Pages

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Reflexões aleatórias sobre livros

[Post manuscrito originalmente em 19 de fevereiro de 2012, na rede.]

Recentemente li um livro de literatura japonesa chamado Um grito de amor do centro do mundo, do Kyoichi Katayama. É um romance adolescente, com os toques piegas que uma obra como essa exige. A garota que o narrador-personagem ama morre (não estou "espoilando" [estragando partes-surpresa/o final da história; vem de "spoiler", em inglês], essa informação é dada nas primeiras páginas) e o livro é sobre isso, morte, dor, lembranças. A quarta capa traz a informação de que foram vendidos 3,5 milhões de exemplares dele no Japão - isso é muito. Tiragens médias, no Brasil, giram em torno de 2 ou 3 mil exemplares. A não ser quando se trata de aguardados best-sellers, as editoras não costumam imprimir, sei lá, 50 mil cópias de um livro X que elas nem sabem se as pessoas vão querer comprar. (Mas não é exatamente sobre isso que quero falar.)

Esse romance japonês me fez pensar que talvez exista um padrão implícito que impele as pessoas de uma certa cultura a consumirem determinados tipos de livros (ou produtos em geral). No caso dos japoneses, parece haver uma tendência de consumo de histórias tristes, com morte ou envolvendo memórias de guerra, sad end ou um final sem muitas perspectivas de felicidade eterna. No Brasil, parece ser o contrário, as pessoas tendem a gostar de happy end - por isso romances água com açúcar (em livros e filmes) costumam fazer tanto sucesso.
São só suposições, na verdade.

Fiquei pensando se um estudo de consumo aprofundado poderia apontar, com certeza, quais originais virariam best-sellers. Hoje em dia, tenho a impressão de que é tudo uma aposta, uma questão de sorte, quais livros vão estourar em vendas (alguns os críticos adoram, mas... não vendem). Ah, claro, às vezes a publicidade também ajuda a fazer milagres. Ainda acho mágico como as editoras fizeram o mundo inteiro acreditar que Harry Potter e Crepúsculo eram livros absolutamente incríveis e indispensáveis. COMO é que se faz crianças e adolescentes (e até adultos!) comprarem essas coisas e fazer com que virem febre? Nunca subestimo o poder da publicidade. Nunca subestimem o poder da publicidade!

Depois que comecei a trabalhar com livros, também passei a olhar a página de créditos dos livros que leio e vira e mexe leio nomes conhecidos de tradutores, preparadores, revisores, designers gráficos. "É um mundo realmente pequeno", penso.

Outra coisa que olho é o acabamento do livro. Depois de alguns dias, o "plástico" da capa de Um grito... começou a sair (!). Olhei no cólofon (na última página do livro, a parte inferior, onde geralmente tem as informações sobre fonte(s) do livro e gráfica) para saber em que gráfica o livro foi impresso. A saber: o plástico da capa não é para sair fácil! Já aconteceu isso uma vez com uma das gráficas que imprime os livros da editora onde trabalho e a capa foi reimpressa (porque a tal gráfica tem um padrão de qualidade e levam isso a sério). A entrega dos livros atrasou um ou dois dias, mas pelo menos a capa ficou perfeita. Enquanto a gráfica X, que imprimiu Um grito..., imprimiu também uma péssima impressão na minha memória. Eu não contrataria os serviços dela por falta de confiança. "Se o trabalho ficar mal-feito, eles nem vão se preocupar em refazer, não estão nem aí de os livros e o nome da editora circularem por aí de qualquer jeito", pensaria.

Outra coisa é a lombada. Já perceberam que às vezes ela é do contrário? Quer dizer, colocando o livro com a capa para cima, título e autor ficam de cabeça para baixo. São dessa forma, porque, na prateleira da livraria, estando na vertical, é mais fácil de ler. (Mas eu prefiro a lombada com o escrito sem ser de cabeça para baixo quando o livro está com a capa para cima.)

Nenhum comentário: