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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Como interpretar um silêncio



Como interpretar o silêncio que vem depois de uma pergunta?

Como interpretar os vários silêncios do dia a dia?

O silêncio que precede um "não" (quando gostaríamos de ouvir um "sim" - ou vice-versa) ou antes de um "adeus" (quando não gostaríamos de partir ou que o outro partisse).

O silêncio daquela empresa que prometeu um retorno sobre a entrevista para um trabalho que tanto queríamos, e nunca liga. 

O silêncio diante de duas pessoas que não se gostam, apenas se toleram, sendo que gostamos das duas.

O silêncio pela falta de assunto com vizinhos ou pessoas desconhecidas dentro do elevador.

O silêncio diante do choque. Ou choques. Diante das crianças no meio de um tiroteio, da mãe inocente que morre com o filho nos braços, do filhinho de papai que, em alta velocidade, destrói com uma velocidade ainda maior a vida de pessoas inocentes - e nunca será punido -, de pessoas sendo espancadas sem motivo, de animais sendo torturados e mortos por esporte. O silêncio antes da lágrima.

Como encarar o silêncio ao falar com alguém que se ama muito e não conseguir colocar o sentimento em palavras, porque, de tão grande, o sentimento não cabe em palavra nenhuma?

O silêncio diante da tragédia. O silêncio diante de uma alegria inominável. O silêncio diante de uma solidão mansa. O silêncio que ecoa.

O silêncio de uma carta extraviada, de um e-mail que não chega, de alguém que liga, mas não diz nada.

O silêncio ao nos darmos conta de alguma verdade. Ou de alguma mentira.

Às vezes o silêncio é tudo que nos resta.

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