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domingo, 19 de julho de 2015

Réquiem - Shizuko Go


Título: Réquiem
Autora: Shizuko Go [pseudônimo de Michiko Yamaguchi]
Tradutora: Sonia Moreira [a partir da publicação em inglês Requiem]
Editora: Record
Nº de páginas: 144
Ano de publicação: 1994

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No começo, não gostei do que estava lendo. A leitura estava meio confusa, pois, logo de cara, a autora apresentou vários personagens ao mesmo tempo e também porque me decepcionei ao constatar que não se tratava de um livro em forma de diário como a sinopse e a chamada na capa [A visão de uma adolescente japonesa da Guerra, só comparável ao dramático "O Diário de Anne Frank"] davam a entender. No entanto, conforme fui avançando as páginas, Setsuko Oizumi (16 anos) e Naomi Niwa (14 anos) foram instigando a leitura.

Não tenho certeza de que misturar narrativa em terceira pessoa com cartas que as jovens escreviam uma para a outra tenha sido uma escolha acertada (na verdade não eram exatamente cartas, eram mensagens escritas em um caderno cinza - em referência ao primeiro volume, "Le cahier gris", do livro Os Thibault, escrito pelo francês Roger Martin du Gard, que tem como pano de fundo a 1ª Guerra, sendo que este livro é citado várias vezes pelas garotas ao longo de Réquiem, pois era um dos livros preferidos de Naomi e ela o emprestara para a amiga). Apesar disso, é interessante notar o contraste entre a "realidade" vivida no Japão durante a 2ª Guerra Mundial e os sentimentos, ideias e visão pessoal das jovens.

Setsuko é uma garota-modelo, centrada nos estudos, boa filha, uma pessoa equilibrada, e persiste na ideia de que é preciso se sacrificar para que o Japão ganhe a Guerra (e não se deixa abater quando o governo a recruta, assim como vários outros estudantes, para trabalhar em uma fábrica de equipamentos de uso bélico - muito pelo contrário, ela fica contente em poder dar alguma contribuição); por outro lado, Naomi, talvez por ter tido uma educação mais "aristocrática" (seu pai era economista e professor universitário e fora preso por divergências ideológicas com o governo) e também por gostar de ler, tinha uma visão mais contestadora: não entendia a guerra e por que exatamente deveria dar o melhor de si para que o Japão ganhasse em vez de lutar por sua própria sobrevivência.

Apesar da diferença entre as duas garotas, um incidente no colégio faz com que as duas se aproximem e se apoiem. Assim, por meio das cartas delas, ficamos sabendo de seus questionamentos e amadurecimento diante das situações dramáticas que vivem.

O livro é um recorte dos horrores da 2ª Guerra, situação que também já foi retratada na clássica animação japonesa "Hotaru no Haka" (Túmulo dos vaga-lumes) e, após a leitura, assim como Naomi, talvez nos questionemos: "Por que nós fazemos guerras, afinal, se somos todos seres humanos?".


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