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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mostra Anime Criativo no MIS / Genius Party

Como já participei de alguns eventos promovidos pela Fundação Japão (e preenchi um questionário com opiniões e dados pessoais, incluindo endereço de e-mail), sempre recebo por e-mail convites para eventos que ela promove. Um dos últimos convites foi para a "Mostra Anime Criativo": 


Aí, como fui ver a mostra do Truffaut com o Fábio, acabei comentando com ele que queria ver um anime dessa mostra. Como ele parece gostar mais de "filmes cabeça" (é fanático por Bergman), não sabia se ia topar, mas acabou topando, então fomos ver "Genius Party", às 14h.

"Genius Party" reúne sete animes curtos de vários diretores, sendo a maior parte deles japoneses - e sei que havia um anime sueco, porque o Fábio disse que os personagens estavam falando sueco (o amor pelo cinema do Bergman o levou a estudar sueco; por alguma razão, sou fã dessas pessoas... tenho uma amiga que talvez comece a estudar japonês porque ama os livros do Murakami).

Dos sete animes, gostei de três, principalmente de um chamado "Baby Blue" (que daria um ótimo conto).

No começo, vemos cenas típicas de colégio; um aluno riscando uma carteira, alunas aparentemente sendo repreendidas por um funcionário da escola, ou talvez um professor, alunos caminhando pelo corredor, um aluno na sala de música mexendo no piano.

Pouco depois, descobrimos que o garoto mexendo no piano é Shou, que convida uma colega, Hazuki, para matar aula. Ela topa. Ele misteriosamente sugere aproveitarem o dia sem pensar no amanhã e no futuro. Hazuki se surpreende, pois nunca o vira matando aula, mas se anima com o convite e diz que nunca foi a Shonan - pesquisei e é uma região de praia, a 50 km de Tóquio -, então eles seguem para lá de trem.

No caminho, descobrimos que Shou e Hazuki eram muito próximos durante a infância, que chegaram a invadir uma propriedade privada e a roubar umas granadas. Era um segredo dos dois. Mas, com o tempo, parecem ter se afastado. Shou se tornou um bom aluno (para os pais e professores não o perturbarem em relação a notas) e Hazuki também seguiu sua vida. 

Os dois acabam dormindo no trem e perdem a estação onde deveriam descer e, quando percebem que não há mais trem para voltarem para casa, roubam uma bicicleta para chegar à praia e acabam se envolvendo em algumas confusões. Com algum esforço, chegam lá. E Shou conta que vai se mudar no dia seguinte com os parentes. 


"Quando eu for embora, todos vão eventualmente se esquecer de mim", ele diz. "[...] Mas de repente eu quis ir a algum lugar com você." 


Depois disso, Hazuki conta a Shou que quando ela era criança o admirava muito e o amava. Mas agora ela estava namorando um outro garoto - Shou completa. Ela fica surpresa, pois o relacionamento entre ela e o namorado devia ser discreto, não era algo que ela, aparentemente, queria que todos soubessem. "É que vocês estão sempre juntos", ele explica. Ela parece nostálgica, um pouco triste talvez.

Depois dessa breve conversa, eles voltam para casa de trem pouco depois de amanhecer, pois, como Hazuki diz, "não há nenhum outro lugar aonde a gente possa ir".

Hazuki pergunta quando Shou vai embora, e ele diz que partirá naquela noite, às 19h, mas que ela não precisa ir se despedir, para não ficar triste ou algo assim. Apesar de ter dito isso, um pouco antes de partir, ele a espera na estação de trem. A mãe de Shou (ou talvez uma tia), pergunta a ele o que está acontecendo, ele responde que não está acontecendo nada. Hazuki não aparece, o trem parte, e a parte final é sublime!

Vejam o anime legendado aqui. Vale a pena!

Esse anime me fez pensar em pessoas que passaram pela minha vida e com quem não tenho mais contato, por um motivo ou outro. Às vezes sinto saudade do passado em comum. Às vezes faço buscas pelo Google, mas algumas dessas pessoas que um dia foram muito próximas parecem não gostar muito de marcar presença na rede. Só queria saber por onde andam, o que estão fazendo, se estão bem, se estão felizes com as escolhas que fizeram. De algumas delas eu sei porque continuamos conectadas pelo Facebook (o que não quer dizer tanta coisa, mas, enfim, é o que restou).

Sou meio cética para (quase) tudo, mas acredito que as pessoas não entram na nossa vida "aleatoriamente". Os encontros (às vezes para o bem, às vezes nem tanto) servem para nos mostrar mais sobre a humanidade, sobre nós mesmos e muitas vezes nos avaliarmos também, avaliarmos nossas vidas e nossas escolhas. Algumas pessoas nos mostram partes de nós mesmos que nem conhecíamos (e nem conheceríamos se não tivéssemos encontrado essas pessoas específicas) e fazem isso com maestria, sem ofender nem machucar. Que eu consiga retribuir de alguma forma a quem quer que seja/precise tudo de bom que já me fizeram através de gestos, atitudes e palavras. É a única forma de agradecer essas pessoas que me acrescentaram e/ou me deram tanta alegria e depois foram embora.


Um comentário:

Lisa disse...

Adoro suas dicas culturais. Você realmente tem muito bom gosto. Parabéns!