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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Há quem prefira urtigas - Junichiro Tanizaki

Terminei de ler esse livro hoje, entre uma sessão e outra de cinema, e queria comentar.

Na década de 1920, no Japão, Kaname e Misako são casados, mas não vivem como casal há muitos anos, embora dividam a mesma casa, e decidem se divorciar. Existem vários conflitos na trama: entre a cultura oriental e a ocidental, entre a tradição e a modernidade, entre a aparência social e a realidade entre quatro paredes. O interessante na história é que Misako tem um amante com o consentimento do marido, que é indiferente a essa relação extraconjugal, e o marido também tem uma relação com uma prostituta - e o trato é serem discretos. Uma relação sem hipocrisias, mas bastante intrincada.

Enquanto não tomam a decisão definitiva de se divorciar, vão vivendo cada um a seu modo.

O pai da Misako, que não fica contente ao saber sobre o divórcio e a situação em que a filha vive, é casado com uma gueixa subserviente, muitos anos mais nova que ele, e gosta de teatro de bonecos - em um momento da trama, Kaname compara a companheira do sogro a uma boneca (o pior é que é verdade, é apenas uma boneca, que está sempre servindo, sempre educada e prestativa e que não demonstra vontade própria).

Esse livro me fez refletir sobre a aparência dos casamentos e relacionamentos em geral. Muitos devem estar em ruínas, mas precisam aparentar normalidade e equilíbrio.

Lembrei do que uma amiga mais ou menos uma década mais velha me disse sobre casamento e divórcio: que, apesar das várias coisas que o marido aprontava e ela descobria, ela tinha dúvidas se o divórcio era a melhor solução; ela se deu um tempo para saber se o casamento ia afundar de vez ou se tinha jeito de melhorar - porque ela achava que ia melhorar. Mas acabou se divorciando mesmo. Comentei que se o cara fizesse o que fez com ela, eu pediria o divórcio e pronto. Ou, talvez, um dia ele ia chegar da rua e ia encontrar um bilhete de despedida em cima da mesa - eu ia pegar minhas coisas e ia embora. Simples assim. Claro que eu conseguiria fazer isso. Sou mais movida a razão do que a emoção. E não entendo isso de as mulheres (principalmente) se deixarem humilhar em nome do "amor" (que, se fosse amor de verdade, não humilharia, faria crescer). "Eu amo, logo fico burra, me permito ser humilhada e faço de tudo para ficar com Fulano." Que que é isso?!?! Amor-próprio manda lembranças.

Recomendo a leitura. Para casados, não casados e descasados.

5 comentários:

Min disse...

Ah, parece ser muitooo interessante, Line!

Bem, não penso em casar, tenho medo... Hehehe...

Saaaaaaaaaudades!!!

carlos.oliveira disse...

Aline, não sei se realmente é uma real humilhação. As vezes, estas "humilhções" em nome do amor nos fazem crescer muito como pessoas. Um amor que apenas edifica é coisa da mídia. O ser humano tem vontade própeia, e logo briga. Sábia esta sua amiga que deu um tempo antes do divórcio.

Lúcia H. disse...

Iiii...Amor não dá pra ser movido a razão... Amar nos deixa cegos, surdos e ...burros. A gente (que se considera sensata) se vê tendo atitudes do tipo: "eu, fazendo isso?" E faz, viu? Minha amiga, super tranquila, se viu correndo atrás do marido com uma faca na mão, fula da vida. Juntou as roupas dele, no jardim, e queimou. Agora, tá tudo bem! Eu imagino a cena e digo: "Não era ela" E era. Conforme ela mesma. Também já fiz coisas que nem creio que fui eu. Mas essa parte não conto, nem sob tortura. Rsss.

aline naomi disse...

Min, hahahahaha, várias pessoas dizem isso, mas, depois... mudam de ideia! :)

***

Carlos e tia,
realmente, a amor é isso. Não é racional. Eu é que tenho uma visão muito racional das coisas.
E não digo mais "nunca vou fazer isso" porque, bom, nunca se sabe o dia de amanhã! haha

Anônimo disse...

Qual a chance de conseguir o livro emprestado com você?

cristalescarlate@gmail.com