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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Copacabana e Isla del Sol

Cheguei ontem lá pelas 7h de Uyuni aqui em La Paz. Liguei para a Maribel, da agência de viagens indicada pelo recepcionista do hotel, e ela foi me buscar na rodoviária - depois fiquei sabendo que ela é a dona da agência. Olha o nível de atencao que tive! Se ela me dissesse para esperar em tal lugar, eu ia pegar um táxi e estar lá para a excursao para Copacabana que sairia às 8h, mas ela foi lá me buscar de táxi.
Apesar de o check-in ser acho que meio-dia, me deixaram pegar um quarto às 7h, aí troquei de roupa, esvaziei um pouco a mochila e desci. O bus passaria ali para pegar o guia, Daniel, e eu em alguns minutos.
A viagem até Copacabana, que fica à beira do Lago Titicaca (outra coisa que eu queria muito ver aqui), dura umas 3 horas. Só descobri que teria um guia particular quando cheguei lá e o Daniel me disse que saltaríamos ali porque o tempo estava curto. O ônibus estava lotado com outros estrangeiros, achei que ele guiaria todo mundo, mas nao.
Atravessamos um tipo de estreito para a outra margem do lago; as pessoas atravessam em um tipo de lancha adaptada para vários passageiros e o bus atravessa em um tipo de balsa. Acho que os bolivianos ficariam impressionados com a balsa que faz o caminho para Ilhabela, no litoral paulista - lá as pessoas e os carros vao na mesma balsa. Subimos no bus de novo, mais 45 minutos e chegamos a Copacabana.
Em Copacabana vimos uma catedral enorme e linda, com influência árabe. Uns 80% dos bolivianos sao católicos, por isso há muitas igrejas e catedrais com arquiteturas impressionantes. Copacabana se chama assim por causa da Virgem de Copacabana - na verdade, tinha um outro nome local que os espanhóis nao conseguiam pronunciar, aí, por aproximacao de sons, virou ¨Copacabana¨. Como escrito no guia que comprei, Copacabana se aproxima da nossa Aparecida do Norte, interior de Sao Paulo, por ser uma ¨capital da peregrinacao¨. Ah, vi os carros sendo benzidos na frente da igreja. O Daniel explicou que faziam isso para que tudo corra bem, para que nao tenham problemas e, em geral, as pessoas vinham em família e também eram benzidas. Na frente da igreja havia várias barracas com pessoas vendendo flores e miniaturas de carros, casas, escritórios, diplomas, entre outras coisas. As miniaturas servem para o padre benzer, para que as pessoas consigam realizar o que desejam - que podem ser coisas materiais ou intangíveis (saúde, felicidade, paz...).
O Daniel me levou para almocar num restaurante muito bacana - e, aparentemente, caro. A sopa de maíz (milho), com macarrao gravata e legumes, estava muito boa (eu quero aprender a fazer isso!), depois escolhi trucha, e teve sorvete de pêssego de sobremesa. Enquanto almocávamos, conversamos bastante. O Daniel é uma pessoa bem interessante, tem formacao de guia, faz uns trabalhos voluntários, leva criancas de escolas que ficam longe do centro para fazer passeios culturais pelos museus da cidade e tem uma visao, digamos, mais politizada da Bolívia. Ele falou que pensa em conseguir uma bolsa para estudar fora e depois voltar. Vou ver como funciona o esquema de mestrado em turismo para estrangeiros lá na USP. Meu professor de espanhol boliviano fazia mestrado em matemática lá e sei que há vários estudantes bolivianos, ou seja, nao deve ser a coisa mais difícil do mundo conseguir algo nesse sentido. Se eu conseguir ajudar, ficarei feliz. Sinto que preciso fazer coisas boas para as pessoas, para retribuir o que outras pessoas e amigos fazem de bom por mim, por tudo que me fazem crescer e ser uma pessoa melhor - acho que é uma forma de manter as boas energias vibrando.
Depois do almoco, pegamos um tipo de lancha modificada para ir até a Isla del Sol. Dá mais ou menos 1h30 de viagem pelo rio Titicaca. Fui na parte de cima e estava bem frio por causa do vento; a melhor compra aqui foi o blusao superquente. Na volta, fui na parte de baixo, até porque estava chovendo.
Na Isla del Sol, subi uns 200 e nao sei quantos degraus, e vi as três fontes de água. No tempo pré-inca dizia-se que era preciso beber das três fontes para:
- Nao ser mentiroso
- Nao ser covarde
- Nao ser ladrao
Subir nao é muito fácil, falta oxigênio, mas vale a pena! Minhas pernas vao voltar bem saradas dessa viagem =). Depois seguimos por um caminho em meio às terracas (tipo de plantacao com várias camadas, a gente estuda isso no colégio!), vi carneiros, mulheres aimarás com suas trouxas coloridas, criancas vendendo coisas, uma menina com um filhote de carneiro (devia ter fotografado isso!).
Vi um palácio inca e o Daniel explicou um pouco sobre a arquitetura do lugar. E depois tivemos que voltar porque tínhamos que pegar o bus às 19h em Copa.
A Isla de la Luna, que fica em frente à Isla del Sol) ficou na vontade. Quero voltar, vou voltar, pra fazer esses passeios que nao deu tempo de fazer.
Chegamos umas 17h45 em Copa e ainda deu para subir até a metade do Calvário, até a sétima estacao (nao sei quantos degraus de uma subida bem íngreme... porque eu sempre quis ter pernas trabalhadas mesmo! Haha!) - nao sou católica, mas deve ter umas 12 estacoes? Lá em cima em cimao mesmo dá para ter uma visao mais bonita da cidade. Eu nao aguentava mais subir, aí descemos e o Daniel me levou para o mercado para tomar api (uma bebida roxa, feita com um tipo de milho roxo) e comer um negócio que parecia bolinho de chuva, mas tinha formato de donuts. Gostei!!

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