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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Air Doll - Hirokazu Koreeda

Ok, sou doente.

Queria tanto, tanto, mas tannnnnto ver Air Dolls e o download está demorando tanto pelo Torrent, aí vi o filme em 12 ou 13 partes de cerca de 10 minutos cada no Youtube. Algumas partes só em japonês, sem legenda (não entendi quase nada - por que meus pais não me educaram em japonês??), e outras partes dubladas em tailandês (hahaha!, é verdade), porque algumas partes não estavam disponíveis em japonês. Aí procurei pela legenda em inglês e dei uma lida para entender melhor algumas cenas.

O filme é do mesmo diretor de Ninguém pode saber e as cenas são muito poéticas. Admiro os artistas que conseguem retratar a dor com cenas tão lindas... você olha aquilo, é tão tão lindo, mas há uma dor dilacerante por trás de tudo... dá uma sensação esquisita.

[Atenção: esse post contém alguns spoilers.]

O filme foi baseado em um mangá chamado The Pneumatic Figure of a Girl, de Yoshiie Goda, e trata da história de Nozomi, uma boneca inflável, comprada por um homem solitário, para que ele possa satisfazer suas necessidades afetivas e sexuais. Ele a trata como namorada e conversa com ela quando volta do trabalho, além de, naturalmente, transar com ela.
Um dia, depois que seu dono vai trabalhar, ela se levanta da cama, vai até a janela, olha admirada a chuva, e uns pingos caem em sua mão estendida para o alto. Plim. Ela ganha um coração e vida. Experimenta algumas roupas e resolve sair com essa de copeira:

... e leva também uma maletinha vermelha. Conforme vai andando pelo bairro, aprende algumas palavras com os vizinhos, se admira, começa a ter sensações humanas (o que me dá mais vontade de chorar nesses filmes em que robôs e bonecos ganham vida é que eles parecem se tornar mais humanos do que as pessoas!, começam a sentir intensamente e a se questionar o que são, de onde vieram... tem uma hora em que a Kozomi fala: "Having a heart was heart breaking", talvez depois de perceber que era só um objeto sexual, algo descartável e substituível - como algumas pessoas hoje em dia também devem se sentir?).

Ela consegue um emprego em uma locadora de vídeo e vai trabalhar lá depois que seu dono sai para o trabalho. Acaba se apaixonando por um dos atendentes e vive alguns momentos incríveis e comoventes.

Nessa cena, ela descobre de onde veio

Nessa cena, ela, que tem um jeito inocente e infantil, brinca com os planetas que seu dono tem no quarto

Aqui, ela vai falar com seu "deus", aquele que lhe deu vida, ainda que uma vida de boneca

Li algumas informações na net. Parece que o filme demorou 9 anos para ser concluído e que o diretor de arte também dirigiu um dos filmes do Kar-Wai, que, em geral, têm fotografias muito bonitas. Deveria ter anotado, agora já não sei onde li essas informações, mas lembro de ter lido algumas resenhas aqui no imdb.

Para mim, é um filme sobre a solidão e a sensação de vazio da sociedade atual, mas, ao mesmo tempo, sobre o despertar dos sentidos. A Nozomi me lembra a personagem do filme Tokyo em decadência - a moça é tão pura e ingênua e acredita no amor verdadeiro e isso é absurdamente incompatível com a profissão de garota de programa sadomasoquista que ela exerce.

Quero ver o filme de novo legendado em alguma língua que eu entenda! =)

O trailer é esse (tem alguns outros com legendas no Youtube, mas achei esse melhor!):



A Kozomi coleciona garrafas vazias, acho que porque ela se identifica (quando ela olha sua mão contra a luz, ela se vê vazia, ai, é muito triste!!), às vezes também guardo algumas garrafas, ou compro coisas porque a embalagem é bonita - sou o tipo de consumidora que os designers de embalagens devem adorar, haha... há meses comprei esse "vinho rosado frisante" (que que é isso?) com teor alcoólico de 10,5% porque a garrafa era bonita... espero que o vinho seja bom, é de Bento Gonçalves, RS, então talvez seja. Nem sei quando e com o que beber isso e também não tenho com quem (haha!). Depois será que dá pra reutilizar a garrafa para guardar suco de uva na geladeira?


2 comentários:

Leandro Dias Moraes disse...

Eu amo os filmes de Kore-eda, mas eu tenho medo de assistir à eles. Sempre arrumo uma desculpa. Eles são os únicos filmes que me deprimem por anos, como Maborosi, a luz da ilusão. até hoje, eu os imagino como pessoas e não personagens, imagino o que eu estava fazendo quando aquelas pessoas estavam vivendo suas "vidas" e sinto dor por elas.

aline naomi disse...

Concordo com você, Leandro, que são filmes únicos e que nos deixam deprimidos (eu também fico). O único que não me deprimiu foi "O que eu mais desejo", que é o mais leve dele que assisti.
O último que vi foi "Pais e filhos" (sobre dois meninos que foram trocados na maternidade). Dá uma angústia ver as duas famílias se debatendo em torno do problema e a angústia também dos filhos, que já têm uns 5 ou 6 anos e já criaram laços com a família de criação.