Pages

sábado, 7 de abril de 2012

Quando no fim do túnel não há luz






Tirei essas fotos em agosto do ano passado. É um prédio que acho lindo e fica na Alameda Rio Negro, uma das principais de Alphaville. Fica a uns 5 minutos do prédio onde funciona a editora. Passo por ele todos os dias, de ônibus, ao chegar e ao ir embora e, às vezes, quando preciso fazer algo ali perto (tem lojas, bancos, fica em frente ao Centro Comercial).

Agora não consigo mais olhar para ele sem lembrar da história da mulher que se jogou de lá na semana passada. Tem uma pequena matéria sobre isso aqui. Não fosse um dos recepcionistas do prédio comentar, eu nunca ia saber. Aí fiquei um pouco perturbada ao longo da semana. Colocaram um vídeo do momento em que ela se jogou no YouTube (sim, eu vi - devo ter meu lado mórbido também), mas não foi exatamente isso que me perturbou. Juntei informações que li no jornal e um filminho com detalhes que mudavam aqui ou ali ficava passando pela minha cabeça: ela escrevendo cartas para o ex-marido e filhos, com uma letra trêmula, e deixando na mesa do restaurante do hotel, depois subindo, se trancando, ligando em surto para o ex e para os filhos, se entupindo de remédio tarja preta, subindo para o "terraço" só de camiseta e calcinha e pulando de lá. E depois o som do corpo contra o solo.

[Será que na hora em que ela estava caindo a sensação era de que ela estava num pesadelo? Ou só pensou: "Estou cansada, quero ir embora"? As pessoas têm o direito de ir embora quando querem? Acho que sim, né?]

E a história dela terminou assim. Como a nossa também terminará um dia, de um jeito ou de outro. E acho que foi isso que mais me perturbou. Vejo a morte alheia e lembro que também vou morrer, um dia. E veio uma sensação de urgência, de que preciso fazer esse intervalo entre o nascimento e a morte valer a pena. Tentar deixar todas as mesquinharias que às vezes tomam conta do dia a dia de lado e focar no que importa. Deixar de me irritar quando começam a fumar perto de mim, quando ficam ao celular nos transportes públicos, perdoar erros alheios e os meus próprios, eliminar da minha vida tudo que não têm importância, deixar de me deprimir quando ouço ou leio fofocas e indiretas de pessoas sobre/para outras pessoas (não entendo por que as pessoas fazem isso, sinto um mal-estar), não discutir por bobagens, deixar que as pessoas tenham razão quando elas querem ter razão, mesmo que eu não concorde. Fiquei pensando sobre essas mesquinharias humanas e seria realmente triste ser feita em boa parte disso. Não quero. Quero sentir satisfação quando eu for embora. Quero viver. E não quero ter depressão (como se isso fosse uma escolha).

Desculpem, eu precisava exorcizar isso.

2 comentários:

Lúcia H. disse...

Acabei de ver o filme (hoje) "Um novo despertar" Mel Gibson e Jodie Foster. Fala de um cara com extrema depressão. Pensa em suicídio. O pai, não é dito, mas sugerido que suicidou-se. O filho anota 51 semelhanças com o pai. Odeia isso. Depois de alguns acontecimentos começa a ficar depressivo tbém. Fiquei pensando se em alguns casos existe a questão genética. De qquer forma é um filme que valeu assistir (eu que adoro filmes de ação!Adoro Mel Gibson dando porradas, mas ele é ótimo em dramas tbém).
Mas realidade é triste. E há mais casos do que a gente imagina.

aline naomi disse...

Quero ver esse filme, tia!
Pelo (pouquíssimo) que li a respeito de depressão, parece que tem a ver com genética sim, mas dependendo de "n" fatores a depressão pode se desenvolver ou não. Se a pessoa já tem uma predisposição genética e passa por problemas muito graves, ela tem grandes chances de ficar depressiva, ACHO.