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terça-feira, 21 de julho de 2015

O uivo da gaita


Há algum tempo vi esse filme aqui. Queria ter visto no cinema, mas na época em que estava em cartaz - por bem pouco tempo -, não pude ir. [Quando sair em DVD/blu-ray quero ver de novo com qualidade melhor.]

"O uivo da gaita", de Bruno Safadi, faz parte da trilogia Sonia Silk (leiam mais sobre isso aqui); os outros dois filmes que a compõe são "O Rio nos pertence" e "O fim de uma era".

Tanto no site de filmes online grátis onde vi o filme quanto no site Filmow, o público em geral não gostou e quase todos fizeram comentários negativos, mesmo assim, eu quis ver. E, diferentemente da maioria, eu gostei.

O filme gira em torno de um triângulo amoroso formado por Antônia (Mariana Ximenes), Pedro (Jiddu Pinheiro) e Luana (Leandra Leal).

Imagino que a maioria das pessoas não gostou porque o filme não é linear; não é uma história com começo, meio e fim. A narrativa é fragmentada e não dá para entender exatamente o que aconteceu e em que ordem.

Depois de um tempo, dá para notar que a relação entre o casal Antônia e Pedro está estacionada; há uma certa mornidão e tédio no cotidiano deles.

Em uma cena, logo no início, há uma cena linda, em que, depois de Antônia preparar um almoço japonês, eles estão comendo ao ar livre em uma mesa preparada para a ocasião. Copos e vasilhas começam a quebrar e "derreter" e o líquido, a derramar, mas o casal continua comendo normalmente. Para mim foi um indício de que a história não deveria ser considerada "real" e também uma metáfora de que a relação talvez estivesse "transbordando" de alguma forma.


Antônia e Luana em fuga para um "paraíso particular"

No fim das contas, interpretei o filme como um sonho de Antônia. Por isso as cenas iam e vinham sem muita lógica e também fora de ordem cronológica. Talvez um desejo reprimido dela por Luana, na vida real, que estava se realizando em sonho.


No filme não é possível ouvir as conversas entre os personagens - o que fez muita gente odiá-lo e a ironizar "o cinema mudo voltou". Para mim, esse é outro indício de que se tratava de um sonho, pois, quando estamos sonhando, muitas vezes não conseguimos ouvir o que as pessoas estão falando ou o que estão falando e fazendo não faz muito sentido. E o fato de não haver diálogos nítidos, para mim, é um ponto positivo. Às vezes a verborragia dos personagens (tanto no cinema quanto na literatura) me entedia - fico pensando se era mesmo necessário colocar falas ali e/ou se os personagens precisam falar tanto para, no fundo, dizer muito pouco ou quase nada.

Em uma cena em que Antônia está lendo, cheguei a pensar que a história a que eu estava assistindo era fruto do livro que ela estava lendo. Ela estava se colocando no lugar de uma das personagens para fugir do tédio matrimonial. Mas depois concluí que não era isso.


As cenas são muito bonitas, dá prazer assistir. Até porque é um filme sensual/ sensorial; encanta pela beleza visual, além de conter elementos que aguçam o tato, o paladar, o olfato e a audição.


Antônia e Luana em uma praia deserta

Me surpreendi muito com esse filme, ainda mais por ser nacional (apesar de gostar e torcer muito pelo cinema brasileiro, em geral, não há grandes surpresas - há muitas comédias e filmes que exploram a pobreza no enredo; e às vezes essa mesmice cansa), porque ele dá margem para cada um interpretar a história como quiser (ou não interpretar nada e escrever na internet que só assistiu 10 ou 20 minutos porque o filme era insuportável ou, ainda, que só queria ver as protagonistas se pegando).

O que será que elas estão falando?

O trailer do filme é este:



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