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domingo, 15 de abril de 2012

Daytripper - Fábio Moon & Gabriel Bá

Comecei a ler HQs há pouco tempo, há uns dois anos, porque já tinha tentado ler HQs de super-heróis e não deu certo. Não consigo ler histórias de super-heróis. Mas depois de ler Persépolis, da iraniana Marjane Satrapi, tudo mudou. Descobri que existem vários tipos de HQ e que gosto desse tipo de arte - mas não de todas as vertentes. Depois fui lendo outras coisas, adoro o trabalho do argentino Liniers (Macanudos), do canadense Guy Deslile (Crônicas Birmanesas, Shenzhen), do francês Frédéric Boilet (O espinafre de Yukiko, Garotas de Tóquio), do maltês Joe Sacco (Palestina, Gorazde), do sueco Art Spiegelman (Maus), e quero ler o americano Will Eisner e tudo mais que me cair nas mãos.

Há algum tempo o Sergio me emprestou Daytripper, dos gêmeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá (para ver o blog em inglês, clique aqui), e disse que eu ia gostar. Eu já tinha interesse e queria ler, então foi um empréstimo vindo em ótima hora. É uma das melhores HQs que já li. A história é envolvente e os traços e cores dos desenhos, lindos.

Daytripper foi lançada primeiro nos Estados Unidos e foi a mais vendida em março do ano passado da lista do New York Times. A história é sobre Brás de Oliva Domingos, que escreve obituários em um jornal em São Paulo, enquanto sonha em ser escritor. A história da vida e da morte de Brás é contada várias vezes, de diferentes formas - qual será a verdadeira? Tudo sonho? Pesadelo?

Os quadrinhos que aparecem no início da HQ me lembraram o "documentário experimental" Nós que aqui estamos por vós esperamos, do Marcelo Masagão, que mostra alguns possíveis momentos de pessoas anônimas que já morreram. O nome do documentário é uma inscrição que aparece na entrada de um cemitério em Paraibuna, no interior de São Paulo (lá perto de São José dos Campos!). Os quadrinhos com a vida e morte de anônimos servem de mote para apresentar o protagonista, que pensa "As pessoas morrem todos os dias".

A maior parte da história se passa em São Paulo, com passagens por Salvador e Rio de Janeiro.

Alguns lugares de São Paulo que aparecem na obra:

Edifício Copan (em "S"), no centro

O Edifício Copan foi projetado pelo Oscar Niemeyer. Ao lado o Edifício Ipiranga (dá para ver melhor na capa da HQ), anteriormente chamado Edifício Hilton, onde ficava o hotel de mesmo nome. (Foto tirada da internet, perdi o link, se você for o autor, deixe um recado para eu colocar o crédito.)



Theatro Municipal (fonte)


Hospital Santa Catarina, na Av. Paulista


Foto do hospital tirada a partir do Itaú Cultural


O prédio que aparece ao fundo é o Itaú Cultural, visto do Hospital Santa Catarina


Prédio completo do Itaú Cultural (fonte)




Obelisco em frente ao Parque Ibirapuera (fonte)


Região do centro de São Paulo


Região do centro, vista do prédio do Banespão (tirei essa foto em 2010)

No capítulo seis o trágico acidente aéreo da TAM no aeroporto de Congonhas, ocorrido em 2007, é lembrado. Brás escreve muitos obituários (187 pessoas a bordo do avião morreram) e se angustia ao pensar no amigo Jorge, que voltaria de viagem no dia do acidente e não atende o celular.



Típico trânsito em dia de chuva em São Paulo


"Meu nome é Brás de Oliva Domingos, e eu sou um sonhador."

Recomendo demais, até (e principalmente) para quem diz que não gosta de HQs - depois de Daytripper você vai mudar de ideia!

Encontrei esse vídeo dos gêmeos falando sobre sua obra no programa Entrelinhas, da TV Cultura, em setembro do ano passado:



7 comentários:

Lúcia H. disse...

Adoro desenhos e tenho inveja dos que são tão capazes nessa área (HQ, ilustrações, outros). Qdo eu tinha uns 13 anos, havia uma coleguinha de classe (japonesa mesmo), Midori Dairokuno, fazia uns desenhos lindinhos (tipo as menininhas de mangá). Claro que eu "grudava nela" e pedia para fazer desenhos. Ela me deu muitos, em folhas de caderno comum mesmo. Queria tanto saber por onde anda essa pessoa. Se continuou desenhando... Há pessoas que nunca esqueço e ela é uma.

Walker de Barros Dantas disse...

adorei o seu post. sao paulo by me foi otima.

aline naomi disse...

Tia,
tentei encontrar alguma pista da Midori no Google, mas não encontrei. Tem gente que prefere se manter longe de qualquer tipo de exposição na internet, então fica mesmo difícil encontrar!

***
Obrigada pela visita, Walker! :)

Garibalda disse...



Garibalda disse...

Oi, também estou a procura da Midori e de outros ex colegas do colegio culto a ciencia. Cheguei aqui pelo google, e desconfio que seja a Lucia Helena Monteiro sua tia. Se for, me passa o email dela, minha colega da turma de 1973 do Colégio Culto a Ciencia. Este ano nos estamos comemorando 40 anos de formados.
Durante a grande festa dos 140 anos do colegio, recolhemos os emails de quem estava lá e estamos pensando em nos reunir para um almoço em outubro.
meu email: garibalda@gmail.com
Obrigada, beijos
Heloisa Cavaleri

aline naomi disse...

Olá, Heloisa,
minha tia se chama Lúcia Harumi. Tenho certeza de que não é a Lucia que você está procurando.
Abraços,
Aline

Garibalda disse...

Obrigada Aline. Ë que também fui colega da Midori Dairokuno, e adorava os desenhos dela. Imaginei que a Lucia também fosse minha colega de colegial, mas deve ter sido em outra escola. compartilho o mesmo sentimento em relação a Midori. Beijos