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domingo, 10 de novembro de 2013

Tired, broken, lost


Às vezes parece que fecho os olhos e, quando abro, já passou uma hora, um dia, uma semana, o mês inteiro.

Os dias têm sido corridos e eu sempre correndo atrás de algo, tentando encaixar atividades prazerosas e que fazem sentido no tempo que escorre, para poder suportar as outras coisas que não fazem tanto sentido e as cobranças (as minhas próprias).

Eu havia decidido não fazer mais nenhum trabalho free-lance, mas surgiu a revisão de um livro traduzido do francês e eu topei. Sempre acabo sucumbindo. Estou tentando juntar dinheiro para viajar. Talvez - eu quero muito - uma viagem ao Peru com uma amizade inesperada e recente, nas férias do ano que vem. Para as férias desse ano, queria ficar um mês em Ubatuba, descansando, lendo, vendo filmes, escrevendo um esboço de romance e também o TCC. Preciso de um tempo para pensar no que quero para mim no curto e no longo prazo. Se pudesse, tiraria um período sabático de seis meses para viajar... e pensar. Mas não posso. É preciso trabalhar para ganhar dinheiro para pagar as contas. I am tired.

A FGV também anda me angustiando. Sexta-feira fiz a prova de uma das duas matérias nas quais não consegui média - as duas tinham fórmulas e cálculos e eu continuo com dificuldade em contas. É como se meu pesadelo do colégio tivesse voltado, eu tirava notas péssimas em matemática. Espero ter passado dessa vez. Preciso cumprir a outra matéria e escrever o TCC. Também tem uma matéria online que estou fazendo em grupo. Não sei se todos os grupos são assim, mas o meu é totalmente desconexo. Desde sempre fazemos os trabalhos por e-mail, ninguém se anima muito em se reunir pessoalmente (como, pelo que vejo, fazem os outros grupos), tem um colega do grupo que nunca fez nem faz absolutamente nada - não que eu faça muita coisa também, mas tento fazer o que consigo e às vezes, confesso, coloco isso em segundo, terceiro, quarto plano. É meio cruel termos essa matéria bem no fim do curso, provavelmente apenas para somar a carga horária mínima necessária para o MBA ser aprovado no MEC. [Fico imaginando o professor do outro lado da tela de short e chinelo tentando mostrar serviço, sendo que ele provavelmente também não está muito animado, mas faz o trabalho porque devem pagar bem. Vários professores disseram que eles ganham muito bem para estar ali.] Se fosse na vida real, acho que pediria para mudar de equipe ou para sair da empresa, porque meu entusiasmo e engajamento com o grupo e com o projeto não é dos melhores e me sinto mal. Às vezes tenho vontade de morrer, só para não ter mais que participar disso, que para mim é torturante e (pior que sei) não vai me levar a lugar nenhum, porque é uma repetição do que já vimos e fizemos ao longo do curso. I am broken.

De animador, conheci virtualmente uma "menina que veio do sul" (piada da Yuri), que infame, apesar de ela morar mesmo na região sul do país. Na verdade, a Ju é uma menina que estudou/estuda gastronomia, gosta de ler e escreve e-mails relativamente longos, interessantes e sem erros de português. Hoje em dia está difícil conhecer um ser humano assim, então estou admirada e contente. Até porque fazia pelo menos uns dois anos que eu não conhecia ninguém com quem tivesse vontade de começar uma amizade nova. A Cris escreveu uma vez que, depois dos 30 anos, é quase impossível fazer novas amizades significativas - fiquei triste ao constatar que é verdade, pelo menos para mim: fui fazendo cada vez menos amizades ao longo dos anos, nos últimos cinco anos fiz amizades preciosas nas editoras onde trabalhei, mas nos últimos dois, três anos, nada. Então a Ju me fez acreditar que é possível fazer novos amigos depois dos 30, sim. Em pensar que tudo começou quando ela deixou um simples recado para mim em uma rede social: "Bom gosto! Me surpreendeu ver Fahrenheit 451 aqui.", se referindo a um dos meus livros preferidos que coloquei no meu perfil. A partir disso, fui olhar o perfil dela, vi que ela também gostava de cozinhar, ler e que tinha ido para a Bolívia, e começamos a conversar. E, ao trocar e-mails com ela, falamos sobre várias coisas, inclusive sobre a vida, os caminhos que tomamos, as decisões que tomamos (ou deixamos de tomar). 

De tempos em tempos parece que um monstrinho que existe em mim renasce e eu fico com vontade de mudar radicalmente o rumo da minha vida. Há uns dois meses, vi que a Universidade Anhembi-Morumbi estava dando bolsas integrais para os primeiros 50 colocados no Vestibular. Tentei me inscrever para estudar Gastronomia (é...!), e só depois vi que a promoção não valia para os cursos de Medicina, Medicina Veterinária e Gastronomia e também não valia para quem já tivesse diploma universitário. Beleza. Aí não fui fazer o Vestibular, porque o curso custa mais ou menos  R$ 2 mil/mês e, obviamente, não tenho dinheiro. Talvez tivesse se não estivesse fazendo o MBA na FGV. Também cheguei a pesquisar o curso no Senac e o custo da mensalidade também gira em torno desse valor. Há uns dois meses eu realmente estava a fim de estudar para ser chef e talvez mudar de área e de vida. Depois a febre baixou, coloquei a cabeça no lugar e percebi que não quero realmente mudar de área. Gosto de livros. Quero continuar trabalhando com livros. Talvez eu esteja apenas precisando de novos desafios, não sei. Talvez eu precise - quero muito - estudar e morar fora do país e a hora é agora (?); nesse caso, a primeira opção seria Tóquio, mas como meu japonês deixa a desejar, e muito, a segunda opção que me anima muito é Roma! Talvez eu esteja muito cansada e precisando dormir por 24 horas consecutivas para recuperar as forças (em vez de passar a madrugada escrevendo neste blog). A única certeza que tenho é a de que não estou totalmente satisfeita com a minha vida atual em determinados sentidos e que preciso mudar, só que ainda não tenho ideia de que rumo tomar. I am lost.

8 comentários:

Luciana Borba disse...

Estava com saudades dos seus posts. Você continua com mais perguntas do que respostas questionando a vida e o rumo que ela dá.
É bom saber que não sou a única cheia de incertezas sobre a vida e o que espero conseguir dela.
Acho que o nosso problema é sonhar e idealizar a vida perfeita: trabalho maravilhoso, relacionamentos verdadeiros, viagem pelo mundo, etc.
Beijos e saudades.

aline naomi disse...

Lu,
que surpresa e que alegria ver comentário seu aqui!!
Desculpe ter meio que sumido, se leu meus últimos posts, você viu por quê! :) Sou meio workaholic e estou tentando juntar dinheiro para viajar... estou tentando trabalhar o que posso para fazer um dinheiro extra, já que a FGV suga boa parte do meu salário. Mas ok, não reclamo, foi uma escolha (hoje em dia já não sei se a mais acertada, mas foi o que eu considerei "o melhor" no começo do ano passado).
Vamos ver se conseguimos marcar algo antes de o ano virar?!?! =) Também tenho saudade!
Ah, sinta-se apoiada, Lu! De tempos em tempos (mais ou menos de dois em dois anos ou de três em três, começo a sentir uma angústia porque as coisas não estão como quero e estou começando a achar que essa "satisfação plena" é ilusória... nunca teremos um trabalho 100% maravilhoso, relacionamentos verdadeiros/ significativos e provavelmente nunca conseguirei viajar o mundo todo (mas continuo jogando na loteria! haha, vai que a sorte me abraça).
Assim que possível, te ligo para gente tentar combinar algo.
Beijo grande!

Lúcia H. disse...

Aline, há um tempo não "espio" seu blog. Continua ótimo. Gostei das receitas, das marmitinhas, sobre livros, filmes, tudo... Ah, sobre não ser fácil fazer amizades após os 30 anos... há controvérsias... Fiz algumas ótimas amizades após 30, após 40. após 50... Rs. E, sempre conservo os antigos por 2, 20, 30, 40, 50 e poucos anos... Bjs.

Tene disse...

Aline, li seu texto e me identifiquei.
Não se sinta perdida, quem vive de verdade tem dificuldade em se encaixar num papel só. (E acredite, isso é algo positivo!) :)

P.S.: Você está escrevendo cada vez melhor.

Um beijo!
Tene

Yasmin disse...

É, te entendo bem demais até... anda complicado viu...
Ando pensando em mudanças, escolhas e nada anda fácil... :/

:*

Crisão disse...

Ai Aline, só li este post agora! DESCULPE!!!
Tão perdida em mim, que não vi — ao meu lado — alguém compartilhando sentimento tão igual ao meu!!! Quero. PRECISO de uma amizade assim! Sorte!
Também estou cansada, destruída, perdida, tão no fundo do pote. Mas sempre há chance! Ainda mais para uma sagitariana como vc!
Não se perca e cntinue escrevendo posts lindos.

Anônimo disse...

Seu blog é muito, muito legal Naomi! Adoro ler sobre os filmes a que assiste e os livros que lê.
Beijos,
Tati Alem

aline naomi disse...

Tati, obrigada pela visita! Beijo!