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domingo, 7 de agosto de 2011

"Eu não sou daqui"

Foto tirada do metrô em movimento, 04/09/2010

Queria ter paciência para esperar uma data específica ou um motivo específico para escrever sobre isso, mas não. Vou escrever hoje mesmo.

É um desabafo misturado com alegria, se é que posso classificar assim.

Depois de um tempo, a gente percebe que não tem todas as verdades nem conhecimento do que é absolutamente certo. Porque a "verdade" é relativa. E o "certo" também. Deve ter havido um tempo em que eu pensava: "mas é lógico que a minha visão é a mais certa!", mas esse tempo passou. Não pretendo e nem quero pensar que tenho sempre razão. Nunca vou obrigar ninguém a acreditar em mim ou a pensar como eu penso. É melhor quando as pessoas pensam diferente e me fazem ver a vida por outros ângulos.

Antes que eu me perca depois dessa introdução meio sem rumo, o que quero mesmo é contar as minhas impressões e sensações desde que vim morar em São Paulo, em janeiro de 2009.

Hoje sinto como se tivesse me libertado de uma bolha invisível. Me libertei do desconforto de viver em cidades do interior, talvez. Tem gente que nasce, cresce e vive eternamente nessas cidades, mas eu sentia sempre que aquilo poderia ser de outro jeito. Na verdade, não. Eu é que tinha que sair desses lugares mesmo. Não foi de repente, foi aos poucos, até culminar na decisão: "preciso sair daqui". E saí.

Em cidades do interior (ou em cidades menores, que são capitais, mas têm o maior jeitão de interior), não há muitas opções. Em geral, as pessoas se casam e têm filhos, sempre tem umas mulheres que querem casar com uns caras ricos e depois vão fazer trabalho voluntário nos Rotary da vida, sempre tem aquela Fulana que é falada por ter virado garota de programa (a cidade inteira sabe, menos a família dela), se a cidade é industrial, o sonho de 90% das pessoas é trabalhar numa indústria, sempre tem uns eventos sociais e muita gente que não tem onde cair morta gasta com roupas caras e bregas para depois aparecer em colunas sociais. Se alguém foge muito disso, é "excêntrico" ou, no mínimo, estranho.

Não tenho absolutamente nada contra as pessoas que se casam e têm filhos ou contra as mulheres que se casam com caras ricos e muito menos contra as garotas de família que viram garotas de programa, etc. Só que eu não me encaixo em nada disso. Meus objetivos de vida, pessoais e profissionais, são outros, e aqui aprendi que a gente pode ser o que quiser. Em geral, ninguém vai ficar te apontando na rua, reparando na roupa que você veste, ficar falando mal dos outros (por pura maldade e falta do que fazer), não há pressão social para que você se case e tenha filhos - isso tudo para mim faz parte do que considero "mentalidade provinciana", da qual prefiro manter uma certa distância. Há muitos tipos de pessoas, de possibilidades e de liberdades pra gente se perder. E a gente se perde, e a gente se acha.

Esse post não é a verdade, é só a minha verdade no momento.

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