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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Homem Chato - Jens Lien

Como a Yuri sugeriu de a gente ver o filme chinês Coração Acelerado na segunda, fui ver esse filme norueguês hoje no Unibanco da Augusta.

Eu esperava um pouco mais, talvez algo como o russo Cidade Zero (lembrei o nome!). Homem Chato também é um filme surrealista, mas com toques de comédia.

Andreas é um homem de meia-idade que vai parar em uma cidadezinha no meio do nada (veja a foto que ilustra o post), onde um senhor vai buscá-lo e o deixa em sua casa, além de informar que no dia seguinte ele deveria comparecer a uma empresa no centro, onde trabalharia como contador. Apesar de não entender, ele vai vivendo sua nova vida e, pouco tempo depois, se casa com uma decoradora de interiores. Pausa para contar uma situação absurda e hilária: ele corta o dedo numa máquina de cortar papéis, o dedo rola para o chão, ele começa a sangrar e se senta no chão da empresa, se contorcendo de dor, e uma colega de trabalho fala: "Andreas, o que está acontecendo? [Ela vê que ele está jorrando sangue.] Você não pode ficar sentado aí...".
Depois ele se apaixona por uma colega do trabalho, começa a sair com ela, e, quando decide terminar o casamento, a esposa diz: "Mas fomos convidados para um jantar no sábado, você pode ir embora depois do sábado?" (hahaha!) e ele diz que sim, assustado porque a mulher não fica triste e nem surta porque ele quer a separação. Quando ele vai, todo feliz, falar com a amante, que se separou da esposa e podem morar juntos, ela parece desapontada, e conta que além de ficar com ele, fica com mais não sei quantos homens (haha!) e ele: "Ok, não precisa me contar mais nada". Em meio às vivências e tentativa de se adaptar àquele mundo, ele vai até a casa de um homem que conheceu no banheiro de um bar - esse homem lhe disse que as coisas lá não tinham gosto, que o álcool não embebedava - e descobre uma fenda na parede por onde sai música. Curioso, começa a escavar para chegar do outro lado.

Fiz uma possível interpretação lógica, embora saiba que esses filmes surreais não são para ser interpretados de modo lógico...

Andreas ganha o básico que a maioria das pessoas precisa e se esforça para conseguir: emprego, carro, casa, esposa. As pessoas da tal cidadezinha estão anestesiadas, elas estão satisfeitas com aquilo que têm. É tudo meio automático e sem sentir. Talvez seja uma crítica à insensibilidade das sociedades atuais (ninguém se importa muito quando ele corta o dedo, ninguém se choca ao ver o corpo de um cara que se jogou de um prédio e foi perfurado pelas lanças das grades, é tudo "normal", as pessoas estão anestesiadas para qualquer tipo de sentimento, seja amor, seja dor, e nada tem sabor).

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