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domingo, 22 de julho de 2012

De amigos, persistência e magia

Daqui a pouco vou sair para almoçar na casa do Sergio, um amigo que conheci nas aulas de tcheco, mas antes queria atualizar o blog. Além de mim, vai a Dani. E talvez a Jade, que acabou de falar que está com o pescoço travado e vai para a acupuntura. Tem também a Drielle, mas ela avisou que não vai poder ir. Amigos do curso de tcheco. De outra forma, não sei como nos conheceríamos.

***

Na sexta, depois do trabalho, fui comer pizza com o Tene e a Mila, que eu não via há meses. O Tene principalmente. Foi bem legal, adoro os dois. O engraçado é que eles têm dez anos a menos que eu, mas as nossas ideias batem. São bem maduros e responsáveis pela idade que têm. Admiro muito a Mila, que saiu de São José para vir estudar e trabalhar em São Paulo - se ficasse em São José, não sei se teria tantas chances de se aprimorar profissional, cultural e pessoalmente. Foi ela que organizou nossa viagem para o Rio há uns dois anos - com 20 anos, eu nunca conseguiria (ver passagens aéreas mais baratas, pesquisar hotéis, pesquisar linhas de ônibus e metrô e saber em que pontos passam tais ônibus que vão para tais lugares onde a gente queria chegar) - e, depois de um tempo, ela organizou uma viagem com a mãe dela para lá também, sendo que o mais impressionante é que foi ela quem presenteou a mãe e não o contrário. 

***

Na semana passada, ajeitei o currículo e enviei para várias editoras, porque quero voltar a trabalhar como tradutora e revisora free-lance. Para evitar tirar dinheiro da poupança para pagar o MBA e porque não quero pedir dinheiro para o meu pai (fiz os cálculos e, pagando todas as contas do mês, vai sobrar um valor mínimo para eu comprar comida e pagar lazeres vitais, ou seja, minhas sessões de cinema). Tenho pavor de me transformar naquele tipo de filho que suga os pais até não poder mais. Meus pais me sustentaram até os 22 anos, já é mais do que o suficiente. Sinceramente, o que eu mais queria é que meus pais aproveitassem a vida agora. Queria ganhar um excelente salário, comprar passagens para lugares paradisíacos e mandá-los para lá, assim, sem mais nem menos; imagino a sensação de chegar na casa deles, dar as passagens e falar: "Vocês embarcam para Bonito na semana que vem, bom passeio! Já está tudo pago". Ou ter dinheiro para falar para o meu pai investir em alguma coisa (assim como meu tio investiu em fabricação e comercialização de adubos para plantas um pouco antes de se aposentar - negócio que parece ter prosperado e com que ele trabalha até hoje), para ele não ficar o dia inteiro em casa sem fazer nada (nada que envolva compromisso profissional). 

Apesar de ter consciência de que os próximos dois anos serão meio difíceis do ponto de vista financeiro, não consigo me chatear ou ficar achando que as coisas poderiam ser melhores. Sou eternamente grata pelo aumento que o sr. B. me deu, porque, se não fosse isso, o MBA seria impossível. Na verdade, estou satisfeita com essa sensação que a necessidade me trouxe e que está me fazendo correr atrás das coisas. Tenho a impressão de que o quanto mais a gente corre atrás do que quer e se esforça, mais as coisas vêm em nossa direção. Se eu estivesse morando com meus pais, minha vida seria muito mais fácil e eu não precisaria me esforçar tanto, mas, também, os resultados esperados demorariam muito mais para chegar (ou talvez nunca chegariam). O bom: já consegui retorno de algumas editoras, que me enviaram testes. Nada é certo, talvez eu nem consiga trabalhar para essas editoras, mas já dá um ânimo saber que meu currículo não é ruim e que as pessoas estão interessadas nele (assim como estou interessada em melhorá-lo para oferecer um trabalho cada vez melhor).

O poema abaixo é conhecido e me lembrei dele hoje. Um amigo baiano imprimiu e me mandou por carta faz tempo. Parece autoajuda, mas é Goethe! :) E mesmo se tivesse sido escrito por algum autor de autoajuda, eu ia gostar.

"Antes do compromisso há a hesitação, a oportunidade de recriar uma ineficácia permanente. Em todo ato de iniciativa (e de criação) há uma verdade elementar cujo desconhecimento destrói muitas ideias e planos esplêndidos.
No momento em que nos comprometemos de fato, a providência também age. Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar, coisas que de outro modo nunca ocorreriam.
Toda uma cadeia de eventos emana da decisão, fazendo vir em nosso favor todo tipo de encontros, de incidentes e de apoio material, que ninguém poderia sonhar que surgiriam em seu caminho.
Comece tudo o que você possa fazer ou que sonhe poder fazer. 
A ousadia traz em si o gênio, o poder e a magia."

Goethe

***

Observação incluída em 24/07/2012:

Risquei as referências a Goethe do post, porque o poema não é dele! Obrigada Anônimo por deixar o comentário que reproduzo abaixo:

Anônimo Anônimo disse...
Talvez não seja por acaso que associar Goethe com autoajuda soe estranho, pois no final das contas essa citação não é exatamente dele.
se tentar achar o original em alemão não vai conseguir, o que se encontra é uma retradução para o alemão de um texto em inglês!

o que se afirma é que esse texto, na verdade, é parte de uma citação
de um expedicionista australiano, que por sua vez, afirma que as duas últimas frases seriam do Goethe, mas de fato, são baseadas numa tradução da peça Fausto feita pelo irlandês John Anster (1793–1867). A tradução, contudo, não é muito fidedigna, parece ser uma vaga inspiração a partir desses versos do original da primeira parte de Fausto:

"Was heute nicht geschieht, ist morgen nicht getan,
Und keinen Tag soll man verpassen,
Das Mögliche soll der Entschluß
Beherzt sogleich beim Schopfe fassen,
Er will es dann nicht fahren lassen
Und wirket weiter, weil er muß"

Fausto I (225-230)


Este trecho sim tem um sentido mais profundo... e não parece autoajuda, afinal de contas Fausto é uma das obras mais importantes da literatura alemã...

Mas, enfim, aparecem tradutores desorientados de todo lado, e surgem citações que, mesmo com belos significados, desvirtuam o sentido original dos textos em
que foram inspiradas.

Enfim...não estou criticando os tradutores... apenas dizendo que algumas traduções são feitas de forma "muito livre" e os leitores não se interessam em dar uma comparada com o original.

Desculpe pelo comentário-gigante...
para maiores informações veja essa página do "The Goethe Society of North America":
http://www.goethesociety.org/pages/quotescom.html

3 comentários:

Lúcia H. disse...

Fico super feliz de saber que vc sabe fazer (e manter) bons amigos.
Vc e Alan sempre foram aquelas "pessoinhas" simpáticas e sinceras que cativam outras com um sorriso gostoso. Acho que Dri também é assim (com aquele sorriso mais encabulado dela). Tá falando a corujice. Rss. Sou mesmo feliz, enquanto tia.
Quando penso que gostaria de ter grana é muito no sentido de como poderia ajudar mais meus sobrinhos. Nessa parte vc não teve sorte, pois tem aqui uma tia pobre. Se eu ganhar na Mega... prometo, será diferente. Rss.
Sobre o poema: é verdade. Fiz dois eventos que me deram "frio na barriga". Sempre ajudei a fazer os eventos da Nikkey, mas estar à frente de um... Ai, que medo. Dai a gente faz porque a necessidade obriga. E... no fim dá tudo certo, pois se faz com seriedade (honestidade). E, contando com os amigos. Eles confiam em vc e te apoiam... aí, não tem como dar errado. Principalmente no 1º evento que fiz, pude sentir quantos amigos maravilhosos tenho. No 2º, fiz em parceria e feliz porque a parceira foi super correta e fizemos tudo de comum acordo em cada detalhe. Amigo é isso: a gente os apoia qdo precisam e a gente (humildemente) aceita o apoio deles qdo precisa. Na amizade, há uma troca muito grande. Em uma sessão de terapia, o Dr me disse: "ficamos aqui juntos por 50 minutos, e depois desse tempo, mudamos: não sou o mesmo e nem vc a mesma de antes de transcorrido esse tempo". Faz mais de 10 anos isso e nunca esqueci. Então, quão rico pode ser 15,30,60 minutos com um bom amigo, com familiares, com pessoas inteligentes (e até com pessoas desagradáveis, pois com esses a gente aprende como não agir), não é? Bjs,

Anônimo disse...

Talvez não seja por acaso que associar Goethe com autoajuda soe estranho, pois no final das contas essa citação não é exatamente dele.
se tentar achar o original em alemão não vai conseguir, o que se encontra é uma retradução para o alemão de um texto em inglês!

o que se afirma é que esse texto, na verdade, é parte de uma citação
de um expedicionista australiano, que por sua vez, afirma que as duas últimas frases seriam do Goethe, mas de fato, são baseadas numa tradução da peça Fausto feita pelo irlandês John Anster (1793–1867). A tradução, contudo, não é muito fidedigna, parece ser uma vaga inspiração a partir desses versos do original da primeira parte de Fausto:

"Was heute nicht geschieht, ist morgen nicht getan,
Und keinen Tag soll man verpassen,
Das Mögliche soll der Entschluß
Beherzt sogleich beim Schopfe fassen,
Er will es dann nicht fahren lassen
Und wirket weiter, weil er muß"

Fausto I (225-230)


Este trecho sim tem um sentido mais profundo... e não parece autoajuda, afinal de contas Fausto é uma das obras mais importantes da literatura alemã...

Mas, enfim, aparecem tradutores desorientados de todo lado, e surgem citações que, mesmo com belos significados, desvirtuam o sentido original dos textos em
que foram inspiradas.

Enfim...não estou criticando os tradutores... apenas dizendo que algumas traduções são feitas de forma "muito livre" e os leitores não se interessam em dar uma comparada com o original.

Desculpe pelo comentário-gigante...
para maiores informações veja essa página do "The Goethe Society of North America":
http://www.goethesociety.org/pages/quotescom.html

aline naomi disse...

Tia,
amo meus amigos porque eles sempre me acrescentam muito. (E espero que eu também acrescente algo a eles! :)
Hahaha... ah, tia, se você fosse milionária, eu ia pedir para você me ajudar a pagar o MBA! haha Mas não estou preocupada, sei que vou conseguir me virar... só que também joguei na Mega, uma ajudinha do destino nunca é demais!
Lendo o que você escreveu, concluo que a necessidade é mesmo madrinha da criatividade e do esforço. E que bom que seja assim.
Beijos!

***

Anônimo,

obrigada pela contribuição!! Vou colocar uma nota no post.