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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Contos de mentira - Luisa Geisler


Título: Contos de mentira
Autora: Luisa Geisler
Editora: Record
Nº de páginas: 128
Ano de publicação: 2011

***

Esse foi o segundo livro da Luisa Geisler que li. O primeiro foi Luzes de emergência se acenderão automaticamente, que tem uma capa linda.

[Esse post deveria ser apenas sobre o Contos de mentira, mas gostaria de aproveitar para comentar sobre esse outro livro também.]



Em Luzes de emergência..., Henrique (Ike), um garoto universitário de Canoas, no Rio Grande do Sul, que também é a cidade natal da autora, escreve cartas para um amigo, Gabriel, que está em coma em um hospital. As cartas supostamente são para Gabriel saber o que aconteceu enquanto ele estava "dormindo" depois que ele acordasse. Nas cartas Henrique conta sobre seu dia a dia, sobre o trabalho em uma loja de conveniência de um posto de gasolina, a namorada, os amigos, já que não pode mais conversar com Gabriel, como faziam antes.

O que me chamou a atenção é que tudo parece muito verossímil. A história parece mesmo narrada por um garoto de vinte e poucos anos; as marcas de linguagem tipicamente gaúchas foram mantidas (tu, ti, contigo, algumas gírias ou modos de expressão); para quem já foi a Canoas e já andou de Trensurb, as descrições são perfeitas. A narrativa flui bem e a leitura é instigante.

Saiu uma matéria sobre esse livro no jornal Estadão em julho de 2014 (cliquem aqui para ler).


Foto tirada da matéria do Estadão

Antes de falar sobre Contos de mentira, gostaria de comentar um pouco sobre a Luisa Geisler, porque a trajetória dela é impressionante... em 2010, com 19 anos, ela ganhou o Prêmio SESC de Literatura na categoria contos (Contos de mentira) e, no ano seguinte, ganhou esse mesmo prêmio na categoria romance (Quiçá - comprei esse livro, mas ainda não li). Ela também integrou a antologia dos 20 melhores jovens autores brasileiros da Granta em 2012 e foi colunista da revista Capricho, voltada para adolescentes. Hoje ela está com 23 ou 24 anos, está escrevendo o terceiro livro e, ao que tudo indica, ele sairá pela Cia. das Letras, pois ela ganhou uma coluna no blog da editora há algum tempo (leiam aqui) e, no último post, ela fala sobre o que sabe sobre o próximo livro dela. O tema dá vontade de ler.


Gostei mais Contos de mentira do que de Luzes de emergência... talvez pela diversidade de personagens e histórias e pela escrita soar mais madura. Ele é composto por 17 contos em que, em maior ou menor grau, a mentira aparece. A Luisa conta (não sei se na entrevista nos vídeos que colocarei no fim desse post ou em outra entrevista escrita) que teve a ideia para este livro quando leu em alguma matéria que todo mundo conta mentiras bobas e até desnecessárias (que compramos algo na liquidação, que fumamos só X cigarros, que bebemos só X cervejas...).

Um dos meus contos preferidos é "O vinco", sobre um descendente de japoneses, estudante de Engenharia da USP, que faz origamis (dobraduras) e presenteia as pessoas com eles - só que, antes de fazer os origamis, ele escreve frases, porque, supostamente ninguém vai desmanchar o presente e ler o que ele escreveu, mas um dia isso acontece. O outro preferido é "Parque de diversões", em que um garoto está a fim de uma menina, os dois passeiam por um parque de diversões e andam na roda gigante enquanto trocam algumas palavras, embora, aparentemente ela não esteja se divertindo muito. Tem um conto que achei bem autobiográfico: "ESPM", em que uma garota de 19 anos que está indo prestar Vestibular pega um ônibus, pede para o cobrador avisá-la quando chegasse a um determinado ponto, mas ele esquece; enquanto isso, vamos acompanhando os pensamentos confusos da garota.

Recomendo a leitura de Contos de mentira e, se gostarem, leiam também Luzes de emergência se acenderão automaticamente. Estou curiosa para ler Quiçá.

Abaixo estão dois vídeos com uma entrevista que ela deu em 2013 e achei interessante:





3 comentários:

Karen disse...

Tenho curiosidade em ler os livros da Luisa, leio muito poucos livros de literatura brasileira, contemporânea então... uma vergonha... Bom saber que gostou, li um artigo em que ela escreve sobre seu novo livro, parece interessante, sua ideia era usar uma palavra japonesa como título.

aline naomi disse...

Ah, eu gosto de ler literatura brasileira, entre outras (literatura oriental ou de países onde provavelmente nunca irei)! Gosto de acompanhar, sempre que dá, o que os autores nacionais andam escrevendo e o que está sendo publicado por aqui. Recentemente também li "Todos nós adorávamos caubóis", da Carol Bensimon (outra gaúcha) e gostei muito - vou escrever um post sobre esse livro no meu outro blog assim que puder; um amigo indicou "Sinuca embaixo d'água", também da Carol, mas não gostei tanto... tive a impressão de que algumas pontas ficaram soltas e houve um episódio nesse livro que julguei desnecessário porque não levou a lugar nenhum. Estou para ler "Barba ensopada de sangue", do Daniel Galera, e "Sinfonia em branco", da Adriana Lisboa (uma amiga da faculdade me indicou, disse que eu ia adorar - acho que com o passar do tempo ficamos meio "óbvios", as pessoas já sabem do que gostamos); uma outra amiga recomendou "Rakushisha", dessa mesma autora, que também fiquei interessada em ler.
Também já li, há alguns anos, "A chave de casa", da Tatiana Salem Levy, mas gostei só da metade narrada pelo irmão; a metade narrada pela irmã é melodramática e cansativa demais.
Uma autora sobre quem sempre leio é a Carola Saavedra, mas nunca li nada dela ainda.
Raphael Montes (que deve ter uns 22 anos agora) talvez se torne nossa Agatha Christie - dele li "Dias Perfeitos" e gostei; é entretenimento, mas a leitura prende (apesar de alguns detalhes inverossímeis e tragicômicos) - li avidamente porque queria saber o que acontecia no final.

Imagino que o fato de trabalhar no meio editorial me "obriga" a me inteirar sobre essas coisas, os lançamentos, os autores contemporâneos, o que os leitores estão buscando. Sempre acho que preciso ter essa noção do que acontece no mercado, tentar identificar certas tendências para deduzir o que as pessoas querem ler. Mas por enquanto aqueles livros de colorir não me convencem e me recuso a comprar/consumir!

Karen disse...

Ainda bem que posso me "atualizar" pelo seu blog. Para falar a verdade, tenho lido cada vez menos ficção. Deve ser a idade. rs