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sábado, 19 de dezembro de 2015

ComCiência, de Patricia Piccinini, no CCBB - Melhor expo do ano!


Mês passado aproveitei um feriado para ver exposições incríveis. Mas a mais incrível de todas, para mim, foi a exposição ComCiência, da artista serra-leoense radicada na Austrália Patricia Piccinini. [Observação besta: não sei se o gentílico "serra-leoense" existe, procurei no VOLP, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, e não encontrei.]

A exposição está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, até o dia 4 de janeiro de 2016 e é grátis, mas a visita precisa ser agendada aqui.


Cartaz com informações sobre a exposição na fachada do prédio do CCBB:



Em sua arte, Patricia Piccinini combina seres humanos e animais, objetos inanimados ou máquinas, formando seres híbridos, que talvez pudessem existir com o avanço da engenharia genética, com a finalidade de atender nossos desejos ou suprir necessidades humanas.

Patricia Piccinini [foto tirada daqui]

Os comentários que faço abaixo misturam impressões e sensações pessoais com informações contidas em faixas do guia auditivo disponibilizado na mostra e também encontrado aqui no site do CCBB.

Demi Point, 2015

Demi Point, 2015 


Esfinge, 2015

A Esfinge é uma releitura contemporânea da representação da beleza e da fertilidade (foi criada com o intuito de procriar). Sua forma foi inspirada nas estatuetas de Vênus da Pré-História e na posição da esfinge egípcia.

Esfinge, 2012

Esfinge, 2012

Metaflora (boca de rios gêmeos), 2015

Metaflora (stone mountain), 2015

Vanitas, 2013

Como a exposição está acontecendo no subsolo, térreo, 1º, 2º, 3º e 4º andares, uma hora, para seguir o roteiro, é preciso sair para um corredor interno do prédio para ter acesso à sua continuação.



Mas não dá para se perder, porque há sempre indicações de onde a exposição continua.



Na foto abaixo, a "Flor Bota" (em português, o "bota", gera uma ambiguidade interessante) põe ovos (bota ovos), como instinto de sobrevivência. Ela está em uma sala repleta de flores brancas que lembram ovários.

Flor Bota, 2015

Flor Bota, 2015


Os seres abaixo foram criados para ser guardiões de um pássaro ameaçado de extinção. Apesar de terem a fisionomia um pouco assustadora, são bondosos. Eles foram "programados" para combater qualquer coisa que tente ameaçar a vida dos pássaros. O problema é que não temos controle sobre o que ocorre na natureza, e o que parece ser uma ótima ideia pode se tornar um pesadelo depois, porque tanto o número desses animais quanto o número de pássaros (antes em extinção) podem se proliferar de forma desordenada e causar um desequilíbrio ecológico catastrófico.

Arcádia, 2005

Abaixo, uma criatura com os pés "colados", sugerindo que talvez tenha vindo do mar - a parte inferior do rosto também sugere isso, pois lembra um pouco o formato da boca de um leão-marinho. Ele parece um atleta treinando em um cavalete para melhorar a performance nas competições, apesar de não ser totalmente humano.

A força de um braço, 2009

A força de um braço, 2009


Abaixo, uma das obras de que eu mais gostei!

Um menino está dormindo tranquilamente enquanto uma criatura o abraça. A princípio pode parecer chocante, pois o animal poderia oferecer perigo para a criança ou mesmo transmitir alguma doença para ele (sou neurótica por sempre pensar em doenças possíveis?), mas a cena é tão tranquila que a possibilidade de ameaça é logo descartada.

Indiviso, 2004

Indiviso, 2004

Esse animal foi inspirado num marsupial australiano chamado "vombate" e, nas costas, em suas bolsas, carrega filhotes de outras espécies ameaçadas de extinção. Pelo que vi, parece que sempre têm seis bolsas e podem abrigar animais de diferentes espécies e estágios de crescimento ao mesmo tempo. Esse animal aparece em outra obra também, só que acordado.

Com o que serão que estão sonhando?

Indiviso, 2004

Hector (no tapete), 2006

Laura (com sanduíche), 2006


O golpe, 2012

Aqui, a versão do "vombate" aparece com filhotes de outras espécies em vários estágios de crescimento nas bolsas das costas, em frente a uma barraca de camping.

O substituto, 2005

Outro dia, no metrô, fiquei impressionada porque esse homem me lembrou muito a versão do vombate da Patricia:



Close nos filhotes das bolsas mais inferiores, que parecem estar quase prontos para sair (para mim, parecem ouriços peludos):




Inspirada em uma frase do escritor alemão Johann Goethe ("A beleza é um convidado bem-vindo em qualquer lugar"), a obra abaixo mostra uma criatura talvez "monstruosa" aos olhos de muitos adultos, mas vista com encantamento pela menina.

O visitante, 2011

O pavão também compõe a cena como símbolo de beleza e nos faz questionar o que é o "belo". Para a maioria de nós, talvez seja o pavão, para a garotinha, o animal "assustador".

O visitante, 2011




Obras expostas no térreo vistas do segundo andar; e, à direita, a fila de pessoas se formando para ver a exposição. Quando saí, a fila estava quase dando a volta no prédio do CCBB.


Não sei se o conjunto da obra abaixo tinha nome (provavelmente, sim), mas não fotografei e não consegui encontrar informações sobre ela.


Na TV, o vídeo que passava em looping era "A coleta", de 2007, que durava 3 minutos. Encontrei o vídeo no YouTube:



De bruços, 2011

Esse bebê tem orelhas e nariz de morcego. Que tipo de criança e adulto ele será quando crescer?

Fiquei imaginando o nível de bullying que ele ia sofrer quando fosse para a escola. Porque se já caçoam e discriminam pessoas (seres da mesma espécie!) com características diferentes do padrão de beleza atual, imagina o que as crianças fariam com um ser híbrido - ainda que ele fosse incrível e tivesse habilidades parecidas com superpoderes (como ter uma audição muito aguçada e um olfato superdesenvolvido).

De bruços, 2011

Detalhes da sala:



Além de trabalhar com seres híbridos realistas, Patricia Piccinini também produz quadros com títulos instigantes (para dizer a verdade, gostei mais dos títulos do que desse tipo de obra):

No momento antes que quebre (The moment before it breaks), 2007

Havia algumas fotos também:

Thunderdome, 2005

Em "Thunderdome", animais semelhantes a macacos se misturam às pessoas para assistir a corridas de carros, aparentemente sem causar estranhamento nem rejeição.

Animais atropelados na estrada (Roadkill), 2007

Na foto acima, um macaco modificado é atropelado por uma pessoa, mas só recebe ajuda dos seres de sua própria espécie, revelando um dos traços cruéis dos seres humanos.

Os amantes, 2011

Os amantes, 2011

Lobo carmesim [vermelho e amarelo], 2007; Mistral [azul], 2005 e Highlander, 2005 - entre outros, eles compõem a série "Cycle pups"

Mistral [azul] e Highlander [rosa], 2005

Uma respiração profundamente presa, 2009

Fantasma, 2012

Radial, 2005

Radial, 2005

Swarm (Scarab), 2014

Na obra abaixo, "O observador", um menino que parece se equilibrar em uma pilha de cadeiras prestes a desmoronar. Ao mesmo tempo, ele parece muito seguro e curioso lá em cima, talvez se divertindo ao olhar e julgar os passantes que o olham com curiosidade.

O observador, 2010

O observador, 2010

O observador, 2010

Na foto abaixo, as pernas das cadeiras parecem uma centopeia gigante!

O observador, 2010

Gostei muitíssimo da "confortadora" abaixo. É uma adolescente mais peluda que a maioria das garotas da idade dela, lembrando um pouco as pessoas com "síndrome do homem lobo", e seu instinto materno/ de proteção parece bastante aflorado.

A confortadora, 2010

A confortadora, 2010

Esse menino e essa criatura, provavelmente do mar/ das águas, dormindo juntos são emocionantes. Gostei muito também.

O tão esperado, 2008

O tão esperado, 2008

Em "O Tão Esperado", Patricia Piccinini faz uso da emoção para falar sobre a ética flexível, a transformação do tempo e o amor entre as espécies. Uma figura, que parece mais velha, descansa no colo de um menino. Ela foi inspirada em um dugongo, animal que possivelmente deu origem ao mito das sereias. A harmonia entre ambos existe no plano real e no plano do sonho que compartilham. O tempo da genética ultrapassa o tempo da consciência da vida. O tempo de espera torna-se irrelevante diante do tempo do amor. [Texto retirado da descrição da obra.]

O tão esperado, 2008

O tão esperado, 2008

Grande mãe, 2005

Grande mãe, 2005

Grande mãe, 2005

Grande mãe, 2005

Patricia Piccinini, em geral, retrata os seres híbridos de forma bastante terna e humana, inserindo-os em cenas do nosso cotidiano para que sejam visto como "iguais". A exposição vale muito a pena! 

Abaixo, um vídeo de divulgação feito pelo próprio CCBB:



O quê? Exposição ComCiência
Onde? Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Rua Álvares Penteado, 112 - São Paulo-SP [a estação de metrô mais próxima é a Sé; o CCBB fica a uns 5 minutos a pé dessa estação]
Tel.: (11) 3113-3651
Quando? De 12/10/15 a 04/01/16, das 9h às 21h
Quanto? Grátis, mas é preciso agendar a visita e imprimir o ingresso aqui. Recomendo agendar o primeiro horário, pois depois começa a formar uma fila enorme.
Site oficial da mostra: clique aqui
Site oficial da Patricia Piccinini [em inglês]: clique aqui

2 comentários:

Lisa disse...

Adorei as fotos e as descrições! Reservei há algum tempo ingressos para a próxima segunda (21/12) e o grande dia de visitar essa exposição está finalmente chegando. Estou ansiosa! Foi bom ler o que você escreveu aqui para chegar na exposição mais preparada e informada.

aline naomi disse...

Lisa, certeza que você vai AMAR essa exposição. É muito surpreendente e as obras, bastante realistas. Virei fã da Patricia Piccinini! =D