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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cores do último sábado

Sinto que as coisas têm acontecido rápido demais e não tenho tido tempo de compartilhar e nem de absorver tudo que estou vivendo. Tudo a mil por hora. Como eu gosto. Pelo menos na maioria das vezes.

Sábado de manhã, tive a "aula inaugural" do curso de MBA na FGV (para quem não sabe, estou fazendo este curso). A aula aconteceu na unidade 9 de Julho, que fica perto do MASP, e não na unidade onde estou estudando, na Paulista (as aulas começaram segunda-feira, anteontem, farei um post à parte), e me surpreendi com a forma com que o coordenador apresentou e falou da história da FGV, do curso e de assuntos relacionados à gestão. Gostei demais do que vi e ouvi. A FGV me pareceu uma escola séria. 

Eu estava ansiosa, mas sem expectativas muito altas. O processo seletivo me fez sentir um pouco - como dizer? - idiotizada. Imagino que funcionários e professores de universidades particulares não idiotizam as pessoas de propósito, na verdade, acham que valorizam a instituição ao falar coisas do tipo: "vocês estão em uma ótima universidade" ou "esse é um dos melhores cursos do país, todo mundo quer estudar aqui", só que em mim tem o efeito contrário. Eu SEI que é tudo mentira, porque, se as pessoas pudessem mesmo escolher, óbvio que escolheriam estudar em uma boa universidade pública. Na maioria das particulares, professores fingem que ensinam, alunos fingem que aprendem e, pagando a mensalidade, "tá tudo bem, tá tudo ótimo", como diria uma personagem do Terça Insana. Deveriam proibir funcionários e professores de universidades particulares de falar: "essa é uma das melhores universidades do país e todo mundo quer estudar aqui". Se a escola for mesmo boa, o aluno vai saber por si mesmo. 

 Av. Paulista, na calçada oposta ao MASP

Av. Paulista. Perto dessas bandeiras tem a entrada da FGV-Paulista.

Bom, depois da aula inaugural, que foi das 9h até mais ou menos meio-dia, andei pela Paulista e almocei no Latife, um restaurante árabe por quilo no shopping Center 3. Sempre que eu vou lá, lembro da Cris Maruyama, porque foi ela que me apresentou esse restaurante. Ótima dica.

Depois fui para a aula de tcheco. Agora a sede da Unitcheco se mudou para perto do aeroporto de Congonhas, uma viagem. Um dia alguém observou que a sede sempre ficava em bairros ricos, meio desertos e longe das estações de metrô e é verdade. A minha explicação é que isso faz parte do teste para saber o quanto você realmente está a fim de estudar tcheco e disposto a pegar X conduções ou dirigir X quilômetros para chegar lá. A primeira aula que tivemos nessa nova sede foi no dia 04/08 e, na parte da manhã, um pesquisador da imigração tcheca no Brasil (sim, isso existe) foi dar uma palestra para os interessados - ele falou em tcheco e a professora traduziu para o português. Os tchecos também começaram a vir para o Brasil há séculos devido a crises econômicas ocorridas em algumas regiões da República Tcheca/Tchecoslováquia. 

À noite, fui para o clube Hebraica com o Sergio para assistirmos a dois filmes do Festival de Cinema Judaico. Nunca tinha ido a esse clube e dificilmente voltarei, porque fica em uma área meio deserta (típico de áreas nobres da cidade) e longe das estações de trem. Uma coisa curiosa no Hebraica é que as pessoas que trabalham nas portarias ficam protegidas por um vidro que parece a prova de balas e, para entrar no clube, temos que passar por um detector de metais iguais aos de aeroportos e depois por uma porta giratória (que também parece a prova de balas e tem detector de metais (sim, outro!)), além de o segurança dar uma olhada no conteúdo da mochila para ver se não estamos entrando com algum tipo de arma, uma metralhadora, talvez. É um clube da elite judaica, então imagino que os associados têm medo tanto de assaltantes quanto de ataques antissemitas.

Primeiro, eu e o Sergio vimos o filme "Crianças Prodígio" (este), sobre um menino e uma menina judeus e uma menina alemã, que apaixonados por música e vivenciam o horror da Segunda Guerra. O filme é bom, mas me deixou down. Depois chegaram a Klára, a nossa professora de tcheco, e mais alguns colegas, para ver "Lídice" (este), que é uma coprodução tcheca. Foi bem legal porque, antes da sessão, a vice-cônsul da República Tcheca fez um pequeno discurso em português, com sotaque de Portugal, sobre a importância da colaboração entre países e organizações para divulgar a arte e a cultura. "Lídice" [se pronuncia "Liditse"] foi uma cidade tcheca que deixou de existir durante a Segunda Guerra - em represália ao assassinato de um oficial alemão, os nazistas mataram os homens e conduziram as mulheres e crianças de Lídice para morrer no campo de concentração. Pouquíssimas pessoas sobreviveram. Tem uma cena chocante em que os nazistas asfixiam as crianças com gás. Depois a cidade foi reconstruída e cidades e mulheres/meninas no mundo inteiro têm esse nome para que a cidade não seja esquecida; no Brasil, Lídice é um subdistrito da cidade Rio Claro, no Rio de Janeiro (para ler mais, clique aqui). Dá para assistir a esse e alguns outros filmes grátis no site do festival até dia 31/08/12 - http://sundaytv.terra.com.br/Web/Videos/128-500-0/Filmes/Festival-De-Cinema-Judaico.

Depois dos filmes, me deu vontade de comer algodão doce porque fiquei depressiva. Porque "Hoje não dá / Hoje não dá / A maldade humana não tem nome / Hoje não dá".

No domingo, consertei a minha asa quebrada e descansei.

2 comentários:

Crisão disse...

rá! :)

Lúcia H. disse...

Nossa! Houve uma época em que eu quis conhecer Lidice. Nem sabia se existia ainda com esse nome. Até 1945 chamou-se Sto Antonio do Capivary. Entre Barra Mansa e Angra dos Reis. Conforme o livro... cidade homônima a da Europa Central, destruida na última Grande Guerra. Padre Antonio Corso que me casou e batizou Alan, escreveu a Biografia de Benedito Wanderley das Neves, que nasceu em Lidice. Ele foi um seminarista que morreu aos 16 anos, aluno do Pe Antonio, no seminário de Lavrinhas. Santo menino. No livro há cartas de pessoas dizendo ter recebido milagres atraves desse menino. Comprei o livro por vários motivos: 1º porque foi escrito pelo Padre Antonio que eu admirava muito; depois pelas diversas coincidências: ele nasceu num 8 de Agosto, morreu no ano em que nasci, a 1ª edição do livro foi num 25 de Junho, exatos 10 anos antes do meu casamento. Qdo tive um problema fiz promessa para o Menino Wanderley e fui atendida. Agora, nova coincidência de vc falar sobre Lidice. Surreal. Ainda peço ajuda dele. Conto sempre com ele. Nossa Senhora e São Francisco de Assis. Sou católica "fajuta", nunca vou a missa (cheguei a confessar para Pe Antonio que não gostava de missa. Só da hora de rezar o Pai Nosso e o resto da missa rezava pra ela acabar logo. Ele não se zangou. Pensei que ia me passar um sermão), mas tenho fé. Muita fé.Confio N'Ele.