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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Estação Pinacoteca, antigo DEOPS/SP

Olha que ignorância a minha: eu não sabia que a Estação Pinacoteca tinha sido sede do DEOPS/SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo). Para mim, o "DOPS" (eu lembrava dessa sigla das aulas de História do Brasil do colégio...) era um prédio ao lado do Museu da Língua Portuguesa, e esse prédio, na verdade, só existia na minha imaginação.

Eu já tinha ido para a Estação Pinacoteca para uma vernissage de um amigo da Pi há vários anos (na época ela fazia Artes Plásticas na ECA e esse amigo estava expondo lá), mas nem cheguei a visitar o "Memorial da Resistência", um espaço que foi reconstruído, com celas em que os prisioneiros políticos ficavam na época da ditadura.

O prédio foi inaugurado em 1914 (estou lendo o folder, ok? :) para o funcionamento da administração e depósito da Estrada de Ferro Sorocabana e depois foi reformado para abrigar o DEOPS/SP em 1939 e acabou ocupado pelo órgão em 1940. O DEOPS/SP só foi extinto em 1983.

De verdade: não recomendo a visita para quando não estiverem muito bem porque o ambiente é pesado e vão ficar pior. Eu que tava ótima, quando entrei na primeira cela reconstruída (que deve ter uns 2 m x 3 m e abrigava de 18 a 30 pessoas), senti vontade de chorar. Quando comecei a ouvir depoimentos de sobreviventes pelo fone de ouvido na última cela do corredor, não aguentei. É terrível ouvir depoimentos intimistas. Fiquei pensando numa conversa que tive com alguém, não lembro quem, sobre "energias", a gente falou sobre as pessoas passarem pelos lugares e parte da energia delas ficarem... talvez seja verdade. Imagina quanto sofrimento, desespero e aflição passaram (e ficaram?) por ali...

De coisas não pesadas: no piso superior vi duas exposições temporárias com obras antigas de colecionadores (não pode tirar foto). No térreo também vi uma exposição de um artista gráfico chamado Elifas Andreato, que, pelo que li, revolucionou a forma de fazer capas de livros e de discos. Lembrei do Dan.

Estação Pinacoteca
Endereço: Largo General Osório, 66 São Paulo, SP - Tel. 55 11 3335-4990 (é só descer na estação de metrô da Luz - linha azul! -, fica bem perto)
Horário: de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30
Entrada gratuita para ver o Memorial da Resistência e R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia) para ver as exposições temporárias no piso superior e, comprando o ingresso, a entrada na Pinacoteca é livre (ou vice-versa, acho: se pagar a entrada da Pinacoteca, é só apresentar o ingresso na Estação Pinacoteca para ter acesso às exposições)
Site: www.pinacoteca.org.br (o site da Estação Pinacoteca está dentro do site da Pinacoteca)

Lembranças visuais:

Parte da exposição do Elifas Andreato (térreo)





Linha cronológica dos governos e maquete do prédio

Corredor com celas, a primeira entrada à esquerda era um corredor para o banho de sol. Se não me engano, os prisioneiros tinham direito a banho de sol uma vez por semana, quando tinham.

Corredor para o banho de sol
Corredor do banho de sol. Parece amplo por causa do espelho (é o meu reflexo lá no fundo), mas é um espaço minúsculo. Ao lado direito, as janelas das celas.


Porta com abertura em quadrado para comunicação e abertura para passagem de comida

Primeira cela
Segunda cela
Nas paredes havia várias coisas escritas. Nomes e frases.

Latrina e pia ao fundo da segunda cela. Os prisioneiros tomavam banho (quando tomavam) de canequinha. Uma sobrevivente disse que chegou a ficar uns 40 dias sem tomar banho.

Visão do banheiro para a porta de saída

Terceira cela, ao fundo do corredor, onde há fones de ouvido com depoimentos


Será que é possível que uma ditadura tome conta do país de novo?

Vira e mexe lembro do que um professor de geografia do colégio disse e que eu acho que tem fundamento: se movimentos como o MST crescerem, será a barbárie. Um bando de gente desprovida de recursos, excluídas social e economicamente, lideradas por loucos (?) que dizem: "Vocês não têm nada e a culpa é do governo, dos 'ricos', do 'sistema', vamos saquear os bens alheios, vamos tomar o poder!". E então a horda de sem-terra e sem-nada acha que sim, que essa é a única forma de se "fazer justiça" por aqui.

2 comentários:

Luciana Borba disse...

Se vc sentiu vontade de chorar imagine participar de uma peça (Lembrar é Resistir - 2000/01) onde o cenário eram as celas e os presos o público? Sai super mal ao final que precisei de 2 dias para me recuperar. A pior coisa na vida é a privação de liberdade.

aline naomi disse...

Ai, Lu, acho que não aguentaria!!