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domingo, 16 de março de 2014

Zazie no metrô

Foto da capa do livro tirada do site da Cosac Naify

Raramente perco tempo falando de coisas de que não gosto, pois fico achando que não vale a pena. Em geral, simplesmente ignoro o que não gosto e pronto, tomo como uma questão de gosto pessoal (tem gente que gosta de azul, outras, de amarelo ou vermelho, e assim por diante), mas fiquei com vontade de comentar sobre Zazie no metrô, do Raymond Queneau, traduzido por Paulo Werneck e publicado pela Cosac Naify, que acabei de ler hoje.

Por onde começar?

Não lembro se foi no ano passado ou retrasado que vi Zazie no metrô (Zazie dans le métro), adaptado pelo diretor Louis Malle (que também dirigiu Adeus, meninos, que eu adorei), pois é considerado um clássico, e não gostei. Apesar disso, quis tentar ler o livro, porque muitas vezes os livros são melhores que as adaptações para cinema... só que, dessa vez, achei o livro tão ruim quanto o filme.

Achei a história besta, e os personagens mais ainda, principalmente a Zazie, uma menina de uns sete ou oito anos, que fala muito palavrão - tudo para ela é "o caralho" ("- Vamos retomar a conversa. / A conversa o caralho."), é desbocada e espertinha. Ela vem do interior e é deixada pela mãe, que aparentemente assassinou seu pai quando ele tentava abusar dela, com o tio Gabriel em Paris por um fim de semana, enquanto ela, a mãe, se encontraria com o novo namorado. Seu sonho é andar de metrô, mas ao saber que há uma greve dos metroviários e não poderá fazer isso, fica mal-humorada. Com o tio e amigos do tio, vive algumas situações e confusões em Paris. Também não entendi direito por que o autor escreveu o livro com várias palavras fora da norma padrão, aliás, deduzo isso, porque o tradutor também teve o trabalho de reproduzir isso no texto em português (por exemplo: djins [jeans], milhor, Deusdossel, hormossecsual, esprimentar, entre várias outras). Essas palavras fora do padrão não são ditas exclusivamente pela Zazie, uma menina do interior, para marcar uma forma de linguagem dela, mas são usadas por todos os personagens.

Meu exemplar veio faltando oito páginas (da 137 a 144), mas já escrevi para a editora para ver se trocam.

Apesar de não ter gostado do livro, o projeto gráfico é LINDO. Imprimiram em papel bíblia em folhas unidas de duas em duas, sendo que na parte de dentro imprimiram imagens em vermelho e azul, então, como o papel é fino, dá para ver as "sombras" dessas imagens enquanto lemos. Se colocar a página em contraste com a luz, dá para ver melhor. Parece um presente ruim, embrulhado com muito esmero para valorizar o conteúdo.

O livro original foi publicado em 1959, e talvez tenha sido genial para a época e ainda seja genial hoje, mas não consigo ver nem entender a genialidade. Li um posfácio do Roland Barthes que consta no livro, mas ele não me convenceu. Parece que o livro, para ele, tem a ver com niilismo e paradoxos. Para mim, não acrescentou nada.

Mas também não sou uma leitora exemplar de clássicos nem especialista em literatura. Por exemplo, não gostei de O apanhador no campo de centeio e Proust (Em busca do tempo perdido) me dá sono. 

Pronto, falei.


P.S.: Atualização em 28/03/2014 - A editora Cosac Naify trocou o livro com páginas faltantes por um completo; enviaram um serviço dos correios para retirar a minha cópia e postaram uma nova. Foram muito rápidos e solícitos.

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