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domingo, 31 de julho de 2011

1945 e Histórias Apócrifas


Esses dias li o mangá 1945, da quadrinista japonesa Keiko Ichiguchi, que o Sergio (@SergioLineu) me emprestou. É um mangá sobre um grupo de jovens alemães que distribuía panfletos antinazistas na época da Segunda Guerra Mundial. O mais incrível é que o mangá foi inspirado na história real de uma garota chamada Sophie Scholl, que morreu com 21 anos na guilhotina depois de ser denunciada por distribuir os tais panfletos - no mangá, o irmão dela os produzia com o intuito de despertar as massas para o horror do que estava acontecendo (a guerra, os campos de concentração, o nazismo). Quero ver o filme "Uma mulher contra Hitler", também inspirado na breve vida de Sophie.

Faz uns dias terminei finalmente de ler Histórias Apócrifas, do tcheco Karel Čapek, também emprestado pelo Sergio já faz um tempo - eu parei de ler esse livro, li outras coisas, depois retomei a leitura. Ele foi traduzido diretamente do tcheco e a primeira edição foi publicada pela Editora 34 em 1994. Nele estão 29 contos escritos entre 1920 e 1933 e publicados originalmente no Lidové Noviny (O Jornal do Povo). Alguns contos não são tão bons, mas outros são geniais!
Gostei muito de "O credo de Pilatos", em que Pilatos e José de Arimateia têm um diálogo imaginário após a condenação de Cristo. Pilatos tenta convencer José de que não existem verdades absolutas e que as pessoas devem aceitar/respeitar as verdades dos outros. Me identifiquei muito com esse conto porque muito da fala de Pilatos é o que penso (e provavelmente o que o autor pensava também). Seguem alguns trechos:

"O mundo é grande, José, e muitas coisas cabem nele. Creio que muita verdade pode caber dentro da realidade. [...] Deveríamos criar um mundo grande, amplo e livre o bastante para que nele pudessem caber todas as verdades efetivas. E eu, José, acredito que o mundo seja exatamente assim. Se subires no alto de uma montanha, verás que as coisas se fundem, que se igualam contra a superfície. Vistas de certa altura, as verdades também se fundem. [...] Acredito que o Pai do Céu daquele homem realmente existe em algum lugar, mas que ele pode conviver muito bem com Apolo e com os demais deuses. Vê só: são inimagináveis os lugares do céu. Alegra-me que o Pai do Céu esteja lá também."

Outros dois contos ótimos são: "Sobre os cinco pães", em que dois padeiros refletem sobre a multiplicação de pães realizada por Jesus e os problemas financeiros que isso traria para a classe deles ("Ah, o senhor ainda não ouviu falar da história dos cinco pães? Eu não me conformo; todos os padeiros estão revoltados com aquilo."), e "Hamlet, príncipe da Dinamarca", em que Hamlet, personagem da peça homônima de Shakespeare, confessa a Rosenkrantz e Guildenstern (falsos amigos) que o que ele realmente quer para a vida dele é ser ator (hahaha).

Os contos mostram "o lado B" de personagens históricos e/ou ficcionais. A sacada do Čapek é muito boa! :)

Agora estou lendo, entre outros, O Guia do Mochileiro das Galáxias (a Yuri me deu essa "trilogia em cinco volumes") e estou gostando. Ontem vi o filme, baseado no primeiro volume. Vou ver de novo depois que terminar de ler a série inteira.

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