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domingo, 30 de junho de 2013

Exposição "Da Vincis do Povo", de Cai Guo-Qiang


No fim de semana passado, o Waldi(nei) e a Mari(ane), um casal de amigos, veio de Curitiba para passear em São Paulo e eu os levei para ver uma exposição muito legal que estava em cartaz no CCBB. O Sergio já havia me recomendado essa exposição e como eu também queria muito ver, fomos lá, porque dia 23 de junho (domingo passado) foi o último dia.

 Cai Guo-Qiang, foto tirada daqui

Cai Guo-Qiang [se pronuncia "Tsai Guo-Shang"] nasceu em 1957, em Quanzhou, no sudeste da China, estudou Design Cenográfico na Academia de Teatro de Shangai e, desde então, trabalha com várias mídias artísticas, como desenho, instalação, vídeo e performance. Morou no Japão entre 1986 e 1995, onde desenvolveu estudos sobre o uso pólvora na arte e "descobriu" uma forma de se trabalhar com esse material que produz um resultado lindo. Atualmente, vive e trabalha em Nova York.

Qiang criando trabalho com pólvora, foto tirada daqui

Abaixo tem um vídeo-convite produzido pelo CCBB que mostra um pouco de como ele produz as obras com pólvora:



O resultado é maravilhoso:

Obra "Birds and Flowers of Brazil" no hall do CCBB-SP







Algumas obras foram criadas especialmente a pedido do CCBB e a exposição não foi/será igual em todas as cidades do país. "Birds and Flowers of Brazil", o painel de 18 metros de altura e 4 de largura que ocupava o hall do CCBB-SP, por exemplo, não seguirá para o Rio (a exposição está prevista para estrear em julho por lá).

Bom, comecei falando sobre as obras com pólvora, porque é a marca registrada do artista, e talvez o que mais impressione, mas na exposição também havia várias outras obras incríveis:

 "Never learned how to land", 2010






Nessa obra, havia várias pipas brancas onde eram projetados vários tipos de imagens do cotidiano chinês (ou talvez do mundo inteiro).


 "Marcas", 2013



Marcas 
Cinco berços iluminados pela claraboia balançam suavemente, com flores nativas do Brasil plantadas dentro de cada berço. Acima flutuam oitenta e quatro pipas - tradicionalmente conhecidas como "papagaios de papel" na China. Cada uma delas foi escrita a próprio punho pelo artista com os nomes dos camponeses. Marcas espertamente brinca com Pássaros e Flores do Brasil suspendido no átrio, como uma interpretação literal do seu desenho com a pólvora. A obra segue o fio da mostra homenageando os artistas amadores.
[Texto retirado da plaquinha referente à obra]

Depois vimos os robôs-artistas, que eu adorei!



Nessa obra, Qiang faz referência ao artista Yves-Klein (1928-1962), criador de performances com mulheres nuas que eram usadas como pincel. Nas costas dele havia uma foto de Klein em meio à performance original.

Mariane fotografando os robôs Pollock

Mariane com os robôs que remetiam às obras do pintor  Jackson Pollock (1912 - 1956), que fazia obras respingando tinta. Nas costas de um desses robôs também havia uma foto de Pollock trabalhando.

Observação: a Mariane trabalha com arte e foi ela que me explicou a proposta do Qiang em relacionar seus robôs com obras produzidas por outros artistas.

Os robôs eram ligados em períodos específicos (de meia em meia hora, se não me engano) e li em algum lugar que, depois, as pinturas produzidas por esses robôs serão vendidas a preços módicos, para quebrar o padrão de que toda obra precisa custar uma fortuna.

Encarnação de Pollock... :)

 Mariane e, ao fundo, obras produzidas pelos robôs


Um trecho interessante que li sobre a biografia do Qiang na própria mostra dizia que, desde adolescente, ele era tido como "estranho", alguém que preferia passar muito tempo sozinho em casa, desenvolvendo robôs, do que conviver com outras pessoas e, por isso, as pessoas caçoavam muito dele. Mas todos ficaram surpresos quando, depois de um tempo, viram sua produção: um grande robô que executava ações como andar e mexer os braços. Aí fiquei pensando que talvez artistas talvez nasçam artistas, por isso são diferentes e erroneamente motivos de chacota [os imbecis sempre acham que todo mundo precisa ser igual, fazer tudo igual e gostar das mesmas coisas que eles, não?]; hoje em dia Qiang é considerado um artista genial, com exposições espalhadas pelo mundo, enquanto as pessoas que ficaram caçoando dele provavelmente devem ter empregos insignificantes e executar atividades cretinas e burocráticas - atividades que robôs poderão executar num futuro muito próximo.

Site oficial de Cai Guo-Qiang (em inglês): http://www.caiguoqiang.com/

Também vale a pena ler essa matéria que saiu no Guia UOL: Pólvora, aviões e robôs estão em mostra de artista chinês inovador no CCBB-SP

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