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sábado, 18 de setembro de 2010

Instruções para viver

[O título do post foi inspirado num conto-poesia do escritor argentino Julio Cortázar, Instruções para chorar.]

Como se houvesse instruções para chorar.
Como se houvesse instruções para viver.

Por muito tempo achei que era melhor não dizer o que eu pensava e sentia, porque isso me desarmaria, mas descobri que dizer é incrivelmente libertador, ainda mais se pensarmos que não vamos viver para sempre e que o "depois" pode nem existir.

Por muito tempo adiei viagens, "um dia eu vou". Não. Eu vou agora. "Um dia" é tempo demais.

Também me poupei de estar com pessoas queridas, me poupei de viver e de sentir.

Nem sei se eu deveria contar, mas a gota d'água disso tudo foi quando encontrei uma amiga que adoro e ela contou que, durante o tempo em que não nos falamos (uns meses), ela descobriu que tinha uma doença muito grave, que tinha passado por um tipo de quimioterapia, que a deixava mal quase o tempo todo, e quando ela conseguia estar bem e se alimentar ela agradecia. Um dia depois de ela ter o diagnóstico da doença (que foi descoberta meio por acaso, com exames de rotina porque ela estava querendo engravidar), o marido dela disse que estava saindo de casa porque não estava feliz com o casamento.

Fiquei mal, me controlei para não chorar na frente dela, porque ela é uma das últimas pessoas que merecia passar por isso. Ela sempre fez tudo certo, é uma pessoa maravilhosa.

Daí fiquei pensando que não vou esperar um médico me dizer que estou com câncer e que tenho 3 meses de vida e daí me desesperar porque terei muito pouco tempo para fazer tudo que não fiz antes. Fiquei pensando também que, por mais que a gente ame alguém e queira que essa pessoa esteja perto sempre e para sempre, talvez isso não aconteça e a gente deve estar ciente de que uma hora ela pode ir embora ou talvez a gente queira ir embora e isso não deve ser um desastre. Ou talvez eu esteja tentando sempre o desapego porque dói menos depois (?). De qualquer forma, o mais importante para mim está claro: por mais que eu ame alguém, esse alguém nunca vai me pertencer. E por mais que alguém me ame mais que tudo no mundo, nunca poderei dizer "sou sua".

Vou viver tudo que eu puder e desejo o mesmo para todo mundo.

4 comentários:

.:*Mandy*:. disse...

Amém, Aline. Amém :)

comalgumarazao disse...

Tudo isso que você escreveu me fez voltar a pensar em certas coisas que me incomodam em mim mesma. Pra mim é muito difícil separar as coisas "que são" das coisas do jeito que eu gostaria que fossem.
Mas o jeito é ir vivendo tudo mesmo, as vezes com isso as coisas até mudam, não é?

Beijos Aline e boa sorte no seu retorno à realidade.

Min disse...

viver e ser feliz anda sendo também minha vida atualmente. o futuro aos céus pertence, viver o aqui e agora.
tu anda me dando uma luz, mesmo que não saiba. ^^

te mandei email!

saudades!

;*

aline naomi disse...

Mandy,
vai dar tudo certo, né? No fim, sempre dá.
beeijo!

***

Gerlaine,
acho que todo mundo vai deixando coisas pra resolver "depois", até que uma hora não dá mais. Ou até dá, se a pessoa conseguir "ir levando". Eu não consigo ir levando, senão começo a sufocar...
Beijo!

***

Min,
que bom que tenho te dado alguma luz *risos*
A gente vai se encontrar em breve, né?
Estou com problema para abrir o e-mail, mas amanhã já volto pra SP e vejo lá e respondo, ok?
Beeijo