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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

François Truffaut no MIS (Museu da Imagem e do Som)


Não lembro quando foi a última vez que fui ao MIS (Museu da Imagem e do Som). Talvez para ver a exposição do Kubrick no começo de 2014. Mas, enfim, voltei lá sábado a convite do Fábio para ver a exposição sobre a vida e obra do cineasta, roteirista e crítico de cinema francês François Truffaut (1932-1984). 

O Fábio já tinha visto a exposição, mas queria ver de novo - então pensei que devia valer muito a pena e fomos.

Em contrapartida, comentei com ele que estava tendo um festival de "animes criativos" promovido pela Japan Foundation lá no MIS também e que queria ver um deles. Aí vimos um anime e depois fomos ver a exposição.


Do Truffaut, só tinha visto "Fahrenheit 451" (1966), um dos meus filmes preferidos (assim como o livro homônimo do Ray Bradburry que inspirou o filme), sobre um futuro distópico em que os livros são proibidos e os bombeiros em vez de apagar incêndios trabalham policiando e prendendo pessoas "subversivas" [leitores] e queimando livros, e "Jules e Jim" (1962), sobre um triângulo amoroso em que uma mulher (Catherine) convive com dois homens (Jules e Jim), que são amigos. No entanto, ele produziu 21 filmes ao longo da carreira de 25 anos que também valem a pena ser vistos.


O design da exposição é todo baseado em rolos de filmes de cinema, que imagino que estão deixando de existir, já que as projeções são digitais. Gostei de como tudo foi montado, ficou bonito e instigante.

Texto em português

 Texto em francês

Todos os textos estavam em português e francês, imagino que para conservar as palavras originais (em francês) do Truffaut.


Não deu para deixar de notar um trio bem "deselegante" por lá (uma mulher meio perua e dois caras aparentemente gays) que ficavam muito tempo tirando fotos num mesmo lugar e às vezes atrapalhando a visita dos outros. A mulher ficava fazendo umas poses ridículas na frente dos objetos expostos. Vergonha alheia define. Tudo bem tirar algumas fotos de si mesmo para guardar de lembrança, mas as pessoas deveriam ter um pouco mais de bom senso, sei lá. Teve uma hora em que um dos funcionários pediu para que o trio parasse de tirar fotos com flash e eles tentaram argumentar. Também não sei de onde essas pessoas aparecem.


Nas salas como na foto abaixo havia mesas circulares simulando rolos de filmes com fotos, livros, cartas, partes de roteiro e outros objetos sob tampos de vidro. 



Em alguns "corredores", os visitantes podiam colocar fones de ouvido e ver trechos de filmes e entrevistas com o Truffaut nessas cadeiras em estilo diretor de cinema. Vi só alguns vídeos e gostei de um discurso que o Truffaut faz em homenagem ao Hitchcock, diretor de quem era fã e que o inspirou a fazer alguns filmes de suspense, como "O último metrô" e "A sereia do Mississipi".

Mesa circular com objetos

Um dos círculos da mesa circular e objetos de "A sereia do Mississipi"




No segundo andar havia essas portas coloridas (amei!):


Em cada buraco para cartas era possível ver um trecho de um filme diferente. E no olho mágico também.






Ainda no segundo andar, havia uma sala dedicada a "Jules e Jim" e uma das cenas icônicas desse filme projetadas em tecidos brancos transparentes em sequência. Era boa a sensação de ver esse trecho dessa forma.



Outra cena muito bonita de "Jules e Jim", quando Catherine (Jeanne Moreau), a mulher da vida de Jules e Jim, canta na casa de campo onde morava com Jules, seu marido, é projetada na sala dedicada a esse filme. Dá para ver esse trecho aqui. Gosto da voz da Jeanne Moreau e da música.



Um dos meus filmes preferidos!


Esse trem que aparece no filme é tão futurista... e realmente existe algo assim em Wuppertal, na Alemanha (li um posto sobre isso aqui e gostei!). Wuppertal entrou na lista de lugares que quero conhecer.


Telas com cenas de filmes sendo projetadas com mais ou menos 1 segundo de diferença

Uma das cenas em que os livros são queimados


"O garoto selvagem" (1970)


Truffaut gostava tanto de Hitchcock que chegou a fazer uma extensa entrevista com ele (acho que nos anos 1960), que depois deu origem a um livro, originalmente lançado em 1967 na França. No Brasil, encontrei essa edição de 2004 da Companhia das Letras.


Fiquei impressionada ao saber que Truffaut foi "descoberto" pelo crítico de cinema André Bazin e aos 22 anos passou a escrever críticas para o Cahiers du Cinéma (a revista sobre cinema mais importante na França na época e imagino que até hoje). Bazin parece ter sido uma influência importante, um ponto de referência para Truffaut, após sua infância e juventude "transgressoras" e repleta de problemas familiares.

 Máquina de escrever de Truffaut

Em um círculo grande suspenso havia círculos menores com objetos expostos. As revistas do Cahiers du Cinéma e também a máquina de escrever estavam nesses círculos suspensos.


Na lojinha do MIS acabei comprando o DVD de "Os incompreendidos", indicado pelo Fábio (ele disse que é um dos filmes preferidos dele do Truffaut) e também alguns bottons - tinha um do "Fahrenheit 451" e do "Jules e Jim" (!). Comprei para colocar na minha mochila, já que uns outros bottons com sobrenomes de diretores de cinema que comprei na Reserva Cultural há alguns anos foram quase todos perdidos...

Vi "Os incompreendidos" domingo e gostei muito. Escrevo sobre isso no próximo post. E também sobre o anime que vi no festival que estava tendo e que terminou domingo (13/09). Também quero postar sobre a mostra do Kubrick que vi em 2013 no MIS (que também foi incrível).



O quê? Exposição Truffaut: um cineasta apaixonado
Quando? De 14/07/15 a  18/10/2015 - terças a sábados, das 12h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h (às terças a entrada é gratuita)
Onde? MIS - Museu da Imagem e do Som - Av. Europa, 158 - São Paulo-SP - CEP 01449-000 - Tel: (11) 2117-4777 [Para chegar de transporte público, uma das opções é descer na estação de metrô Consolação e pegar um ônibus na rua Augusta que desça toda essa rua no sentido Pinheiros (peguei o Term. Pq D. Pedro II – Pinheiros e o trajeto deu no máximo 15 minutos); há um ponto bem em frente ao MIS e há mais informações sobre como chegar lá aqui]
Quanto? R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Um comentário:

Lúcia harumi disse...

Que bela exposição!!!