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sábado, 1 de agosto de 2015

Sebastião Salgado e sua carta de amor ao planeta


Título: Da minha terra à Terra
Título original: De Ma Terre à la Terre
Autor: Sebastião Salgado com Isabelle Francq
Tradutora: Julia da Rosa Simões
Editora: Paralela
Nº de páginas: 158
Ano de publicação: 2014
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Li essa autobiografia do Sebastião Salgado por recomendação de uma amiga fotógrafa, a Ana, depois de ter assistido "O Sal da Terra", sobre a vida do fotógrafo, no cinema há alguns meses. Eu estava ansiosa para ver esse documentário, pois foi codirigido pelo Wim Wenders (um dos meus diretores preferidos) e por Juliano Salgado, filho do Sebastião Salgado. O documentário é ótimo e eu recomendo.


Não sei bem desde quando conheci o trabalho do Sebastião Salgado, mas lembro que comprei um pôster/ uma reprodução de uma das fotos dele depois de uma microexposição no hall da faculdade, em Rio Preto, em 2000 ou 2001. Mandei enquadrar o tal pôster, ele ficou no meu quarto em São José, e agora está no quarto do computador em São Paulo. Inicialmente eu queria uma foto de uma criança indígena, mas ela havia sido vendida, então fiquei com a segunda opção, que me faz lembrar que estamos todos em transição o tempo todo.

Churchgate Station, Western Railroad Line. Bombay, India, 1995.

Nossa, encontrei essa foto num backup de 2009 (pôster da foto ao fundo)...

Depois fui acompanhando notícias sobre os trabalhos dele e algumas entrevistas aqui e ali. Mas não tinha a noção do "todo", por isso gostei bastante de ler essa autobiografia; deu para conhecer conhecer toda a sua trajetória dele, desde quando era um menino do interior de Minas Gerais até se tornar um fotógrafo mundialmente conhecido e premiado.

Atualmente Sebastião mora com a esposa, Lélia, em Paris, onde se exilaram em 1969, com o filho Rodrigo, que tem Síndrome de Down [ele fala sobre isso no livro também].

Gosto muito de ler auto(biografias) em geral, pois elas me inspiram. E percebo que antes de realizarem grandes sonhos, as pessoas precisaram batalhar muito ["Nada vem de graça. Nem o pão, nem a cachaça", como diz a música]. Penso que a vida de algumas pessoas é um incentivo indireto para que todo mundo corra atrás dos próprios sonhos também - ou pelo menos é essa a sensação que tenho toda vez que leio uma biografia de alguém extraordinário ou que teve uma vida extraordinária.

Para mim, Sebastião Salgado teve (tem) uma vida extraordinária, pois pôde tirar o máximo da existência. Viajou o mundo, conheceu dramas humanos de perto com e pelo seu trabalho e também viu grandes belezas. Ele deve ter uma "visão global" da vida, do mundo, da essência das pessoas, de tudo que realmente importa. Ou talvez suas reflexões sejam mais frutos de sua longa jornada de aprendizado enquanto ser humano mesmo (ele nasceu em 1944, então, pelas minhas contas, está com 71 anos agora).

Ele se formou economista e trabalhava na Organização Internacional do Café antes de optar pela fotografia. E isso se deu meio "por acaso"; a câmera havia sido comprado pela esposa, para que ela pudesse fotografar prédios (ela estudava arquitetura na época, começo dos anos 1970) e ele também começou a fotografar. Imagino que o ponto crucial para tudo que aconteceu depois foi quando Sebastião decidiu deixar um emprego relativamente estável e bem remunerado para se dedicar à fotografia. No entanto, teve o apoio de Lélia (que, parece, apesar das dificuldades no início, sempre o apoio e ajudou com todos os planejamentos de viagens, exposições e livros). Como Sebastião passava longos tempos viajando a trabalho, imagino que a situação nem sempre era fácil para Lélia e para Juliano (que, aparentemente, sentia muita falta do pai durante a infância e não tinha uma relação muito boa com ele por conta disso, mas parecem ter se reconciliado no projeto do documentário).

"O que os escritores relatam com suas penas, eu retratava com minhas câmeras. A fotografia é para mim uma escrita. É uma paixão, pois amo a luz, mas é também uma linguagem. Poderosíssima. Quando comecei, não tinha limites. Queria andar por todos os lugares onde a beleza me comovesse. Mas também por todos os lugares onde houvesse injustiça social para melhor descrevê-la."

"Ao contrário do cinema e da televisão, a fotografia tem o poder de produzir imagens que não são planos contínuos, mas cortes de planos. São frações de segundos que contam histórias  completas. Em minhas imagens, a vida de cada pessoa com quem cruzei é contada por seus olhos, suas expressões e por aquilo que ela está fazendo."

No livro, ele também conta os bastidores dos projetos de fotografia dele, "Outras Américas", "Trabalhadores", "Êxodos" e também do trabalho mais recente, "Gênesis", que durou oito anos (2004-2011) - um projeto incrível cujo objetivo era retratar lugares que não foram modificados pelo homem.

Mês passado comprei o livro Gênesis, e é maravilhoso:


Algumas das fotos do livro:












Também vi essa exposição no fim do ano passado em Curitiba (no "Museu Niemeyer/Museu do Olho"). Foi muita sorte ter visto essa exposição lá; quando ela passou por São Paulo, não pude ir.






Também tenho um outro livro com fotos do Sebastião Salgado que faz parte da coleção "Photo Poche", publicado pela Cosac Naify. Essa coleção tem a proposta de ser uma introdução ao mundo da fotografia e apresenta livros de bolso de vários fotógrafos. Esse foi o primeiro fotolivro que comprei.


A história de vida do Sebastião Salgado, tanto quanto sua obra, é algo que vale a pena conhecer. A paixão dele pela fotografia é realmente inspiradora.

"Minha fotografia não é uma militância, não é uma profissão. É minha vida. Adoro a fotografia, fotografar, estar com a câmera na mão, olhar pelo visor, brincar com a luz. Adoro conviver com as pessoas, observar as comunidades - e agora também os animais, as árvores, as pedras."

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