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domingo, 12 de maio de 2013

"As palavras" e "O escritor fantasma" - escritores no cinema


Acabei de ver "As palavras", com roteiro e direção de Brian Klugman e Lee Sternthal, lançado em 2012, e "O escritor fantasma", roteirizado por Robert Harris e Roman Polanski e dirigido pelo Polanski, de 2010. 

O que os dois filmes têm em comum?

São sobre escritores. Vira e mexe fazem filmes sobres escritores em crise, mas esses dois tocam em uma questão diferente: livros escritos por umas pessoas e assinadas por outras.

"As palavras" é sobre o jovem Rory Jasen, que, como metade da população mundial, sonha em ser escritor e, depois de investir anos escrevendo um original, envia-o para vários agentes literários e editoras. Um importante agente lhe diz que, apesar de o original ser muito bom, é "intimista" demais e não existe mercado para ele ser publicado naquele momento. Depois disso, também recebe várias cartas de recusa de outras editoras e, quando vai pedir dinheiro ao pai, para pagar as contas do mês, este lhe pede para ter mais responsabilidade e arrumar um emprego. É o que ele faz. Arruma emprego em uma editora, se casa com Dora (com quem já morava) e eles vão passar a lua-de-mel em Paris. Na capital francesa, em uma loja em que vendem objetos antigos, Rory encontra uma maleta velha, mas "classy" ("refinada"), e Dora rapidamente resolve comprá-la para ele de presente. Depois de um tempo, quando Rory vai usar a maleta, descobre que há um original datilografado e muito antigo dentro dela e começa a lê-lo - e não consegue mais parar. Chega à conclusão de que é uma ótima história e a digita. Dora, sem querer, a lê, gosta muito, e lhe pede para apresentar a história à editora onde trabalha. Ele hesita, até certo ponto quer contar à esposa que aquela história não foi escrita por ele, mas não consegue. No fim das contas, o livro é publicado e faz um grande sucesso - o que lhe abre portas para publicar outros livros. Tudo vai bem até que um velho surge e diz que aquela história pertence a ele.

Em "O escritor fantasma", a história é um pouco mais rocambólica. É um filme de suspense em que um ghost-writer (escritor profissional que escreve um livro que será assinado por outra pessoa) é contratado para escrever a autobiografia do primeiro-ministro britânico Adam Lang, depois que o ghost-writer antecessor morreu afogado, não se sabe se por suicídio ou acidente. O ghost-writer, que em nenhum momento tem seu nome revelado, aceita o trabalho depois que um amigo o indica, pois o pagamento seria muito bom, mas aos poucos se vê envolvido em uma trama sinistra. Esse filme é baseado no livro O fantasma, de Robert Harris, que também assina o roteiro.

Apesar de se tratar de uma obra de ficção, Adam Lang apresenta semelhanças com o primeiro-ministro, também britânico, Tony Blair, que, assim como o personagem, em 2003 foi acusado de crimes de guerra. Apesar de ser um detalhe importante, a trama gira mesmo em torno do ghost-writer, que após conviver com o primeiro-ministro e pessoas ligadas a ele, descobre pistas deixadas pelo ghost-writer anterior, o que o leva a crer que ele foi assassinado por ter descoberto segredos ligados ao poder.

Depois de ver esses dois filmes, fiquei pensando nessa loucura que é ler livros de algumas pessoas quando, na verdade, eles foram escrito por outras. De repente descobrir que Clarice Lispector não escreveu livros que eu e tanta gente gosta, já pensou? Ou então que Caio Fernando Abreu plagiava algum autor muito pouco conhecido da Tasmânia, por exemplo. Mas acho que na vida real há poucas chances disso acontecer em se tratando de ficção - pelo menos eu acho. Já em relação às autobiografias a contratação de ghost-writers parece ser bem comum e até compreensível, porque nem toda figura pública importante (ou não) consegue escrever um livro de forma estruturada e agradável de se ler.

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