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terça-feira, 14 de julho de 2015

Lições sobre "certo" e "errado"


Fui assistir ao filme búlgaro/grego "A Lição" no Caixa Belas Artes na semana retrasada, por recomendação de um conhecido cinéfilo (o Marcelo, que escreve o ótimo Alta Periculosidade) e gostei muito.

"A Lição" me fez questionar a noção de "certo" e "errado" e constatar (o óbvio) que tudo depende das circunstâncias e do contexto.


O filme já começa com Nade, uma professora em uma pequena cidade na Bulgária, tendo que lidar com o fato de alguém ter roubado dinheiro de uma aluna. Ela explica a situação em sala de aula e depois pede para que todos abram as mochilas e bolsas e esvaziem os bolsos para que a colega que foi roubada procure seu dinheiro. Como ela não o encontra e ninguém confessa o roubo, a professora pede para que todos os alunos deem uma moeda para que a garota possa comprar o lanche. A garota chega a dizer que está com vergonha de aceitar o dinheiro, mas a professora responde que quem tem que ter vergonha é o ladrão, que agora deve dinheiro para a sala inteira.

Nade é honesta e acredita que todos deveriam ser honestos e ter valores também. Até que um dia ela volta do trabalho e, ao se deparar com um fiscal do governo em sua casa, descobre que o marido desempregado não pagou as dívidas da casa como deveria e que ele gastou o dinheiro que ela tinha dado tentando consertar sua velha caminhonete. Agora eles têm três dias para quitar uma dívida enorme, senão serão despejados. Como ela vai resolver o problema?

Uma das coisas que me chamaram a atenção é a força da Nade. O marido dela é imprestável - só toma conta mais ou menos da filha pequena deles e vive mexendo na caminhonete - e ela sabe disso; ela sabe que ela terá que resolver sozinha o problema do dinheiro. Talvez por conformismo, ela não surta, não grita, não chora e não diz que tem vontade de matar o marido pelo que ele fez. Sentimos nos próprios ombros todo o peso que Nade carrega.

Primeiro, ela tenta receber pagamentos atrasados de traduções que ela fez para uma empresa. A secretária informa que ela será paga, para ela não se preocupar. Depois tenta receber um dinheiro da escola - pelo que entendi, o salário dela também estava atrasado -, ela consegue convencer o diretor a pagá-la, mas o dinheiro só vai cair na conta dela depois da data em que ela precisa quitar a dívida da casa. O diretor da escola que, aparentemente, conhece o pai dela, sugere que ela peça o dinheiro para o pai. Talvez por orgulho, ela só recorre ao pai quando vê que não tem outra opção. Mas acaba se desentendendo com o pai e sua segunda mulher (que Nade detesta) e não consegue o empréstimo do pai também.

Sua última opção é pegar um empréstimo com um agiota. Aí as coisas começam a ficar ainda mais complicadas.

O filme é muito bom. Recomendo!





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