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domingo, 14 de agosto de 2011

As avós - Doris Lessing


Encontrei esse livro por acaso, na livraria da Editora Unesp, que fica na Praça da Sé. Foi na época em que estava fazendo o curso de produção editorial lá na Universidade do Livro, mês passado. Havia tempo antes da aula, então entrei na livraria e dei de cara com livros da Cia. das Letras com 50% de desconto - todo mês essa editora seleciona 10 livros e dá um desconto de 50% durante aquele mês.

Li a sinopse e gostei. O trecho "Uma história de amor ousada, que transcende as convenções...", que aparece na quarta capa, me deixou intrigada. Adoro transgressões.

Comecei a ler e, nas primeiras páginas, não entendi nada. É como se a autora dissesse "a situação é essa, entenda como quiser". Então ela volta no tempo para contar a história das "avós", que dão nome à obra. Roz(eanne) e Lil(iane) se conhecem ainda meninas, no colégio, e a amizade dura por muito tempo. Elas têm uma relação muito íntima, que vai além de definições. Em uma ocasião, o marido de uma delas diz "Nós dois fazemos, acho eu, um sexo mais que adequado, mas não é comigo que você tem uma relação". É engraçado, pois, em geral, são as mulheres que ficam com esses mimimi de "você não presta atenção em mim, você está saindo com outra?", blablablá. Mas, no livro, as protagonistas são seguras no sentido afetivo.

Elas se casam e têm filhos (um menino cada uma) e as duas famílias continuam muito próximas. Os maridos são afastados do núcleo familiar, até que um dia [a partir daqui SPOILER - eu avisei!] uma das mulheres dorme com o filho da amiga. Primeiro, para mim, não tinha ficado claro se esse "dormir" tinha conotação sexual ou não. Mas tinha. Depois, a amiga dorme com o filho da outra. E tudo é encarado com uma certa normalidade. Ninguém sente aquilo como obsceno ou errado ou pecaminoso. Aquela situação existe e os quatro estão felizes. O problema começa quando o tempo passa e os meninos "precisam" encontrar garotas da idade deles...

No fim, precisei reler a parte inicial, porque, na verdade, o começo era o fim.

Quando terminei, senti uma coisa, aquela COISA que sinto depois de ter lido algo que me abala de um jeito inexplicável. Uma coisa que não consigo colocar em palavras, talvez um tipo de "estado de graça" de quem acabou de descobrir algo muito precioso - ainda que não se saiba exatamente o quê.

Apenas por curiosidade, a autora nasceu na Pérsia, atual Irã, em 1919, e ganhou o Nobel de Literatura em 2007.

Um comentário:

peregrinacultural disse...

Acabo de ler esse livro de Doris Lessing e também terminei a leitura com a sensação de ter lido algo sobre o qual precisava meditar. Vou querer escrever sobr ele, ainda não achei a maneira... Mas compartilho com você essa sensação de que algo importante foi registrado. Um abraço, Ladyce