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domingo, 28 de agosto de 2011

Nihonjin - Oscar Nakasato


Estou com frilas para fazer, mas dei uma pausa para postar sobre um livro muito bom que terminei de ler ontem, Nihonjin, do Oscar Nakasato. Aqui no site da Benvirá, selo da editora Saraiva, tem mais informações.

Não lembro de ter lido nenhum romance sobre imigração japonesa no Brasil - deve ter outros, mas não conheço. Só lembro de ter lido um livro chamado Romeu e Hiromi, do Luiz Galdino, quando era criança, sobre o amor de dois adolescentes - o pai de Hiromi, um japonês, não queria que ela namorasse um "gaijin", o Romeu, mas, por ser um livro para crianças e a mensagem final deveria ser "todos somos iguais e o amor é lindo", os dois acabam juntos e felizes. Em tempo: "gaijin" quer dizer "estrangeiro", mas os imigrantes e descendentes usam, em geral, para se referir aos brasileiros - sei que o uso é contraditório e tem um tom depreciativo, mas, o que posso fazer?! Me senti menos mal quando um amigo descendente de alemães disse que os imigrantes alemães também tinham o costume de se referir aos brasileiros com uma palavra específica, equivalente ao "gaijin".

Mas, voltando ao livro: é um romance sobre a história de uma família de imigrantes japoneses no início do século passado, quando muitos vieram ao Brasil para tentar a sorte, fazer fortuna e depois voltar ao Japão - a maioria, na verdade, não voltou, e a história continua com as gerações que foram nascendo no Brasil. Eu conhecia uma parte da história da imigração/do livro por coisas que ouço meus pais e avós contarem (vida difícil ao chegar, "escravidão" em fazendas, proibição do falar e se expressar em japonês em público/repressão por parte do governo, a luta diária para se livrar do ciclo de misérias imposto pelo destino e por escolhas pessoais), mas o que me surpreendeu foi o tema Shindo Renmei ("Liga do Caminho dos Súditos"), um grupo de japoneses nacionalistas fanáticos que não acreditava na derrota do Japão na 2ª Guerra Mundial e assassinava descendentes que propagassem o contrário (ou seja, a verdade, que o Japão havia sido derrotado). Lembrei do livro Corações Sujos, do Fernando Morais, que via sempre exposto nas livrarias e que deve voltar à evidência, pois descobri que uma versão para o cinema acabou de sair:


Quero ler o livro e ver o filme!

Vários personagens parecem ter sido inspirados em pessoas da minha família ou de amigos e conhecidos descendentes de japoneses (o japonês que não queria que seus filhos e netos se misturassem com "gaijins", aquele outro que casou escondido com uma brasileira, porque o pai não ia aceitar o casamento às claras, aquela que aceitou o "destino" e se casou com o nihonjin que o pai escolheu, mesmo amando outro homem, outros que são machistas (traço inerente à cultura japonesa?)...).

Gostei muito do livro e recomendo para quem gosta da cultura japonesa e se interessa pelo tema imigração no Brasil.


4 comentários:

Lúcia H. disse...

Sabia sobre os livro e o filme "Corações sujos" Acho que quero assistir (ou ler). Digo acho porque não sei se tenho estômago. Deve ser tenso. No "Gaijin2", da Tizuka Y. tem uma cena de um personagem desse grupo fanático que mata o próprio parente.

Lúcia H. disse...

Quis dizer o livro

Lúcia H. disse...

Sobre a expressão "gaijin" que utilizamos facilmente: minha Sensei, me explicou que soa mesmo pejorativo. Que o que deveríamos usar é hinikkey (para não nikkeys). Mas acho que pouca gente usa (ou sabe). Pelo menos nunca ouvi ninguém dizendo, por exemplo: "A mulher do seu irmão é hinikkey?" Perguntam se é "gaijin".
Vou tentar usa hinikkey, mas acho que vai ter gente perguntando: "hein?"

newdown_to_you disse...

Sinceramente no começo eu achava chato quando se referiam a mim como 'gaijin' mas hoje em dia depois de 10anos convivendo entre eles, japoneses, acho isso uma bobagem e quem liga pra isso pior ainda. Somos gaijin mesmo e daí, não vejo mal nisso mais. O importante é mostrar seu valor e seu verdadeiro caráter.
Btw. Nāo sou profesdor nem tenho a pretensāo aqui mas a palavra que talvez posso amenizar essa lado pejorativo seja 'gaikokujin' como os próprios nativos aqui o fazem.