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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O que eu quero de verdade


Hoje fez exatamente um ano que entrei na Disal Editora e continuo gostando. Se depender de mim, fico por lá mais dois ou três anos.

Depois de ter passado por outras duas editoras, ainda tinha dúvidas se era isso que eu queria. Adoro ler, adoro livros, mas o ambiente nos departamentos editoriais (talvez em editoras como um todo) pode ser estressante além da conta, por inúmeros fatores. Então, havia esse dilema: amo trabalhar com livros x ambiente de trabalho infernal. Só que no último ano descobri que nem toda editora é assim. Foi uma superdescoberta. Então decidi que seguiria em frente, porque quanto mais conhecimento acumulado, experiência e formação eu tivesse, maiores seriam as chances de ir para editoras melhores, com pessoal competente. (Trabalhar com pessoas desmotivadas, sem formação técnica/intelectual e que não sabem exatamente o que estão fazendo ali é difícil.)

Sou muito grata ao editor com quem trabalho por ele ter me escolhido (hoje, por acaso, encontrei e-mails de outros candidatos que foram chamados para entrevista – houve outras pessoas interessadas e, quase certeza, com o currículo parecido com o meu). É o primeiro editor intelectual, com amplos conhecimentos humanísticos, além de conhecimentos administrativos, que me coordena. Hoje em dia não me choco mais com editores que não leem, não têm muita noção de língua portuguesa e nem muita noção do próprio negócio e nem muita noção de nada, pra falar a verdade. Vou sentir muita falta do sr. Bantim quando ele não estiver mais por perto. Um dos prazeres de se trabalhar com ele é que ele também é cinéfilo e vira e mexe trocamos impressões e indicações de filmes. Graças a ele, tenho visto filmes clássicos antigos, de quando eu não existia nem em pensamento.

A importância que cada um dá ao trabalho é pessoal. Para mim, o trabalho é e sempre foi uma parte importante da vida; preciso me sentir motivada, gostar do que faço e sentir que o que faço vale a pena – do contrário, nada faz sentido. O trabalho já foi a maior prioridade da minha vida, hoje tento equilibrar com a vida pessoal. Mas ainda sou do tipo que cancelaria uma viagem programada com amigos para um lugar maravilhoso caso houvesse algum problema com a produção de um livro e eu precisasse acompanhar o processo de perto – e sem reclamar. Dramas de se gostar muito do que faz e um privilégio: trabalhar é um prazer e não um pesar.
Se eu tivesse 21 anos, estaria cursando meu último ano de Tradução na Unesp de São José do Rio Preto, e se eu tivesse as vivências e as certezas que tenho hoje, estudaria muito e prestaria Vestibular para Produção Editorial na USP no fim do ano (são pouquíssimas vagas por ano, acho que 20) e, passando, viria para São Paulo. Eu teria uma formação mais global e mais segurança para fazer o que faço. Se um dia inventarem a máquina do tempo, quero voltar para o começo de 2002.

Atualmente quero fazer uma pós (a minha primeira - e cara - opção é um MBA em Gerenciamento de Projetos na Fundação Getúlio Vargas, vamos ver se rola esse ano!) e depois fazer uns cursos com foco em publicação de livros no exterior – vi uns em Nova York que devem ser bons e também queria estudar/trabalhar em algum país da Europa. Queria saber se lá fora o processo de produção do livro foi profissionalizado e qual a fórmula (se é que tem uma) para produzir livros com qualidade no menor tempo possível e gastos dentro do previsto.

Rapidinhas:

Entrei no ramo editorial em: fevereiro de 2009

Tempo médio de ida para o trabalho: 1h30 (metrô e ônibus)

Tempo médio de volta para casa do trabalho: 2h (ônibus e metrô)

[Gasto em média 3h30 em transporte público por dia! Mas vou lendo ou dormindo e o tempo passa rápido.]

O livro mais legal que passou por mim em 2011: A história da moda no Brasil (um livro lindo, com muitas ilustrações e fotos coloridas!)

Autores malucos? Na Disal, não. Os autores são normais. Vários dão aula em unis públicas e dominam português, idiomas ou seja lá qual for a área deles, os livros são bem escritos e eles não telefonam para falar abobrinhas nem chorar as pitangas.

Objetivo a curto prazo: conseguir freelas de tradução e revisão em qualquer área em quaisquer editoras para pagar o MBA.

Objetivo a médio prazo: voltar a trabalhar com livros internacionais e coordenação do departamento de tradução (qualquer linha de publicação).

Objetivo a longo/longuíssimo prazo: trabalhar com tradução e publicação de literatura internacional (sendo que o objetivo-mor é traduzir literatura japonesa, sem ser mangás, e literatura tcheca para o português – se eu me esforçar, sei que consigo! :).

Uma desvontade: trabalhar com livros de autoajuda, esotéricos e religiosos.

Uma dica: pra quem quer entrar ou continuar na área, paciência, dedicação e persistência.

8 comentários:

.:*Mandy*:. disse...

Puxa, que bom ver vc feliz, Aline! Estou revendo alguns conceitos meus e planejando minha carreira a curto, médio e longo prazos. Espero que dê certo =)
Beijos

Crisão disse...

Depois de tanto tempo, bom ver um post como este, viu? Sempre EXISTE esperança! ;)

@Flafli disse...

Oie!!! Quanto tempo não passo por aqui! Nem vou perguntar como está porque seu post fala por si.

Olha, não existem empresas perfeitas e vc bem sabe disso. Com o tempo damos uma desanimada e cabe a nós nos apegar às boas experiências e a paixão pelo que fazemos.

Eu sigo eternamente em busca da minha paixão. Queria trabalhar com algo que fosse realmente apaixonante... e em nome disso tomei uma decisão muito séria no ano passado. Pedi demissão. É claro que minha total falta de perspectiva e motivação não foram os únicos desencadeadores. Minha vida mudou completamente com o nascimento do meu filho Theo (que agora está com 7 meses).

Resolvi que só aceitaria uma oferta de emprego que valesse a pena deixar meu filho numa creche. Claro que tomei a decisão conversando com o maridão que está segurando todas as pontas.

Sinto falta do trabalho, é verdade. É horrível ficar em casa apenas com os afazeres domésticos e sendo "integralmente" mamãe. E isso nos leva ao que estou voltando a fazer depois de um tempo afastada... volto a postar no meu blog e a visitar meus amiguinhos(as) blogueiros. Que saudade!

Em janeiro consegui ler 7 livros e estou muito contente de voltar à ativa!

Um grande beijo pra vc! E até um próximo post!

Flafli
http://flaviakellylivros.blogspot.com

Lúcia H. disse...

Oi, Li! Maior inveja de vc por trabalhar no que gosta e de ser tradutora/revisora. Trabalhei muiiiitos anos em coisas que não eram meu sonho, era para ganha-pão, mesmo. Também adoro idiomas, mas não tive oportunidades de estudar (grana curta) e me viro um pouquinho com "meu Inglês e Francês, de ginásio"( de qdo existia ginásio) e um pouco de Nihongo aprendido mais recentemente (mas só o básico é pouco). Andei assistindo filme japonês com legenda em Inglês e sabe que sabendo um pouquinho de cada, deu para entender o enredo? Yes!!!! Sem querer ser pretensiosa: acho que gostar de idiomas e a parte ligada às artes, você puxou de mim! Rs. Muitos beijos. Tititititaaaa

aline naomi disse...

Mandy,
quase certeza que você vai conseguir planejar sua carreira melhor que eu. Eu ainda me perdi pelo caminho (teve a faculdade de odonto no meio...), então demorou um pouco para saber exatamente o que eu queria. Como você começou a trabalhar ainda na graduação de ENGENHARIA (*admiração*) já deve ter ideia do que gosta de fazer e faz com prazer.
Beijos!

aline naomi disse...

Cris,
demorei, mas consegui me encontrar, finalmente. Me sinto mais leve agora! E uma vez sabendo o que eu quero, fica mais fácil correr atrás de aperfeiçoamento.

***
Flafli,
agora entendi por que deu uma parada no seu blog - UM FILHO! :)
Você deve ser um pouco como eu, não quer só um trabalho, qualquer trabalho, para ter dinheiro para pagar as contas. Feliz ou infelizmente, não consigo trabalhar por muito tempo no que me deixa infeliz.
Concordo que não existem empresas perfeitas, mas, conforme vamos trabalhando em diferentes empresas, vemos que há empresas melhores que outras e fico desejando que todo mundo que ama trabalhar com livros, uma hora ou outra, vá parar nesses lugares bons de se trabalhar.
Beijo grande pra você também!

***

Tia,
sim, concordo que esse gosto por idiomas, literatura e artes em geral puxei de você! =)
E eu sou super a favor de filmes para aprimorar o aprendizado de idiomas. É incrível o que a gente acha que não sabe, mas, vendo o filme, dá para entender. (Vejo uns filmes tchecos e entendo algumas palavras e frases - em se tratando de TCHECO, fico feliz! haha)

Beijos!

Andrea Azevedo disse...

Olá...
Um comentário meio tardio para um post de janeiro, mas encontrei seu blog por acaso (procurava uma crítica sobre um livro da Doris Lessing e gosto de procurar em blogs porque me parece mais confiável e acalentador) e fui lendo para lhe conhecer e cheguei nesse post tão simples, mas revelador. Gostei muito de como você escreve, mas foi sua relação com os livros, cinema e trabalho que me trouxeram a necessidade de escrever esse comentário. Amo literatura, gosto de cinema e tenho uma necessidade grande de me sentir realizada no trabalho. Necessidade de fazer algo que eu considere de valor, que faça com que me sinta reconhecida e feliz com o que realizo. Embora eu não saiba quais as situações, mas sinto-me também próxima desse sentimento nostálgico de ter perdido tanto tempo "se encontrando" e de não saber ainda se o "encontro" aconteceu, mas mesmo assim ter metas, planos e sonhos... Enfim, divago. Só quero dizer que gostei mesmo do blog. Continuarei a vir ler suas resenhas e afins...

aline naomi disse...

Oi, Andrea! Obrigada pelo comentário!!

Pelo visto não sou só eu que preciso me sentir realizada profissionalmente =). Não sei se estamos certas, mas, no fim, acho que tudo dá sempre certo se a gente faz o que gosta.