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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Salar de Uyuni

Estou de volta a La Paz, meu bus para Potosí sai às 20h30 e, como os museus e tudo que me interessa está fechado hoje (segunda-feira), vim escrever, depois vou almocar, tomar sorvete e provavelmente pego uma sessao de cinema para matar o tempo.
Deixa eu comentar meu passeio para o salar, que era uma das coisas que eu mais queria ver no mundo. Embora nao haja palavras para descrever o que vi, vou tentar. Queria (quero!) muito que todos os meus amigos um dia tivessem a oportunidade de estar lá e ver aquilo. Sao 12 mil quilômetros de sal, é como um deserto de sal, quando eu olhava para qualquer direcao, era tudo branco! E na ida nao havia outros jipes, entao dava a sensacao de estar totalmente no meio do nada.
Houve um probleminha com o jipe em que eu ia: estava lotado, aí tive que pegar outro, no cemitério de trens - que é um lugar muito cenário, como vários lugares por aqui! Aí fui com um grupo bem legal no outro jipe: um casal de argentinos e mais dois caras argentinos (eles eram muito engracados!) e um casal jovem de franceses (que iam atravessar parte do salar de bicicleta em 3 ou 4 dias!!). O motorista-guia-cozinheiro se chamava José e era muito divertido também.
Primeiro paramos em uma cidadezinha chamada Colchani, onde vimos como o sal é processado. Há algumas dezenas de famílias vivendo ali e que vivem basicamente disso. Tudo é feito manualmente (coleta, secagem, adicao de sódio e ensacamento). O sal é um pouco menos branco do que o nosso sal (no Brasil, só conheco a marca Cisne). Deu vontade de conhecer um salar brasileiro! Acho que ficam no nordeste, pelo que lembro das aulas do colégio.
Depois seguimos para uma cidadezinha menor ainda chamada Coqueza. Quando eu estiver cansada do mundo, vou pra lá. Acho que nem tem energia elétrica! Lá o capitán José, como ele dizia, preparou nosso almoco e, dessa vez, nao tive opcao, tive que comer carne de lhama. Cozinha bem o José! Tinha arroz com quinua (eu gosto de quinua!), carne, salada e tangerina de sobremesa.
Quando terminamos de almocar, fomos para a Isla de Pescado, a ilha com cactus gigante. O casal de franceses e suas bicicletas ficaram em Colza e um japonês se juntou a nós - era muito engracado porque ele tinha um puta sotaque em inglês e eu nao entendia direito o que ele falava! Mas foi um contato bacana, ele é chef no Canadá, tem um visto de trabalho que acaba no fim do mês e depois ele volta pra Osaka, no Japao.
Na Isla del Pescado, o José disse que os cactus crescem 1 cm por ano (!), entao os cactus com mais de um metro sao todos centenários! Impressionante! Fizemos um caminho entre os cactus (subidas e descidas) e depois tiramos unas fotos locas - na verdade, o José que tirou (além de motorista, guia e cozinheiro, ele sabe tirar fotos loucas!) -, usando a perspectiva. Lembrei do Dan e do tio Frank, que gostam de brincar como isso. O José tinha um Godzilla de brinquedo e, usando a perspectiva, fez com que parecêssemos formiguinhas amedrontadas na frente dele! Ficou muito engracado! E depois um dos argentinos pegou boné e fingiu que estava nos prendendo (todos pequenininhos) com ele. Depois posto! =)
Voltamos lá pelas 19h para Uyuni e mais ou menos às 19h45 o senhor da agência de viagens me levou até o bus para La Paz, que partia às 20h.
Uma coisa chata que presenciei antes de pegar meu jipe: um garoto visivelmente estrangeiro foi até o escritório onde eu estava esperando e disse que tinha comprado uma excursao com a agência ao lado. O garoto australiano nao falava espanhol e o senhor nao falava inglês, aí tentei ajudar. Pelo que entendi, venderam a excursao pra ele, mas o escritório estava fechado e ele estava perdido, porque já tinha pago, já tinha passado do horário de virem pegar ele com o jipe. Antes de vir, li em fóruns que há agências que fazem isso mesmo, vendem pacotes fantasmas. Mas como o garoto nao falava espanhol, também nao sei se ele entendeu a data errada. A agência com que fechei os pacotes dos passeios foi indicada por um dos recepcionistas do hotel e o servico foi super. Lembrei da Ana que diz que sou uma pessoa de sorte. Estou comecando a acreditar que sim.

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