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domingo, 14 de agosto de 2011

Palestina - Joe Sacco


Essa semana também terminei de ler os dois volumes da HQ Palestina (volume 1: Uma nação ocupada; volume 2: Na Faixa de Gaza), que a Yuri me emprestou.

Eu só lembrava muito vagamente dos conflitos nessa região das aulas de Geografia Geral do colégio. Cheguei a ver alguns filmes situados na região, mas não conseguia entender claramente a situação (pois a situação política era apenas pano de fundo para a história principal).

Joe Sacco viajou para a Palestina quando tinha 30 anos (hoje ele tem 51) para vivenciar o conflito pelos olhos dos palestinos e isso acabou sendo fundamental para esse trabalho que ele acabou desenvolvendo. O prefácio do José Arbex que aparece no primeiro volume é ótimo; é uma crítica à mídia, que sempre molda a realidade de acordo com o que convém.

Muito resumidamente, é assim: há muito muito tempo havia tribos hebraicas na região que hoje é Israel e elas foram expulsas pelos romanos no século II; a partir disso, os judeus passaram a ser "sem-terras", se espalharam pelo mundo. Em 1917, o governo britânico ofereceu ajuda financeira e militar para criar uma nação judia onde já havia ocupação árabe. Houve conflitos, árabes foram expulsos de suas casas e realocados em "assentamentos", sem direito a (quase) nada. Muito triste a situação dos palestinos. Moralmente falando, os judeus não tinham o direito de ir lá e tomar as terras que não eram deles. Mas para que caráter nesse mundo, quando se pode conseguir as coisas de um jeito muito mais fácil, né? É muito deprimente a capacidade de as pessoas provocarem sofrimento umas às outras.

Fiquei fã do Joe Sacco!

Delirando, imaginei o seguinte: imagina se um país muito rico propõe o seguinte para o MST: "Damos dinheiro, treinamento e armamento para vocês tomarem o poder no Brasil; quando vocês estiverem no poder, a Amazônia é nossa". Ignorância, falta de caráter e pobreza = mistura explosiva. Loucura? Nem tanto. Olha o Holocausto. Olha a Palestina.

E só uma observação sobre o primeiro volume: a edição está ruim. Quem colocou a texto fez um trabalho ruim - aparecem tracinhos (-) onde não era para aparecer, às vezes o texto aparece cortado ou asletrastodasjuntas (muito irritante!). Então fiquei feliz quando vi que a Cia. das Letras publicou um outro livro dele, Notas sobre Gaza. É nos detalhes que a gente percebe os cuidados que se teve (ou não) na hora da produção de um livro.

4 comentários:

Jota Pe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joao Paulo Carvalho disse...

Olá Naomi, achei muito bacana sua dica sobre a obra de Joe Sacco. Contudo, creio que não foi tão enriquecedor seu comentário sobre o MST. Não sou militante, mas conheço um pouco sobre os movimentos sociais no Brasil e da luta por dignidade do campesinato. Afinal não foi nas aulas de história que nós aprendemos que a economia do Brasil Colônia era basicamente: latifúndio, monocultor, escravocrata? De posse deste conhecimento é devemos apoiar a reforma agrária como política fundamental para construção de um Estado menos desigual e se há exageros e corrupção em alguns círculos isso deve ser apurado e tratado jurídicamente. Comparações demandam muita responsabilidade, com isso se há alguém que tem realmente direito a terra é o povo, que apesar de não ter escrituras foi quem sempre trabalhou nela!

Lendo Joe Sacco, você terá uma visão bem mais crítica sobre o que o mundo diz ser a "verdade". Recomendo também Leandro Karnal.

Abraços, Paz e Força!

Old Little Girl disse...

o.O
*meda
De onde surgiu?????
~mudando de assunto~
Mas que Joe Sacco é foda... é!
Só a Conrad que não ajuda fazendo as edições do livro um lixo, mas... como não posso gastar, sou refém dessas edições lixos.

aline naomi disse...

João Paulo,
obrigada pelo comentário.

***

Old Little Girl,
mas só o primeiro volume estava ruim, o segundo estava ok, né??
:-*