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domingo, 30 de agosto de 2015

Neil Gaiman - duas leituras


Esse fim de semana terminei de ler O Livro do Cemitério e há algum tempo li A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras, ambos do Neil Gaiman e emprestados pelo Sergio, que também é fã do desse autor.

Neil Gaiman é mais conhecido como roteirista da série Sandman (que eu ainda não li, mas o Sergio disse que eu preciso ler, além de ter dito que eu me pareço com a Morte, uma das personagens de Sandman - o que me deixou curiosa para saber mais sobre ela).

Gostei demais de A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras, cuja ideia surgiu em 2010, quando Gaiman foi convidado a fazer uma performance no Sydney Opera House enquanto o quarteto de cordas FourPlay tocava. Durante a performance (leitura do conto feita por Gaiman), pinturas feitas por Eddie Campbell eram projetadas numa tela - as ilustrações feitas por ele também compõem o livro.

A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras é a história de um anão que, com a ajuda de um homem, vai até as Montanhas Negras, onde há uma caverna da qual poderá tirar todo ouro que conseguir carregar. Apesar de todos dizerem que esse ouro é amaldiçoado, o anão insiste em ir até lá.



O legal do livro é que ele contém ilustrações que são continuações (e não repetições) do texto. Há uma mistura equilibrada entre texto e ilustrações/quadrinhos com falas.

A leitura é bastante instigante, pois como o clima é sempre sombrio, temos a impressão de que os dois personagens têm muitos segredos, além de ficarmos curiosos para saber se eles vão conseguir chegar à Montanha Negra (o caminho é bastante complicado, há névoa, lama, é preciso pegar um barco, a escalada pelas montanhas é difícil), se o anão vai conseguir pegar o ouro e o que vai acontecer com ele, qual a real motivação para ele querer o ouro amaldiçoado, qual a intenção do guia que o leva até lá, além de ganhar algum trocado. Esse conto merecidamente ganhou alguns prêmios; é muito bom.



O Livro do Cemitério é bem mediano. Sou fã do Gaiman, mas não sou fanática a ponto de dizer que tudo que ele faz é bom. É um texto bem escrito, estruturado, mas falta "algo". A história não me dá vontade de querer ler loucamente para chegar no fim, como aconteceu com o A Verdade é uma caverna...

Gostei da sinopse e o começo do livro também é bom: uma família é assassinada - pai, mãe e a filha desse casal -, mas um bebê, membro mais novo da família assassinada, consegue fugir. O assassino vai atrás do bebê, mas não consegue encontrá-lo para matá-lo conforme o plano original. O bebê acaba se refugiando em um cemitério e sendo cuidado por "fantasmas" de pessoas que foram enterradas lá. Ele ganha pais adotivos e é batizado de "Ninguém Owens" (Owens é o sobrenome do casal que o adota), ou simplesmente "Nin", além de um guardião - que ensina muitas coisas a ele e o tira de alguns problemas.


É uma ideia original, mas depois começa a cansar. Nin vai crescendo entre as sepulturas e entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos, enquanto o assassino de sua família continua procurando-o, pois precisa eliminá-lo para que a ordem de uma sociedade secreta da qual faz parte continue existindo. Há alguns elementos à la Harry Potter (Nin é ensinado a "sumir", a "provocar medo", entre outros tipos de magia) que são meio entediantes.

O fim é bastante previsível e eu não gostei muito.

Mas, também, preciso levar em consideração que esse livro é um livro infantil ou infantojuvenil, escrito para um público-alvo (imagino) de 8 a 14 anos etc. e tal. Mesmo assim, é um livro chatinho. Tem livros infantis bem melhores, mais inteligentes e instigantes (A árvore generosa, A bolsa amarela, O escaravelho do diabo...).

Mas aí, como comecei a leitura, queria só confirmar se ia acabar tudo em happy end mesmo...  imagino que livros para crianças precisem ser meio assim; do contrário, é ou pode ser muito chocante: o personagem principal morre, todo mundo de bem morre e o mal domina o mundo. Na vida real isso é bastante possível, mas para as crianças deve ser importante acreditar que, apesar de todas as dificuldades, o bem sempre vence. Então tá.

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