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domingo, 26 de julho de 2015

Os ônibus, o pêndulo, uma frase... - Rodrigo Bardo



Título: Os ônibus, o pêndulo, uma frase, algumas histórias e, quiçá, o diploma
Autor: Rodrigo Bardo [pseudônimo de Rodrigo José do Nascimento Moura]
Editora: ---- [Publicação independente]
Nº de páginas: 104
Ano de publicação: 2013
Onde comprar: http://rodrigobardo.wix.com/onibus

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Encontrei esse livro por acaso no site Skoob (rede social de leitores/ sobre livros, que permite organizar as leituras: os livros que já foram lidos, os que queremos ler, traçar uma meta de leitura anual, incluir comentários ou resenhas públicas que podem ser visualizados por outros usuários - recomendo para quem lê muito), enquanto buscava o livro Quiçá, da Luisa Geisler.

Apesar de o título longo demais não ter me animado a princípio, li críticas positivas (todas escritas por pessoas da região onde o autor mora) no próprio Skoob e fiquei interessada por se tratar de uma publicação independente de um autor de Lagarto, interior do Sergipe - pesquisei no Google porque queria ter uma ideia de como era a cidade, ver fotos, e também descobri que essa cidade está entre as mais violentas do país.

Rodrigo Bardo escreveu esse livro-reportagem em 2009, quando era estudante de jornalismo ou talvez logo depois de se formar no curso, lançou-o gratuitamente na internet em 2011, depois o livro foi impresso em 2013 e agora ele o vende em um site próprio. Ele também fez a diagramação e tirou as fotos de capa e contracapa.

Gostei do empreendedorismo do Rodrigo em fazer o livro sozinho (escrever, diagramar, lançar virtualmente e depois a versão impressa), mas também sugeri que ele enviasse o original a alguma editora do Rio ou de São Paulo, para que fosse mais divulgado e lido, porque, infelizmente, a maioria dos livros lançados fora do eixo Rio-SP não fica conhecido. Por um motivo ou outro, ele nunca respondeu esse e-mail.

O caso do Rodrigo ilustra bem como está ficando cada vez mais fácil os autores se autopublicarem (o site da Amazon está aí para provar isso também), ao mesmo tempo, me fez pensar no papel do editor. Em geral, o livro em questão é bom, mas poderia ficar melhor. Como costuma dizer o sr. B., o editor com quem trabalho, "o editor precisa achar as falhas, analisar criticamente sempre, para melhorar a publicação". Por exemplo, o título é longo demais (em geral o título precisa ser algo curto e marcante, algo fácil de lembrar), talvez poderia ter um subtítulo; o texto é irregular no sentido de uma hora o tom estar entre formal e informal (texto jornalístico que dá vontade de ler) e em alguns momentos empregar palavras de uso formal demais para o que foi proposto - o autor usa termos como "grosso modo", "destarte" (que eu nem sabia o que era, quer dizer "dessa maneira"), "quiçá" e, ao mesmo tempo, "turma do fundão"; apesar de a versão impressa ter saído em 2013, o texto não considerou o Novo Acordo Ortográfico, então tem palavras grafadas com trema.

Depois de ter analisado "criticamente" a obra, vou falar do conteúdo, que é bem interessante. Rodrigo escreve sobre estudantes que saem de cidades do interior do Sergipe para estudar na capital, Aracaju, e retornam a essas cidades depois das aulas, o que é denominado "movimento pendular", porque lembra o movimento de um pêndulo que vai e volta. Fala das dificuldades dos estudantes que trabalham e precisam estar pontualmente no ponto de ônibus, das condições nem sempre boas dos ônibus, da falta de assento para todos que precisam do transporte, mas também das amizades ou namoros que vão se fazendo ao longo das viagens de ida e volta e até das festas promovidas dentro dos veículos, como uma festa junina.

Me identifiquei um pouco, pois atualmente também faço parte do "movimento pendular" e da população flutuante de Alphaville, na Grande São Paulo (fiz uma pesquisa rápida e parece que a população flutuante diária gira em torno de 200 mil pessoas em Alpha). Em média, levo duas horas para ir para o trabalho e duas para voltar (só de ônibus, gasto cerca de 1h20 na ida e o mesmo tempo na volta); às sextas, demoro em média três horas para voltar por causa do número de veículos ainda maior, que complica ainda mais o trânsito dentro de Alphaville e na rodovia Castelo Branco. Nessas viagens de ônibus, em geral, não acontece nada de anormal; que me lembre, desde que trabalho em Alpha (2011), o ônibus quebrou uma vez (aí esperamos até vir outro) e algumas vezes, quando chovia muito e o trânsito estava muito mais complicado que o normal, demorei cerca de cinco horas para chegar em casa. Em geral as pessoas vão dormindo, lendo, ouvindo música, mexendo no celular ou conversando com um conhecido ao lado, ou, quando o ônibus está lotado, algumas pessoas precisam fazer o trajeto de pé.

Se alguém escrevesse um livro-reportagem com a população flutuante de Alphaville, eu ia me interessar em ler.

6 comentários:

Tati* disse...

Às vezes acontecem algumas coisas interessantes no ônibus SP <-> Alphaville. De manhã, geralmente pego ônibus com uma menina que leva um cobertor, e ela dorme muito rápido, porque pego o bus no primeiro ponto e ela já está dormindo. Tbm conheci uma mulher no ponto de ônibus e conversamos eventualmente (na verdade faz tempo que não a vejo, ela pode ter começado a ir de carro ou estar de férias...). Sempre tem coisas curiosas que acontece no ônibus, ma nem sempre prestamos atenção :)

aline naomi disse...

Tati!
Você também ainda continua trabalhando em Alpha! =D
Acho que não percebo as coisas interessantes que acontecem nos ônibus porque, na maioria das vezes, estou lendo ou dormindo... ultimamente, mais dormindo... :)
Lembrei de uma vez que tinha um cara que pegava ônibus no mesmo ponto que eu e, mesmo tendo quase todos os assentos livres, ele vinha sentar do meu lado. Depois que ele fez isso pela segunda vez, pedi licença e fui sentar em outro lugar. Na terceira vez que ele veio sentar do meu lado, pedi licença de novo e fui sentar em outro lugar. Eu estava com uma neura que ele estava me marcando para me assaltar ou algo assim. Mas depois ele parou de vir sentar do meu lado, mas vi que ele fazia isso com outras mulheres também (e algumas levantavam e iam sentar em outro lugar também haha). Depois disso, das poucas vezes que peguei ônibus com ele, ele se sentou perto do corredor, mas sem ninguém sentado perto da janela. Concluí que ele fazia isso porque era um dos primeiros a descer em Alpha e não queria sentar perto da janela para (supostamente) não ter que incomodar quem sentasse no corredor.

Tati* disse...

Ahhh... haha
Eu sempre sento na janela porque durmo na vinda... e as vezes nem vejo qdo alguem senta ao meu lado.
Na volta, qdo eu consigo sentar na janela geralmente ngm senta do meu lado e eu posso esticar as pernas.
Acho que te vi no bus outro dia, mas não tinha certeza então não falei com vc... da próxima vez, serei cara de pau... o máximo que pode acontecer é a pessoa não ser vc e me achar estranha... haha... mas tudo bem :)

aline naomi disse...

Ahhh, você me viu dentro do bus?! Eu estava dormindo? Haha
Ando com uma mochila vermelha (só pra ficar mais fácil de identificar). Sim, quando me vir (se achar que sou eu), venha falar comigo! ;) Se eu te vir (ou achar que é você), vou falar com você também - raramente vejo orientais nesses ônibus, então acho que a probabilidade de ser você vai ser grande... =D

Tati* disse...

Ahhh... combinado!

Vc tava lendo V de Vingança (eu acho... e se era vc... haha).
Eu tenho uma mochila preta que pode ser usada de lado ou nas costas... haha

aline naomi disse...

Quase certeza que era eu! Hahaha... mas isso já faz um bom tempo, né? Faz tempo que li "V de Vingança". E isso te chamou a atenção porque é da Panini, né?! ;P