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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Amy, minha filha - Mitch Winehouse


Hoje terminei de ler Amy, minha filha [Amy, my daughter], biografia da cantora Amy Winehouse, escrita pelo pai dela, Mitch Winehouse, traduzido por Waldéa Barcellos e publicado no Brasil pela editora Record.

No prefácio ("Antes de começarmos"), Mitch dá a entender que precisava escrever o livro, pois queria que as pessoas conhecessem a filha como ela era e talvez desfazer os boatos de que ela tinha morrido por overdose - na verdade, em uma crise de abstinência de álcool, ela bebeu mais do que devia e provavelmente teve uma convulsão, vindo a falecer.
Sou uma pessoa direta e vou dizer como foi. A vida bastante curta de Amy foi um passeio numa montanha-russa. Vou lhes contar tudo a respeito dela. (p. 9)

Mitch conta sobre a infância e adolescência de Amy, que desde criança mostrou ter uma personalidade forte e única. Não se comportava em sala de aula, porque se entediava com o ensino formal, e seus pais eram chamados com frequência para falar com os diretores das várias escolas por onde passou. Mas desde cedo gostava de cantar e estudou em algumas escolas voltadas para formação musical.

Amy em 1988. Esta é uma das várias fotos que estão no livro.

O relacionamento com o primeiro namorado, Chris Taylor, que durou nove meses, serviu de base para as canções do CD Frank. E o relacionamento conturbado com Blake inspirou Amy a escrever as canções para Back to Black. Não deve ser novidade para os fãs de Amy, mas para mim foi algo novo - não sou superfã dela, não acompanhava a carreira nem a vida dela, mas gosto muito de suas músicas e de sua voz.

Na maior parte do livro, Mitch conta como era o relacionamento dele com a filha, os problemas desencadeados pela bebida e pelas drogas, do relacionamento conturbado com Blake - ex-namorado e ex-marido que, segundo ele, teria encaminhado Amy para o mundo das drogas pesadas.

Uma coisa de que senti falta foi a presença da mãe da Amy nos relatos. Mitch quase nunca fala sobre o que a mãe dela fazia ou deixava de fazer em relação aos problemas da filha. Talvez por isso, tive a impressão de que a relação dela com o pai era muito mais forte do que com a mãe.

Apesar de se tratar de sua filha e amá-la muito, Mitch é realista e, em vários episódios, escreve que Amy estava completamente errada ao beber exageradamente em público, em continuar o relacionamento com Blake, em continuar consumindo drogas e não querer se tratar em uma clínica de reabilitação, em não honrar compromissos, em não chegar no horário para compromissos importantes etc. E ele lhe dizia com frequência que a culpa por muitas coisas ruins estarem acontecendo era culpa dela mesma. É triste de ler, porque dá para ver o sofrimento de um pai que busca desesperadamente ajuda para a filha.

Nunca entendi por que Amy era tão apaixonada por Blake. Não era como se ele tivesse trazido muita coisa positiva para sua vida, ou pelo menos assim me parecia. Apenas drogas e infelicidade. Talvez Amy tivesse querido viver novas experiências, como fazem muitas pessoas em seus 20 e poucos anos, só que ela escolheu o homem errado para viver essas experiências. Ele a levou para um caminho do qual ela não conseguiria voltar com facilidade. Esse é o único ponto que eu nunca consegui entender sobre minha filha. Gosto de pensar que conhecia Amy melhor que qualquer pessoa no mundo. Conseguia me identificar com muitos aspectos dela, porque ela sempre me lembrava de como eu era. Mas essa era a única parte que não fazia sentido para mim - nunca fez. (p. 234/235)

Nessa biografia também dá para ter uma ideia do que a mídia sensacionalista é capaz, inventando uma porção de histórias infames sobre Amy - com as quais ela e o pai davam risada por serem totalmente absurdas. O que me espanta é o fato de isso existir porque as pessoas querem que exista, elas compram esses jornais e estimulam a publicação de mais fofocas, o que prova que a vida de muitas pessoas no mundo é realmente CHATA. Get a life, né?

Em 2009, com muito esforço e várias recaídas, Amy conseguiu superar o problema das drogas, Blake e ela se separaram em definitivo, mas a bebida passou a ser outro grande problema. O pai contratou seguranças para vigiá-la o tempo todo em sua própria casa, para evitar que ela bebesse (no tempo das drogas essa medida foi tomada para evitar a aproximação de traficantes) e, também, para o caso de acontecer algo com ela (se ela bebesse, corria o risco de ter convulsões). O mais engraçado é que, aparentemente, todo o problema com bebida começou quando Amy começou a se apresentar em público - como ela ficava nervosa, tomava uns drinques antes da maioria das apresentações. Não sei o quanto disso é verdade, mas é engraçado como nós, o público, temos a impressão de que é muito fácil para todos os artistas se apresentarem ao vivo, que conseguem fazer isso com naturalidade; agora sei que nem sempre é assim.

Nos últimos tempos, ela tinha conhecido um diretor de cinema, Reg Traviss, um cara bacana, de quem sua família gostava muito e com quem fazia planos de se casar e ter filhos, mas, infelizmente, não pôde concretizá-los.

Gostei de conhecer a Amy por outro ângulo, pois, apesar de não acompanhar sua vida, me lembrava apenas de a mídia evidenciar seus vexames, massacrá-la e taxá-la como "drogada incorrigível". Quando não se está na pele das pessoas, é fácil julgar.

Amy morreu em 23 de julho de 2011, em sua casa em Camdem Square (veja fotos aqui). Depois de sua morte, foi lançado o CD Lioness: Hidden Treasures, com gravações que Amy tinha feito. A faixa 7 é "Girl from Ipanema".

Terminei de ler a biografia e fiquei com uma sensação de saudade. Uma pena Amy ter morrido tão jovem. Mas, de bom, seu pai fundou a Amy Winehouse Foundation, instituição que "ajuda crianças e jovens adultos que enfrentam dificuldade e adversidade na vida". Inclusive os direitos autorais do livro são doados para essa instituição.

Amy era uma grande garota, com um coração imenso. Por favor, lembrem-se dela com carinho.
Mitch Winehouse


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