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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Adaline e o tempo


Ontem eu e a Yuri fomos ver "A incrível história de Adaline", dirigido por Lee Toland Krieger (não conheço), protagonizado por Blake Lively (não conhecia), conhecida por interpretar uma personagem numa série chamada "Gossip Girl" (nunca vi). Mas, enfim, queria conferir o filme porque a sinopse e o trailer pareceram interessantes e, no fim, foi só um filme bonitinho e bobinho desses que passam na Sessão da Tarde.

Adaline Bowman nasceu na virada do século XX, viveu uma vida "comum", se casou, teve uma filha, ficou viúva e ia levando a vida até sofrer um acidente de carro numa noite atípica em que nevou em São Francisco. Ela tinha 29 anos na época.

Apesar de ter ficado sem respirar por dois minutos embaixo d'água (o carro havia caído num rio ou lago), um raio faz com que o coração dela volte a bater. Depois desse episódio, ela não envelhece mais, ficando com a aparência de uma mulher de 29 anos por muitos anos. Um dia, ela é parada por um guarda de trânsito enquanto dirigia e ele desconfia dela por causa da aparência (pela carteira de motorista, ela tinha quarenta e poucos anos, mas a aparência era de alguém muito mais jovem) e ela começa a ser perseguida pelo FBI, pois queriam fazer experimentos com ela.


Por conta disso, a cada década, ela passa a mudar de identidade, conseguindo documentos falsos, e também de casa. Chega uma época em que a filha de Adaline começa a ficar com uma aparência mais velha que a própria mãe e, no fim do filme, a filha está com uma aparência de avó dela.

[A partir daqui, spoilers!]

No meio do filme, descobrimos que Adaline teve um grande amor além do seu marido, mas, por não poder contar seu segredo a ele, fugiu.


Quando ela está com 107 anos (mas com aparência de 29!), conhece um outro rapaz, Ellis, e eles se apaixonam. Coincidentemente (só em filmes bobos mesmo!), o pai de Ellis é o ex grande amor da vida dela. Quando Adaline e o pai de Ellis são apresentados, na hora, ele diz, surpreso: "Adaline Bowman!"; ela fica muito espantada e nega: "Na verdade, Jenny. Adaline era minha mãe".



A partir daí acontecem alguns pequenos percalços, mas tudo acaba em happy end. Lógico.

***

Bom, eu quis ver esse filme porque gosto de filmes que trabalham a temática do tempo. Gosto muito de Em algum lugar do passado, O curioso caso de Benjamin Button e De volta para o futuro (ainda não vi a trilogia inteira), mas esse filme foi meio decepcionante. Começa com uma premissa boa, mas depois meio que se perde quando Adaline se apaixona e o filme passa a girar em torno disso.

Alguns detalhes que chamaram minha atenção: 

Adaline trabalha em uma biblioteca, gosta de ler, incluindo tentar ler livros em braile (talvez porque ela tem uma amiga pianista cega), e aprender idiomas (há uma parte em que ela até se arrisca a falar português para ajudar Ellis em uma negociação). De certa forma, ela também é um "livro" com várias histórias - as próprias e as de um século inteiro!

Há uma cena em que alguém da biblioteca pede para ela catalogar ou arquivar rolos de filmes antigos, com imagens históricas. Adaline pega um desses rolos e começa a assistir; o que vemos com ela são várias cenas antigas de São Francisco, a construção da famosa ponte Golden Gate (o marido dela e outras pessoas envolvidas na construção da ponte morreram quando um andaime despencou -  isso de fato aconteceu, como li aqui) e a modificação da cidade com o passar do tempo. Imagino que esse trecho foi uma pequena homenagem do diretor à São Francisco.

Ao contrário de histórias em que as pessoas querem ser jovens para sempre e fazem de tudo para conseguir isso (já viram o filme "Escravas da vaidade"? Pois é), Adaline nunca quis isso para si. Simplesmente aconteceu. E é engraçado que, bem no final do filme, ela fica feliz quando encontra um cabelo branco entre as mechas loiras, sinal de que o tempo começou a agir. 

O tema é fascinante, mas tive a impressão de que foi desperdiçado. Apesar disso e de cenas muito romantiquinhas e melodramáticas aqui e ali, é um bom entretenimento.

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