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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Kyogen - Teatro Tradicional Cômico do Japão


Mês passado fui com o Sergio ver essa apresentação de teatro Kyogen.
No ano passado (2011), esse grupo veio ao Brasil e uma fila enorme se formou do lado de fora do Teatro Gazeta. Lembro de ter acordado cedo, mas o teatro lotou antes que chegasse a minha vez (acabou a umas 15 pessoas à minha frente) e fiquei chateada. Esse ano distribuíram ingressos antes e fui buscar no dia em que a bilheteria abriu, só que à noite, depois do trabalho, e o funcionário da bilheteria disse: "Esses são os últimos ingressos". Não sei se eram literalmente os últimos ou se ainda tinha só mais alguns, de qualquer forma, me espanta a velocidade com que ingressos grátis para alguns programas culturais em São Paulo acaba.

No dia da apresentação, entramos e sentamos na última fileira do teatro (eu já sabia que seria assim porque no site do Teatro Gazeta há um mapa das poltronas). Um dos atores, Hiromi Shimada, falou um pouco com a plateia sobre esse tipo de teatro e sobre a companhia, em japonês, e a intérprete foi falando em português. 

Informações tiradas do folder que eles deram na entrada:
"O teatro Kyogen
É o teatro clássico cômico que tem origem no século XIX e mantém seu formato atual desde o século XVI. Difere do teatro Nô, que remete a bailados e musicais, tem origem no mesmo período, e são apresentados no mesmo palco.
O Kyogen, com mais de 600 anos de existência, pode ser descrito como o protótipo do teatro moderno. Sem necessitar de cenários elaborados, depende unicamente dos acessórios de mão e atuação para todos os tipos de expressões, incluindo mudança de cenário e tempo.
O Nogaku, que compreende teatro Nô e Kyogen, foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura em 2001."

Foram apresentadas duas peças, Kaminari (Deus do Trovão) e Neongyoku (Cantando deitado). Como havia falas, perdemos um pouco, pois durante a apresentação não houve interpretação para o português, mesmo assim deu para entender pelo contexto, fora que havia sinopses no folder. Algumas cenas foram engraçadas.

Mais informações do folder:
"A Cia. Shigeyama de Teatro Kyogen
Kyogen apresenta duas escolas: a Okura e a Izumi. A Família de Sengoro Shigeyama pertence à Escola Okura. O nome do líder da família, Sengoro Shigeyama, surgiu no Período Edo (1603-1868) e tem sido repassado de geração em geração, encontrando-se atualmente na décima terceira linhagem". [O itálico é meu.]

Antes da apresentação, o ator falou que era neto ou bisneto (não lembro) de atores de teatro Kyogen. Fiquei impressionada com a informação. Impressionada com o peso da tradição. E se os filhos e netos desses atores, por alguma razão, decidem seguir outros caminhos, a companhia acaba? Aliás, será que é permitido que eles sigam outros caminhos senão o do teatro?

Em geral, as pessoas que se tornam atores e atrizes precisam batalhar muito para chegar lá (a não quer que tenham pais, avós ou parentes que trabalhem na área, aí as coisas ficam um pouco menos difíceis), mas e se fosse o contrário? A pessoa não quer ser ator/atriz de jeito nenhum, mas nasce em uma família cuja vida é o teatro. Como fica? Os pais obrigam a criança a frequentar aulas de teatro desde sempre?

Agradeci mentalmente por não ter nascido em uma família de teatro tradicional no Japão. Eu certamente desapontaria os meus pais, porque ser atriz é uma das minhas últimas opções de vida.

Encontrei um post bem bacana sobre o Kyogen aqui.

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