por amor, pela satisfação pessoal -, então [que coisa mais lógica, aline naomi!!], por que as pessoas se importariam em ganhar pouco? Para que gostariam de/se importariam com ganhar dinheiro, já que estão fazendo o que amam e fariam isso de graça mesmo... ai, parei. Não quero mais falar disso! Prefiro acreditar que existe um caminho do meio. Por favor, tem que existir.

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E, por fim, amanhã entraremos às 14h e sairemos às 20h30. Sim, merda de jogo de futebol de novo. Antes íamos fazer uma pausa entre 10h45 e 14h (o jogo é às 11h), mas acabaram decidindo que seria mais produtivo todo mundo entrar às 14h, (quase) todo mundo concordou, então é isso. Eu curti muito a ideia.
Cheguei a cogitar levar meu saco de dormir, para me enfiar debaixo da mesa na hora do jogo e dormir por umas 2 horas =P, mas depois pensei... melhor não, né? Já me acham "excêntrica" por não ver TV, por voltar a pé para casa (1h15 de caminhada - mas a verdade é que os paulistanos em geral é que são muito sedentários! - e eu, bom, eu não quero ter problemas cardiovasculares) e talvez por alguns comentários fora da casinha que faço às vezes :). E olha que engraçado que um colega disse sobre mim faz um tempo: "Quando você entrou até pensaram que você era quietinha, né?" (oi?) - haha! É... na entrevista devo parecer uma pessoa muito séria, que bom =D.

Ah, trocamos de baia ontem. Foi meio tumultuada a coisa. A San agora senta na minha mesa e o Antônio foi para o lugar que era dela. Eu e a Ana Paula nos mudamos para a baia do Antonio (que fica ao lado). Para que o fluxo de trabalho flua melhor. Amém.

4 comentários:

Karen disse...

Hei, se estiver precisando de freelancer para tradução, eu estou à disposição! Não ligo em ser explorada e juro que não recebo mensagens espirituais... rs

flavia disse...

pois é...e eu continuo a me prostituir na publicidade!ahhahaha

Mutante disse...

pois é menina, todo o problema se resume a ter "patrão". todos são iguais. alguns pagam melhor, outros pior, outros são piada. mas se você conseguir trabalhar com o que gosta já é uma grande coisa.
sabe, a Pri, minha mulher, comentou com alguém no trabalho dela que não vê TV (além de ser vegetariana, lésbica, umbandista...). As pessoas acharam ela praticamente um ET! rs

beijos

aline naomi disse...

Karen,
na editora onde estou agora praticamente não publicam tradução, mas me manda um e-mail (naomi.sassaki@gmail.com), aí eu te passo o e-mail da Madras e de outras editoras que eu sei que trabalham com livros estrangeiros para você poder mandar currículo. A Saraiva estava recrutando vários colaboradores há algum tempo. Bom, me escreve, aí eu te passo os contatos!
"não ligo em ser explorada e juro que não recebo mensagens espirituais" >>> HAHAHAHAHAHA

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Flá,
mas pelo menos a sua "prostituição" é bem paga, né?
Não consigo esquecer essa proposta que te fizeram. Acho que no seu lugar me daria muita vontade de responder: "Estagiária é a PQP!!". =D

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Mutante,
ainda não me acostumei a ter "patrão" e nem com ter horários tão rígidos para entrar e para sair do trabalho... às vezes sinto que rendo muito mais em casa e se me deixassem trabalhar uma parte do tempo aqui e parte na editora, algumas coisas sairiam bem mais rápido. Seria um meio-termo legal e não estressante.
Muito legal o que você falou: "mas se você conseguir trabalhar com o que gosta já é uma grande coisa". Nunca tinha pensado nisso. E, realmente, eu faço questão de trabalhar com o que gosto, senão nada faz muito sentido.
HAHAHAHAHAHA, não sabia que a Pri também não via TV, ah, eu gosto tanto de achar pessoas que têm hábitos iguais aos meus porque às vezes, de tanto as pessoas falarem, começo a achar que sou mesmo anormal. Mas não, né? É normal não ver TV.
Hahahaha... entendo a Pri perfeitamente!! Hahaha. Mas estou tentando fazer a normal no trabalho... hahaha!
Beeijos!