Pages

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Mens@agem para você + livrarias para crianças


Conhecer e se apaixonar por alguém que você conheceu apenas pela internet - quem nunca?

Vi Mensagem para você (You've Got Mail) há anos e gostei muito. É um filme leve, tipo "Sessão da Tarde", bobo até, mas cativante. Por isso comprei o DVD e revi há alguns dias. Ele foi lançado em 1998, quando a internet era discada e seu uso ainda não era tão popular quanto hoje. 

Onde você estava em 1998? Já tinha se apaixonado por alguém da internet? :)

Eu estava no último ano do colégio, de saco cheio das aulas de matemática, química e física e ansiosa por causa do Vestibular. Meu pai havia instalado a internet um ano antes, imagino que por insistência do meu irmão. Lembro que era uma época em que a internet estava começando a se popularizar no Brasil e era mais provável conhecer gente legal do que chata ou idiota demais nos chats. Nessa época, eu costumava entrar muito nos chats de inglês, para praticar, e acabei fazendo várias amizades. Hoje em dia deve ser mais difícil encontrar alguém realmente legal ou interessante nesses chats. 

Mas, voltando ao filme, além de ele tratar dessa questão de se apaixonar por alguém que não se conhece pessoalmente, também mostra algo que acontece na realidade: o fechamento das pequenas livrarias, conforme as grandes vão roubando seus clientes. É, a lei de mercado é cruel.

Nora Ephron, a diretora, se inspirou em um filme dos anos 1940 que ela adorava, A loja da esquina (no original, The Shop Around the Corner, que também é o nome da livraria de Kathleen Kelly [Meg Ryan]). 


Em The Shop Around the Corner, um casal também se apaixona "virtualmente", mas trocando cartas. Como em Mensagem para você, a mulher e o homem se conhecem na vida real e se odeiam, mas, por carta, um é apaixonado pelo outro.

Quanto à livraria "The Shop Around the Corner", ela é especializada em livros infantis e foi inaugurada pela mãe da protagonista há décadas e ela leva o negócio adiante. Até uma grande rede de livrarias abrir uma filial próxima, começar a vender livros com descontos e ela precisar fechar a loja. O herdeiro da rede, Joe Fox [Tom Hanks], que acaba por levá-la à falência, por um acaso do destino, é também o cara que Kathleen conheceu em um chat e com quem troca e-mails diários sobre banalidades do cotidiano, por quem acaba se apaixonando "virtualmente" - e odiando na vida real.

Mesmo sabendo que essa é uma tendência (grandes redes de livrarias dominarem tudo, porque as pessoas querem pagar o mínimo possível - aliás, não só em livros, mas em todo tipo de produto), fiquei surpresa ao saber que algumas livrarias especializadas em livros infantis ou "infantojuvenis" ainda existem em São Paulo. No ano passado conheci a Casa de Livros quando fui ao lançamento de um livro infantil que um amigo havia traduzido - a livraria é muito legal! Tem recados manuscritos de autores nas paredes e, no dia do lançamento, a vitrine exibia vários exemplares esvoaçantes de O diário de Gian Burrasca! E, ao procurar mais informações sobre a Casa de Livros hoje, descobri que há uma outra livraria desse tipo (que ainda não conheço pessoalmente, mas parece ser linda), a Livraria Nove Sete.

 Foto tirada daqui

Foto tirada daqui

Foto tirada do site da livraria Nove Sete

Foto tirada daqui (vale a pena ler o post e ver outras fotos lindas que tem lá)

Essa última foto lembra a foto que abre este post. Uma contadora de histórias encantando a plateia de crianças (e talvez alguns adultos também).

Quando penso em livros e livraria, já sinto uma leve nostalgia. Talvez a lei de mercado do futuro seja assim: duas ou três grandes redes de livrarias dominando 90% do mercado > fechamento de grande parte das livrarias físicas, pois as pessoas preferem comprar tudo pela internet, tanto pelo preço reduzido quanto pela comodidade > leitores preferindo comprar livros em versão e-book > diminuição das vendas de livros físicos > fim das livrarias físicas. Mas eu não quero estar viva para presenciar isso.

Nenhum comentário: