Pages

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A mais profunda

Recentemente um amigo e minha tia me fizeram lembrar de uma crônica que escrevi quando tinha 16 ou 17 anos e, por isso, deu vontade de compartilhá-la aqui. Eu nem me lembrava mais dela.

Escrevi A mais profunda para participar de um concurso de contos, crônicas e poesia da prefeitura de Santana de Parnaíba (que eu nem sabia onde ficava direito, mas agora trabalho em Alphaville, Barueri, que fica ao lado de Santana de Parnaíba, que também possui alguns condomínios do grupo Alphaville), que refletia um pouco a minha angústia em relação a que curso escolher na faculdade. Várias coisas me interessavam, mas eu não me sentia boa em nada. E era péssima em matemática. Nem o curso de matemática do Kumon conseguiu me ajudar.

Enfim, o giu me me lembrou dessa crônica em um e-mail muito bonito de incentivo, disse que eu deveria tentar escrever mais, porque ele gostava das minhas histórias (lembro que há uns dez anos eu costumava escrever mais e depois mandava para ele ler, assim como para minha tia). E minha tia Harumi fez e me deu uma sacola de compras/ para coisas em geral (eu adoro essas sacolas que ela faz e tenho dó de usá-las), pintou e manuscreveu esse meu texto nele:




No concurso, fiquei em 3º lugar e fui chamada para participar da cerimônia de premiação, mas meus pais não queriam me levar. Pensei seriamente em pegar o ônibus e ir sozinha para lá (apesar de um certo receio porque não sabia, e não sei, se com 16 anos, ou talvez 17, era possível viajar sozinha, sem autorização ou companhia de uma pessoa maior de 18 anos). Mas, na época, eu falava com o Joe, um amigo virtual americano (que tinha uns 40 anos na época), e ele me convenceu de que isso não era uma boa ideia. Poderia ser perigoso. Meus pais iam ficar preocupados. Achei que ele tinha razão e desisti da ideia. Mas lembro de ter ficado chateada porque era uma coisa importante para mim e meus pais não deram a mínima. Depois de algumas semanas, meu certificado de participação, indicando que eu tinha ganhado o 3º lugar, e uma plaquinha de metal com o meu nome, nome do concurso e prêmio chegaram pelo correio. O certificado e a plaquinha devem estar até hoje em algum lugar na casa dos meus pais.

Às vezes acho que se meus pais tivessem me incentivado mais quando eu era criança - me colocando em um curso de escrita criativa com um bom professor, por exemplo -, eu poderia ter me tornado uma boa escritora, ou, pelo menos, uma escritora não medíocre, capaz de produzir textos com uma qualidade um pouco acima da média. Talvez. Por mais que eu diga que não importa, acho que guardo um certo ressentimento por meus pais não darem a mínima para livros, literatura, artes. (Apesar de terem me dado todos os livros que eu queria.) Até hoje não consigo entender como as pessoas conseguem viver sem arte. Mas é um "preconceito" meu também. Para muitos, a realidade basta. Isso que elas veem e vivem basta. Não é preciso mais. Eu é que quero sempre mais e nunca estou totalmente saciada. O problema deve ser esse. Tenho noção de que talvez o problema seja eu.

Há muito tempo, li a autobiografia da Joyce Maynard, que foi namorada do J.D. Salinger (aquele que escreveu O apanhador do campo de centeio - um dos romances americanos mais populares e melhores... e só eu não gosto). Ela conta sobre o relacionamento conturbado dos dois, que começou  quando tinha dezoito anos e ele já tinha mais de cinquenta! A história sobre o relacionamento é interessante, mas ela também conta sobre a vida dela na infância, quando os pais faziam com que ela escrevesse e depois lesse seus textos para eles desde criança - e eles, que, se não me engano, eram intelectuais, corrigiam e incentivavam-na a continuar escrevendo. Então, por conta desses exercícios constantes, ela foi aprendendo a escrever bem e tinha uma qualidade de escrita muito acima da média para a idade dela. Na época em que li, lembro de ter sentido uma certa inveja da Joyce. Ela teve o incentivo necessário para que o talento dela se desenvolvesse.

Para falar a verdade, nem sei se tenho "talento", mas gosto de escrever. Deve ser uma vontade natural que surge quando se lê muito. A gente começa a querer criar as nossas próprias histórias, é prazeroso criar e controlar outras vidas, ainda que sejam vidas e destinos imaginários. E também porque tanto a leitura quanto a escrita dá a possibilidade de vivermos em mundos paralelos. Enfim, gosto de escrever, mas não sei se tenho talento e, ao mesmo tempo, sei que "gostar de escrever" não diz nada. É preciso aprimorar mais e mais e sempre, até desenvolver um estilo, até sentir que o que se produz valeria a pena ser lido por outras pessoas, porque aquilo acrescenta de alguma forma à vida delas. Como esportistas, musicistas e matemáticos, acredito que escritores precisam praticar exaustivamente até conseguirem produzir bons resultados. A boa escrita é, também, resultado de muita prática e aprimoramento.

Hoje em dia, tenho muito mais lido, traduzido e revisado que escrito ficção. Estar em contato com a linguagem, com textos escritos, de alguma forma é bom, mas às vezes me bloqueia. Leio tantas coisas excelentes que fico pensando se algum dia eu seria capaz de produzir algo à altura (os livros do Kawabata me causam profunda inveja; o estilo dele me atrai) e, se não for para produzir algo à altura, é melhor nem publicar. Não é ético fazer as pessoas perderem tempo lendo coisas ruins.

Não me considero uma "escritora frustrada" nem nada.  Não tenho pressa. Se um dia eu conseguir escrever algo bom, que bom, se não, tudo bem, também. Não é algo de que eu dependa para viver ou me sentir melhor. Acho que seria mais uma janela para dar vazão às coisas que vão dentro de mim e uma forma de compartilhá-las com os outros - com a pretensão de que isso acrescente algo de diferente a elas, assim como a literatura, em geral, me acrescenta.

E é por isso que se eu conseguir uma vaga no curso para escritores da Casa das Rosas, imagino que vou conseguir organizar melhor minha forma de trabalho, ter mais autocrítica em relação ao que escrevo ou talvez me dar conta de que não nasci para escrever ficção. Do que ser uma escritora medíocre, eu prefiro não ser.

***

 A mais profunda


"Somos misturas incompletas, assustadoras incoerências, metades, três quartos e quando muito nove décimos." (M. de Andrade)

Fiquei deprimida ao ver-me no mais absoluto anonimato. Eu não era ninguém e tampouco seria importante algum dia. Nada que faço se sobressai às expectativas alheias e às minhas próprias. Geralmente as pessoas têm um dom específico, aquilo que fazem melhor que todos, e eu não. Estou situada na faixa mediana; faço tudo que deve ser feito, mas nunca dizem que o meu trabalho é o melhor, ninguém aprova minha comida, não tenho paciência com o piano secular da família.

Às vezes me imagino bebê, engatinhando numa fila quilométrica de milhares de outros bebês. Não tenho paciência e saio da fila; fico deitada numa nuvem de algodão, esperando a fila acabar para ficar com a última dádiva do baú. E, dormindo, sou acordada por Deus. Ele me diz brandamente que, devido à minha indolência, eu não teria mais direito sobre dom algum. Por isso nasci assim, além de nua, desprovida daquela essência divina que permitiria o crescimento de minha alma. Estarei condenada à mediania até o final dos tempos. Me desespero o desespero dos condenados.

Por outro lado, se tivesse sido diferente, se Deus houvesse me inquirido: "Que dom você prefere? Artístico, musical, beleza externa, a retórica ou... o quê?", responderia sem hesitar: "Quero saber resolver todos os cálculos matemáticos do mundo". A mais simples conta me deixa em pânico, mas calcular me encanta. Imagine resumir uma conta enorme num único resultado. Então meu pai diria aos seus amigos que sou a encarnação de Einstein, embora estejamos incertos sobre encarnação.

Pena eu ter dormido na nuvem. Pena Deus não ter me feito a proposta que resolveria essa minha crise existencial mais profunda. Bastariam então papel e lápis para resolver a equação do que preciso para que a fração que sou torne-se um inteiro.

Um domingo qualquer

Hoje é um domingo típico.

Voltei da feira agora pouco. Precisei tomar uma ducha fria, porque o sol está demais e estava suando horrores. Verão é a pior época para mim. Minha pressão baixa, fico letárgica, um pouco depressiva e tenho vontade de tomar uns cinco banhos de água fria por dia.

Quanto à feira, hoje fui mais cedo, umas 10h (costumo ir umas 11h, porque acordo mais tarde aos domingos ou porque fico enrolando ou porque estou trabalhando). Gostei de ter ido um pouco mais cedo, porque a feira estava bem menos tumultuada. Todos querem comprar coisas mais baratas por volta do meio-dia. Cheguei à conclusão de que vale a pena me programar para ir mais cedo, pagar um pouco mais (até porque os legumes, verduras e frutas são melhores) e me estressar um pouco menos. Ir à feira é um prazer estressante. Os feirantes gritando e a multidão que passa se esbarrando em mim (ou eu nela) me estressam, mas poder escolher e comprar produtos frescos e bons é bastante prazeroso.

Antes de ir à feira, passei em uma loja que vende produtos orientais. Comprei macarrão, kamaboko (massa de peixe processada), katsuo (peixe seco ralado), tikuá (um outro tipo de massa de peixe) e nori (folha de algas, aquilo que vai ao redor do sushi). Hoje vou fazer somen (macarrão gelado).


É um "presente" que vou me dar. Às vezes me dá vontade de comer comidas que minha mãe fazia/faz; e como ela não está perto para eu poder pedir (se eu pedisse, tenho certeza de que ela faria - mas não sou pidona, mesmo quando eu morava com os meus pais, eu só pedia alguma coisa às vezes), preciso me virar e ir aprendendo - com a ajuda do mestre Google, claro. Aos poucos vou incorporando o ato de cozinhar ao meu dia a dia. 

Terminei de ler O som da montanha, do Kawabata (de quem sou fã, muito fã) e pretendo escrever sobre a obra e incluir a receita de somen no meu outro blogue. Detalhe que ainda estou escrevendo um post sobre Precisamos falar sobre o Kevin e ainda não terminei (com esse outro post vai uma receita de lamahjoon, um tipo de pizza armênia - a mãe do protagonista era de origem armênia).

Um hábito bom: há algumas semanas, comecei a me disciplinar mais em relação às compras domésticas. Eu comprava muitas coisas na feira e várias acabavam estragando porque eu não dava conta de cozinhar tudo durante a semana (considerando que acordo 5h45 e chego umas 19h e às vezes tenho preguiça de cozinhar ou preciso trabalhar em outros projetos em casa). Então, agora me programo antes. Acho que as donas de casa devem fazer isso mentalmente, de tão habituadas que devem estar, mas, como ainda estou engatinhando no quesito "organização doméstica", faço um "cardápio semanal" na agenda, colocando o que vou fazer no jantar durante a semana - em geral, pratos muito simples, rápidos e pretensamente saudáveis, à base de vegetais. Com base nesse cardápio, faço uma lista para lembrar de comprar tudo na feira.

Fica mais ou menos assim:


Esses pratos são intercambiáveis. Posso preparar um prato programado para quarta na segunda, ou fazer um prato que programei para quinta na terça, por exemplo. No fim, a programação dá certo, porque o objetivo é usar tudo que comprei na feira durante a semana.

Então, com base no cardápio da próxima semana, hoje comprei abobrinha, goiaba, brócolis, cenoura, laranja, alface americana, tomate-cereja, maracujá (ainda não estou acreditando, mas paguei R$ 9 por 4 maracujás!, confesso que estou um pouco viciada em suco de maracujá...), inhame, limão, manga, abacate e cebola. Além de gengibre e cebolinha para o somen de hoje.

Deixo os pratos mais elaborados (leia-se que demoram mais para ser feitos) para os fins de semana. Ontem fiz frango xadrez - demorei duas horas para preparar... sendo uma hora apenas para desossar e tirar a pele das sobrecoxas. Talvez daqui um tempo eu consiga agilizar mais, fazer esses pratos elaborados em menos tempo, mas, por enquanto, resolvi parte da minha vida doméstica assim. E o engraçado é que não tenho tido muita vontade de comer em restaurantes. Além da preguiça de sair de casa no calor, fico achando que não vale a pena pagar tão caro por umas comidas que nem são tão boas assim. Não sei se isso é efeito de uma certa autoconsciência (misturada com uma certa "arrogância") que vai surgindo quando a gente começa a cozinhar e acha que consegue fazer uma comida bem melhor, com ingredientes melhores, do que o que servem nos restaurantes...

Na programação de hoje, ainda, estão incluídos trabalhos de tradução, revisão, terminar de ver os últimos 15 minutos de um filme bobinho chamado "Um homem de família", porque dormi ontem antes de ver o fim, terminar de ler a HQ V de Vingança (vi apenas uma parte do filme, mas o diretor foi bem fiel à HQ - me interessei por essa história por causa das pessoas que usavam/usam a máscara do V nas manifestações, em alusão ao próprio V e também ao grupo "Anonymous", acho).

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O escafandro e a borboleta


Parece pura ficção, mas não é.

Jean-Dominique Bauby, chamado pela família e por amigos de "Jean-Do", tinha 43 anos quando sofreu um derrame que deixou seu corpo paralisado do pescoço para baixo. Ele era editor da revista francesa Elle e estava dirigindo seu carro, pois ele e o filho haviam combinado de ver uma peça de teatro naquele dia.


Depois desse episódio, ele ficou em coma por vinte dias e acordou em um hospital em Berck, na região de Pas-de-Calais, no norte da França. Ele não conseguia falar, e o único meio de comunicação com o mundo externo era o olho esquerdo. Foi diagnosticado com a síndrome locked-in

A fonoaudióloga responsável por seu tratamento primeiro o ensinou a piscar uma vez para dizer "sim" e duas vezes para dizer "não". Depois, passaram a adotar um meio de comunicação em que ela ia recitando as letras do alfabeto na ordem de frequência em que são usadas em francês e, quando ele queria que aquela letra fosse selecionada, ele piscava. Foi assim que ele passou a se comunicar com as pessoas de quem gostava.

Pesquisei sobre esse método de comunicação que a fonoaudióloga usou, mas não consegui encontrar respostas para as minhas dúvidas - queria saber se ele foi criado por ela ou se já existia e se é usado no Brasil também. Apesar disso, encontrei essa matéria, que é bem interessante, sobre um sistema de comunicação para pacientes que sofrem de paralisia por meio da dilatação da pupila.


Já havia visto a versão cinematográfica da poética autobiografia de Jean-Do, O escafandro e a borboleta, dirigido por Julian Schnabel, há anos e, recentemente, li o livro homônimo. A leitura, feita em algumas viagens para ou do trabalho, foi bem rápida e prazerosa (o livro tem 142 páginas e as letras são bem grandes, como se fosse um livro para pessoas com dificuldades visuais ou para crianças). Do filme, só lembrava de como tinha sido o momento do derrame - quando sentiu que não estava bem, ele estacionou o carro perto da casa de uma parente que era enfermeira, o filho saiu correndo para chamá-la, e ela conseguiu levá-lo para o hospital a tempo de salvá-lo.

O escafandro e a borboleta foi escrito pelo método de associação com letras e piscadas que a fonoaudióloga usava com ele. Antes de sofrer o derrame, o autor tinha um contrato com uma editora para escrever um livro - ele pensava em escrever uma versão moderna de O conde de Monte Cristo, em que a protagonista seria uma mulher, mas, como as coisas não aconteceram como ele imaginava, acabou escrevendo sua autobiografia. A editora, então, contratou uma pessoa para tomar os ditados de Jean-Do, e o livro foi escrito entre julho e agosto de 1996.

Será que eu era cego e surdo ou será que a luz de uma desgraça se faz necessária para iluminar a verdadeira face de um homem?

Ele dedica o livro aos filhos e à Claude Mendibil, que tomou o ditado do livro durante dois meses.

Para Théophile e Céleste, com os desejos de muitas borboletas.
Quero expressar minha gratidão a Claude Mendibil, cujo papel na realização deste livro será compreendido por quantos lerem suas páginas.
As borboletas são usadas como metáfora para a liberdade de que ele foi privado e que davam asas à sua imaginação, eram as borboletas-pensamentos lhe serviam como válvula de escape, ou pelo menos entendi assim.

 Longe desse escarcéu, no silêncio reconquistado, posso ouvir as borboletas voando pela minha cabeça. É preciso muita atenção e até certo recolhimento, pois o seu adejar é quase imperceptível. Uma respiração mais forte basta para abafá-las. Aliás, é espantoso. Minha audição não melhora, mas eu as ouço cada vez mais. De fato, as borboletas devem dar-me ouvidos.

A versão para o cinema ficou muito boa e ilustra melhor como se dava a comunicação entre o protagonista e as pessoas ao seu redor. Jean-Do foi interpretado pelo ótimo ator Mathieu Amalric.
 


Esse era o verdadeiro Jean-Do:


Ele faleceu dez dias depois da publicação de seu livro, em 9 de março de 1997.



Recomendo o filme e o livro!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aline in Bookland

Comecei um blogue sobre o mundo editorial, pois estava recebendo vários e-mails de pessoas que gostariam de trabalhar na área. 

E, para não precisar ficar escrevendo várias vezes as mesmas respostas - até porque o tempo anda muito curto! -, preferi escrever um blogue que as pessoas possam consultar e tirar eventuais dúvidas por lá mesmo. Pretendo atualizá-lo constantemente, pois trabalho na área e é um assunto que me interessa muito, vamos ver se consigo. O link para o "Aline in Bookland" é:


Coloquei alguns posts relacionados à área editorial que estavam no "Breves Fragmentos" lá e o post mais recente escrevi especialmente para ele.

Ainda neste fim de semana pretendo ajeitar um outro blogue, incluindo informações profissionais, currículo e um tipo de portfólio dos livros com que trabalhei. Mas esse só servirá como "vitrine" para as pessoas conhecerem melhor o meu trabalho mesmo.

CLIPE 2014 - Casa das Rosas


Essa semana foi meio tumultuada, mas consegui fazer minha inscrição hoje (último dia!) no Curso Livre de Preparação do Escritor (CLIPE) 2014 na Casa das Rosas, na Av. Paulista. Demorei quase três horas para chegar lá, porque o trânsito de Alphaville estava caótico hoje. Mas consegui.

 Casa das Rosas - foto retirada da internet
Já faz um tempo que quero fazer uma oficina literária, para aprimorar a escrita, conseguir ter um olhar mais apurado sobre a minha própria escrita e conhecer pessoas que também gostam de escrever (e que também estão buscando se aprimorar - gostar de escrever e sair escrevendo qualquer coisa, de qualquer jeito, não faz muito sentido para mim).
Tentei uma vaga no ano passado, mas não consegui. Mas depois vi que foi melhor assim - apesar de eu querer muito, provavelmente não teria dado conta (o MBA me deixou num estado de ânimo zumbi mode on). Esse ano seria ótimo poder investir tempo e esforço em algo que me desse satisfação pessoal (e que não fosse só mais um curso para colocar no currículo). Então estou esperançosa, queria muito ser selecionada, mas a concorrência deve estar grande (no ano passado centenas de pessoas se inscreveram para apenas 25 vagas - que depois foram aumentadas para 30). Se eu conseguir uma vaga, vou ficar muito feliz. Se não conseguir, tento de novo no ano que vem.
Busquei informações de ex-alunos do curso do ano passado pelo Google, pois queria saber quais foram as impressões deles, mas não encontrei nada. É uma pena que as pessoas não compartilhem coisas que interessam ou interessariam para várias outras pessoas. Se eu for selecionada, depois escrevo sobre o curso. A recepcionista da Casa das Rosas disse que a lista de selecionados sai no final de fevereiro no site deles. 
Talvez eu tenha mais chances esse ano, porque li algo sobre a preferência ser para pessoas com formação na área. No ano passado não havia essa preferência. Lembrei de uma professora excelente de italiano e literatura italiana que tive na faculdade, a Celeste. Como na grade do curso de Tradução não havia espaço para Literatura Italiana, podíamos conversar com ela e fazer aulas dessa matéria com o pessoal de Letras à noite (porque tínhamos aulas do nosso curso de manhã e à tarde). Ela é uma pessoa fantástica e contou que costumava aceitar todo tipo de aluno nas aulas dela - de certo porque acreditava que a diferença entre as pessoas enriquece (se for isso, concordo). Mas aí, uma vez, ela aceitou um aluno que era bombeiro (?) para essas aulas de literatura, e ele não se adaptou bem às aulas, meio que atrapalhava, porque ficava fazendo perguntas que não tinham a ver com a aula. Depois disso, ela resolveu selecionar melhor os alunos. Fiquei imaginando que no CLIPE também deve ter acontecido isso, alunos até interessantes e interessados, mas fora do contexto, já que o ano passado eles formaram a primeira turma... e o início de todas as coisas é sempre meio bambo.
Agora é só aguardar o fim do mês. De dedos cruzados.