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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Os incompreendidos - François Truffaut


Meio sem querer, comecei vendo as aventuras de Antoine Doinel, do François Truffaut, pelo começo.

"Os incompreendidos" (Les Quatre Cents Coups - o título em francês quer dizer algo do tipo "pintar o sete", "bagunçar muito"), de 1959, é o primeiro longa-metragem do Truffaut e também o primeiro da série de cinco filmes que retratam a vida de Antoine Doinel, um alter-ego do diretor.

Neste filme, Antoine (Jean-Pierre Léaud, que também interpreta esse mesmo personagem em todas as histórias seguintes) tem 14 anos e é uma peste na escola (em alguns momentos lembrei de Le Petit Nicolas e seus amigos, que aprontavam muito). Aparentemente não consegue ver muita lógica nas aulas da escola e, somado aos problemas familiares - os pais não parecem se importar muito com ele; a mãe trabalha fora e tem um amante e o padrasto não colabora quase nada para a educação dele -, prefere matar aula e vadiar pelas ruas de Paris. Pelo que li, depois que a avó morreu, Truffaut foi morar com a mãe e o padrasto (que lhe deu o sobrenome Truffaut), mas não se dava bem com eles. E essas vivências devem ter impulsionado as ideias para o filme.

Após uma confusão na escola e de ter inventado para o professor que a mãe havia morrido, por isso não tinha conseguido fazer o dever/castigo, ele é descoberto pelos pais e pelo professor e sente que depois disso não pode mais voltar a morar com os pais. Seu melhor amigo o ajuda, deixando que ele more por algum tempo na casa dele, já que a mãe é alcoólatra e o pai está sempre fora.

Algum tempo mais tarde, Antoine volta para casa, e as coisas ficam bem por um tempo, mas logo sua mãe e o padrasto decidem colocá-lo em um internato, de onde foge.

O filme mostra o não conformismo do garoto frente a uma realidade que parecia não acrescentar nada a ele (as coisas só parecem começar a fazer sentido quando ele descobre o cinema e a literatura - assim como talvez tenha acontecido com o próprio Truffaut), mostra também sua solidão e os acontecimentos que acabaram lapidando sua personalidade.

Este é o trailer de "Os incompreendidos":


No mesmo DVD veio "Antoine e Colette", que integra o filme "O amor aos vinte anos" (filme dirigido por mais quatro diretores de nacionalidades diferentes, que contam histórias de amor na juventude). Nessa sequência Antoine já está com 17 anos e trabalha em uma fábrica de discos (prensando e embalando os discos de vinil), o que é bom, pois ele gosta muito de música. Em um dos concertos de música a que vai com um amigo, repara em uma garota que está sentada um pouco à frente e se interessa/ se apaixona por ela; eles começam a conversar e Antoine começa a frequentar a casa dos pais da garota (Colette). Ele chega até a se mudar de casa para ficar mais perto dela; os pais dela o adoram, mas, para Colette, Antoine não passa de um amigo - o que hoje em dia chamam de "friend zone".

Estou ansiosa para ver os outros três filmes da "saga Antoine Doinel", na ordem: "Beijos proibidos", "Domicílio conjugal" e "O amor em fuga".

Ao todo, segundo pesquisei na internet, Truffaut cobriu um período de vida de vinte anos de Antoine Doinel, ou seja, dos 14 aos 34 anos. Estou curiosa. Pelo que vi pelos trailer, "Beijos roubados" e "O amor em fuga" misturam um pouco de comédia e acontecimentos inusitados (Antoine vai trabalhar com espionagem em "Beijos roubados", por exemplo, e faz várias trapalhadas). 


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