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sexta-feira, 25 de março de 2011

"Amizade é matéria de salvação"

Estou quase terminando de ler um livro de contos da Clarice Lispector chamado Onde Estivestes de Noite. É um livro que tem só 128 páginas, em que eu não conseguia me concentrar, não conseguia terminar nunca de ler. Com tristeza, digo que é o livro dela de que menos gostei até agora. "Com tristeza", porque, para mim, Clarice era sempre um gênio, mas esse livro não me agradou como os outros (A Paixão segundo G.H., por exemplo, mudou a minha vida quando eu tinha 15/16 anos).

O conto de que mais gostei desse livro foi "Esvaziamento", que fala da amizade de dois homens. Fala do encontro de duas pessoas, do prazer da companhia um do outro, do amor (?) subjacente e incompreensível ("Queríamos tanto salvar o outro. Amizade é matéria de salvação."), do esvaziamento e da solidão que foram minando a relação, até que eles se separam ("Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever."), mas, ao mesmo tempo, continuam juntos ("E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros.").

A separação parece sempre inevitável, mas nem sempre dolorosa. Para mim é assim mesmo que acontece: várias mil pessoas vão passar por nossas vidas. Algumas vão ficar de corpo presente, outras, só na lembrança. E de outras vou arder de saudades infinitas.

Depois que terminar esse, vou retomar outras leituras e também preciso ler um livro sobre livros que o editor me emprestou e reler O mistério da fábrica de livros, do Pedro Bandeira (o livro pode ser baixado integralmente daqui), que li quando era criança e fala sobre o processo de produção do livro. Daí eu posso pedir as aulas de produção gráfica que ele disse que me daria :). Aliás, ia fazer o curso "Instrução para a produção de livros", na PUCRS, porque o curso é oferecido por EAD (Educação a Distância), mas como eles não estão precisando de alunos/dinheiro, acabei ficando de fora. Enviei e-mail perguntando sobre formas de pagamento no dia 21/03 e só me responderam dia 23/03 para dizer basicamente que as inscrições tinham se encerrado no dia 22/03 e que não tinham previsão para novas turmas. Nem queria mesmo! :P Acho tão palhaçada e pouco caso isso. Lembrei das situações que eu e a Mila vivemos lá no Rio (da próxima vez que eu for pra lá e for mal atendida, dou meia-volta ou me levanto da mesa e vou embora! de verdade!). Sei lá se estou ficando exigente demais, porque aqui em São Paulo, como cliente, os funcionários em geral sempre atendem com presteza, me deixando mal acostumada (?). Mas ok, talvez o curso seja mesmo inútil. Talvez valha mais a pena fazer um curso presencial na Universidade do Livro, da Editora Unesp, lá na Praça da Sé.

2 comentários:

Lúcia H. disse...

Já perguntei uma vez e vou perguntar de novo: Vc não dorme? Já ouviu dizer que se não dormir, não cresce?
De livros: ontem minha amiga Silvia me emprestou o livro: Cem anos de águas corridas. Sobre imigração japonesa. Fiquei surpresa, pois achei que os pioneiros foram os que vieram no Kasato Maru em 1908, e há relatos de japoneses no Brasil desde 1803 (Florianópolis) Eram 4 e ficaram só 3 meses. Depois, em 1867, um esteve aqui por 11 dias (Rio). 1870, um (Salvador) que fez seppuku num navio. Depois mais três, que ficaram morando mesmo. Inclusive um deles serviu ao Imperador D.Pedro II. Outro veio de "gaiato" para ser camareiro do neto de D.Pedro II, mas ocorreu a revolução republicana e ele voltou ao Japão. Achei tudo isso curioso. Bjs

aline naomi disse...

Tia, durmo pouco porque não preciso de muitas horas de sono. Me dá uma inquietação de viver, sei lá! Haha.
Que legal esse livro, tia!! Eu gosto de saber mais sobre a cultura japonesa! Pra mim os pioneiros também tinham sido os imigrantes do Kasato Maru.
Beeijo!