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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Máquina de livros

quina de livros na estação Brigadeiro

Há algum tempo surgiram essas máquinas de livros em algumas estações de metrô em São Paulo. Normalmente as estações só têm máquinas de bebidas e/ou guloseimas e achei interessante oferecerem livros também. Na maioria das vezes, os livros oferecidos são muito ruins - provavelmente encalhes que ficam ocupando espaço no depósito das editoras -, mas nessa semana me surpreendi ao ver dois títulos da Marguerite Yourcenar - Conto azul e outros contos e Arquivos do Norte - e comprei os dois. Como o esquema é exatamente o que se lê na parte superior da máquina, "Pague quanto acha que vale", paguei R$ 2 por cada livro. Não que eu ache que o livro valha isso, mas eram os trocados que eu tinha na carteira

Recorte de livros à venda dentro da máquina


Primeiro, coloca-se uma nota na máquina e, depois, é só digitar o número do livro que você quer (o número fica na parte de baixo do livro), o livro cai e é só retirar. Há até uma indicação na parte inferior: "Retire o livro da gaveta". Dá até uma emoção quando o livro cai [faz um barulho, claro], e você enfia a mão ali dentro para pegá-lo - coisa de gente louca por livros...

Livros da Yourcenar comprados da máquina

A edição de Conto Azul e outros contos é de 1995 e Arquivos do Norte, de 1986, apesar disso, os livros estão novos, sem manchas nem defeitos. Eu já tinha ouvido falar ou li algo a respeito de Marguerite Yourcenar há tempos e sei que o livro mais importante (ou conhecido) dela é Memórias de Adriano, que eu ainda não li - aliás, Conto Azul... foi o primeiro livro dela que li. E li rápido porque é um livro de bolso com apenas 117 páginas.

O livro apresenta três contos: Conto Azul, meio confuso, sobre mercadores de safira de várias nacionalidades que acabam tendo destinos distintos e trágicos, exceto por um mercador grego, que, ao estar em perigo, abandona o barco com seu tesouro e um golfinho o ajuda a chegar em terra firme [eu não gostei desse]. O segundo conto, A primeira noite, foi escrito originalmente pelo pai da autora e era para ter sido o começo de um romance que ele nunca continuou e foi então reescrito por ela e acabou virando um conto; nele, um jovem casal recém-casado parte para a viagem de núpcias e o marido conclui tristemente que o que ele mais amava na esposa, uma certa "pureza", será destruído em pouco tempo e ela se tornará uma mulher comum. Enquando viaja de trem e conversa ainda sem intimidade com a esposa, ele pensa na amante que ficou para trás, com quem tinha cortado laços sem sentir remorsos. O último conto, Malefícios, é sobre uma garota doente, para a qual sua tia, seu ex-namorado e as mulheres da vila chamam um feiticeiro, pois acreditam que ela está naquele estado porque alguém tinha jogado um feitiço para ela morrer e o tal feiticeiro descobriria quem era, mas não precisou - uma garota que se dizia sua amiga acaba confessando que desejou que ela morresse. Os dois últimos contos achei bons; gostei do estilo da Marguerite Yourcenar. Vamos ver se gosto de Arquivos do Norte também.

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