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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ninguém pode saber - Kore-eda Hirokazu

Vi esse filme de novo ontem de manhã. Vi pela primeira vez, se não me engano, num festival de cinema japonês lá em São José (é algo muito raro de acontecer, mas acontece - o Cinemark achou legal fazer uma homenagem ao centenário de imigração japonesa e organizou o festival com vários filmes japoneses ótimos e ingressos com valor simbólico).

Fiquei meio mal porque é ruim pensar em adultos irresponsáveis e egoístas. Meu pai já disse: "Filho é para sempre", tem que cuidar e pronto.

No filme, baseado em uma história real, o filho mais velho, de 12 anos, tem todo o peso de cuidar dos irmãos menores, quando a mãe está trabalhando ou quando passa dias e semanas fora de casa (saindo com caras; em uma cena ela diz: "Eu também tenho o direito de ser feliz, não tenho?" - claro que tem, mas se você se lembrasse de que também tem responsabilidades...). Um dia a mãe some, deixa um dinheiro, mas o dinheiro acaba e as contas vão se acumulando.

Lembrei de duas conhecidas que contaram coisas horríveis sobre os ex-maridos e pai dos filhos delas. Que não davam pensão para os filhos, que iam vestidos igual mendigos para o juiz achar que eles realmente não podiam dar pensão para eles (!). Não entendo isso de se isentar de responsabilidades. Não quer cuidar, ótimo, então não tenha filhos. Uma amiga disse uma vez: "Não quero nada que dependa de mim para viver" (na época a gente estava falando de animais de estimação, mas também vale para filhos!) - é uma postura dela, ela se conhece o suficiente para não assumir responsabilidades que não quer. Eu quero adotar uma criança, mas antes preciso viver um pouco mais sem precisar colocá-la sempre em primeiro lugar ao tomar decisões.

3 comentários:

Sharlene disse...

Jesus....esse é um dos filmes mais tristes que já assisti. Acho que me pegou por eu ser irmã mais velha e ter tido que cuidar dos meus irmãos enquanto meus pais trabalhavam. Sempre vivi um pouco com a ameaça dos meus pais não voltarem para casa, mesmo sabendo que eles voltariam. MAs ver os meus medos se tornarem realidade na tela do cinema, me deixou em prantos. Chorei do começo do filme, quando a mãe abre a mala e de dentro sai a filha caçula, até 1 hora depois que o filme terminou.
Assisti no cinema... Escolhi assistir esse primeiro e depois vi um filme com a Nicole Kidman e o Sean Penn... q eu não lembro o nome. e nem me importa em querer saber.

aline naomi disse...

E naquela hora em que o menino vai comprar chocolate Apolo pra irmãzinha que morre e depois coloca tudo na mala-caixão rosa?!?! Ai, céus, que vontade de chorar!!! Mas aguentei bravamente.
Nunca tive a sensação de que meus pais iam largar a mim e meu irmão sozinhos no mundo. Pais superprotetores = muita segurança emocional.

Tati disse...

Eu já percebi, com meus cachorrinhos e marido, que não sou muito boa em relação a cuidar de alguém. Então decidi não ter filhos. Não sei se irei me arrepender disso, mas se eu quiser botar alguém no mundo, teria de me aprumar na vida. :P

Gostei da dica... Vou procurar depois por esse filme. :)