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domingo, 8 de julho de 2012

Bakuman - Tsugumi Ohba e Takeshi Obata


Esse mangá também foi o Sergio que me emprestou. Ele já tinha me falado várias vezes dele, mas eu só queria ler depois que a série tivesse terminado, quando eu pegaria todos os volumes emprestados para ler de uma vez, porque saberia que a história teria começo, meio e fim. O que me irrita nos mangás é que são serializados e a publicação pode ser interrompida a qualquer momento se não forem vendidos de acordo com a expectativa da editora. Aí tem que ficar caçando o restante na internet (se tiver a sorte de a publicação não ter sido interrompida no Japão também) em alguma língua que dê pra ler. Não tenho paciência.

Mas, voltando a este mangá, comecei a ler e achei interessante. Pedi para o Sergio me emprestar todos os outros volumes que ele tem (ele disse que tem até o 10 - por enquanto, li até o 4).

Vários argumentos no enredo são bobinhos, mas o que está prendendo a minha atenção são os bastidores de uma editora de mangás (a Shueisha, que realmente existe: http://www.shueisha.co.jp/english/, e que publicou esse mangá originalmente no Japão) - como funciona a hierarquia editorial e de que forma os profissionais envolvidos lidam com a seleção e comercialização do produto mangá, além da relação mangakás-editores. É bem interessante. Tem também algumas partes profundas, em que os protagonistas, apesar de muito jovens (no início da série, eles têm 14 anos), refletem sobre a vida e o futuro que desejam para si - diferente do que a maioria dos japoneses "razoáveis" esperam, ou seja, estudar bastante, entrar em bons colégios, ter um ótimo desempenho e entrar nas melhores faculdades e, depois, nas melhores empresas, para ter dinheiro e status (no mundo inteiro isso deve ser igual, mas no Japão parece ser um traço cultural muito forte e é esse o tipo de sucesso que os pais esperam dos filhos - do contrário, se eles frequentam colégios e universidades ruins, acho que a probabilidade de alcançar esse ideal de "sucesso" fica cada vez mais distante). Achei uma passagem surpreendente, quando um dos personagens pensa ou diz algo do tipo: "Se você não faz algo que tenha valor comercial, então não vale nada" - eu demorei bem mais para perceber isso. Aos 14 anos, eu não tinha noção de que se você não tem muito dinheiro e/ou se não produz algo que dê muito dinheiro, então não tem valor para a maior parte da sociedade.

Bakuman é a história de dois meninos, Moritaka Mashiro e Akito Takagi, que sonham em virar mangakás (criadores de mangás). Takagi é roteirista e convida Mashiro para formar dupla com ele, já que o segundo desenha muito bem. Em princípio, Mashiro hesita, pois um tio seu morreu de tanto trabalhar como mangaká e ele não queria mais pensar nesse assunto. Takagi insiste tanto que ele acaba aceitando. O que mais motiva Mashiro a se tornar um mangaká de sucesso é a promessa que a garota de quem ele gosta, Miho Azuki, fez: quando os dois realizarem seus sonhos, eles podem se casar. O sonho de Azuki é se tornar dubladora e dublar a heroína do anime feito a partir do mangá que a dupla pretende escrever  - e esse mangá precisa fazer muito sucesso para virar anime! Essa é a "desculpa" que o roteirista do Bakuman, Tsugumi Ohba, usa para mostrar como funciona a "indústria" de mangás - ou pelo menos a minha impressão é essa. A arte é assinada por Takeshi Obata.

Eu sei que talvez seja preconceito meu, mas não me animo a ler a maioria dos mangás, porque, pelo menos para mim, é bem claro que o mangá é muito mais um produto comercial do que cultural. Não importa se o roteiro é coerente, se mostra algo novo e interessante aos leitores, pode ser a coisa mais imbecil do mundo, mas, se as pessoas gostam e compram, se torna algo de grande valor. Em Bakuman, a expectativa de vendas é medido por uma enquete feita pela editora: só os mangás aprovados pelo público têm chances de continuar sendo publicados. Como a publicação é muito regulada pelo gosto (duvidoso) do público, então a criatividade e a genialidade dos mangakás não podem se manifestar livremente, estando sempre condicionadas às limitações e vontades do público-alvo. Não é triste isso?

De qualquer forma, esse mangá está sendo bastante interessante do ponto de vista profissional. Dá para ter uma ideia de todo o processo de produção de um mangá, contratação de mangakás, como se desenvolve a carreira de um mangaká e de um editor de mangás, de que forma roteirista, ilustrador e editor trabalham juntos, a rivalidade entre os profissionais da área. E, apesar de o mote principal do roteiro não ser muito plausível (com 14 anos, quem pensa em prometer se casar com outra pessoa quando seus sonhos se realizarem?), o restante me interessa.

Um comentário:

Lúcia H. disse...

No "meu tempo", quando tinha 13~18 anos, adorava ler quadrinhos e fotonovelas. Lia até ficar tonta de tanto ler. Era Capricho, Grande Hotel, Jacques Douglas, Luck Martin (fotonovelas), Pato Donald, Mickey, Riquinho, Bolota, Gato Félix, Cavaleiro Negro, Fantasma, Mandrake, Tarzan, Varinha Mágica. Eram de todos os tipos: adultos, infantis, de moleques. Quando seu tio Oti ficou de repouso (muitas semanas)por causa de hepatite, não tinha o que fazer, acabou lendo as minhas fotonovelas: "Que graça tem, são todas iguais?!"