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domingo, 20 de dezembro de 2015

De repente, 35 + Balanço de 2015

Eu e meu bolo de aniversário de 1 ano, em Curitiba

Não ligo muito para aniversários, não costumo escrever sobre o meu próprio aniversário, e ainda menos no próprio dia, mas hoje deu vontade. Hoje completo 35 anos de vida e, embora esteja com vontade de escrever, não sei bem o que dizer a respeito... =)

Tenho cada vez mais a sensação de que o tempo está passando rápido demais e não estou conseguindo aproveitar a vida direito. Às vezes me sinto muito mais jovem. Às vezes, muito mais velha. Às vezes me sinto vazia. Às vezes "tenho em mim todos os sonhos do mundo".

No ano passado, nesse mesmo dia, lembro que estava muito animada porque, dali a alguns dias, ia viajar de carro pelo sul (Curitiba, Laguna, cidades do interior do RS, Porto Alegre) com pessoas queridas. Estava feliz porque ia acampar pela primeira vez na vida em Laguna e também porque ia voltar a Porto Alegre depois de vários anos (adoro Porto Alegre). Ainda vou escrever sobre essa viagem, mas não sei quando.

Nessa época do ano, quando concluo mais um ano de vida e quando as pessoas também concluem um ciclo, costumo fazer um balanço mental do ano que passou; dessa vez, as reflexões ficarão registradas aqui. Talvez, daqui uns anos, eu consiga ter uma visão melhor do que estava acontecendo e do quanto estava crescendo (ou não). Talvez eu sinta saudades de hoje, talvez não.

Há alguns meses sugeri a minha amiga L., que está vivendo fora do país, que escrevesse um blogue porque eu adoraria ler (por mim, todos os amigos deveriam manter blogues!), mas ela respondeu que não queria se expor (ok) e também não queria escrever um monte de "mentiras" (hã?), ou seja, escrever sobre coisas boas quando, na verdade, várias coisas ruins estavam acontecendo na vida dela. Ela tem a impressão de que todo mundo faz isso e ela não queria ser mais uma dessas pessoas. Eu nunca tinha parado para pensar nisso por esse ângulo. Costumo omitir publicamente as coisas ruins (que, na maioria das vezes, são aborrecimentos passageiros) porque, em geral, não gosto de ficar reclamando e me lamentando... sinto que isso é inútil e só atrai mais energia negativa. Então, por conta dessa conversa com a L., não vou omitir que...

... o começo de 2015 foi uma merda. Um pouco depois de voltar da viagem para o sul, fiquei transtornada porque descobri que umas pessoas muito próximas estavam mentindo para mim e me senti destruída. Foi doloroso concluir que enquanto eu me preocupava com essas pessoas (assim como me preocupo com familiares e amigos), elas foram egoístas e agiram de acordo com o que era mais conveniente, aparentemente não se importando comigo nem com o que eu sentia/ sentiria; é difícil encarar o quanto as pessoas podem ser mesquinhas às vezes. Procuro ser verdadeira com as pessoas, e eu achava que elas agiriam da mesma forma comigo... e, ingenuamente, que eu estava meio "imune" ao lamaçal de mentiras em que muitas pessoas se envolvem. Foi assustador sentir, pela primeira vez, raiva a ponto de desejar que alguém morresse e também como alguém podia evocar o pior de mim, um lado que nem eu conhecia. E, junto com a raiva, veio a culpa por sentir tanta raiva. Racionalmente, não fazia o menor sentido sentir raiva, o certo seria cortar relações, esquecer a história, virar a página e pronto. Se as pessoas preferem manter uma vida cheia de mentiras, problema delas. Mas, em vez disso, resolvi desmascará-las. Rá. [Na época, lembrei do meu pai me falando, entre a infância e a adolescência, que eu nunca deveria me sucumbir a mentiras, que nunca deveria "me conformar" com esse tipo de atitude covarde...] Fiquei sabendo que uma dessas pessoas ainda tentou sustentar as mentiras, mas não deu muito certo e a casa caiu. Se eu pudesse deixar um recado para ela, talvez seria: "Cresça e se torne uma pessoa decente, uma pessoa de quem você mesma tenha orgulho. Use seu tempo para coisas úteis e boas, estude, trabalhe, tenha objetivos, construa uma vida, deixe de ser uma sombra movida por emoções autodestrutivas. Busque o amor, mas não abra mão de você nem da sua vida por ele".

Arte de Naldo Junio em Desenhos de um garoto solitário

Bom, aí a raiva foi passando ao longo do primeiro semestre e começo do segundo e, de uma forma ou de outra, consegui virar a página.

Esse episódio me fez parar para avaliar melhor a mim mesma e meus comportamentos em relação às pessoas e situações. Concluí que eu também não estava certa, tinha/tenho minhas falhas, como todos. Talvez a minha atitude de deixar as coisas irem acontecendo, sem me posicionar de forma clara, tenha contribuído para o desfecho da história acima.

Em alguns momentos, cheguei a sentir que envelheci muitos anos esse ano. Demorou, mas pude provar um pouco do egoísmo humano e foi doloroso porque, até então, só esperava o melhor das pessoas (e, ao mesmo tempo, que é preciso extrair o melhor delas), principalmente das que se aproximam de mim/ de quem eu me aproximo. De uma forma ou de outra, isso ia acabar acontecendo, não é? Ninguém está imune a mentiras e egoísmo. Apesar da rasteira, prossigo e ainda acredito que é preciso esperar o melhor das pessoas e acreditar que elas podem ser melhores, e que eu também posso ser melhor.

Os três pontos altos de 2015 na vida pessoal foram:

1. Viagem de férias para Lisboa e várias cidades da Itália em abril. 
Queria muito conhecer um bairro lisboeta chamado Alfama, por causa do filme "O céu de Lisboa", do Wim Wenders, e era um sonho conhecer Roma e Pompeia. Em geral, a viagem foi boa, consegui me comunicar em italiano, comi bem e tomei muito gelato
[Pretendo escrever sobre essa viagem também, mas não sei quando... abaixo, umas das poucas selfies que tirei durante essa viagem.]

Selfie no Coliseu, em Roma

Selfie no teleférico do Parque das Nações, em Lisboa


2. Ganhei um smartphone! 
Uma frase que enviei para um concurso da Fundação Dorina Nowill foi escolhida como slogan em comemoração aos 70 anos da instituição e ganhei um smartphone. Não acreditei quando entraram em contato comigo por e-mail no começo de dezembro e estou ansiosa para receber o prêmio. Meu celular antigo já tem uns dois anos e meio e está começando a falhar. Esse prêmio veio na melhor hora possível. Fiquei imensamente feliz e grata.
O resultado do concurso foi anunciado publicamente na página do Facebook deles no dia 13/12:

Print da página da Fundação Dorina Nowill  em 13/12


3. Dois contos meus foram selecionados para compor antologias de concursos literários.
Não me classifiquei entre os três primeiros nesses concursos, mas os contos foram selecionados para entrar nas antologias. O que me deixou mais contente, como escrevi anteriormente em outro post, foi constatar que talvez o que eu escrevo não seja tão ruim como penso que é; já que foram selecionados, as pessoas gostaram de lê-los, certo?, mas tenho consciência de que preciso melhorar MUITO ainda e estou animada em continuar melhorando. Quem sabe aonde isso pode me levar?
Um dos contos já foi publicado pelo Bunkyo (fui à cerimônia de lançamento anteontem). O outro conto será publicado creio que em abril do ano que vem - esse outro concurso foi promovido por uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, só que, por falta de verba, a publicação que seria no fim desse ano, foi adiada para o ano que vem.

Exemplares da antologia que ganhei

Na área profissional, há algum tempo, duas editoras entraram em contato, me convidando para uma "conversa". Creio que leram este meu outro blogue, acharam que talvez meu perfil se encaixaria ao perfil do funcionário que estavam buscando e queriam tirar a prova. Fui conversar, mas nada aconteceu; gostaria de permanecer na editora onde estou por mais um tempo. Apesar disso, essas situações me deixaram muito feliz, porque sempre fui eu que corri atrás das empresas e nunca tinham me convidado, do nada, para uma "conversa". Sinto que estou no caminho certo. Gosto muito de trabalhar com texto e com livros e pretendo continuar nessa área. Quero ser muito boa em tudo que me propuser a fazer profissionalmente e preciso acreditar que as oportunidades certas virão na hora certa.

Um "fracasso pessoal" foi ter desistido do TCC do MBA em Gerenciamento de Projetos da FGV. Certo dia, em meio a vários trabalhos mais relevantes e um certo cansaço, concluí que não ia rolar escrever esse TCC dentro do prazo e abri mão dele. Já solicitei o certificado, que será "simples", não atestará que sou uma "especialista em gerenciamento de projetos" (jura?), porque não entreguei o TCC, mas terá a informação de que concluí o curso. Claro que seria ótimo ter entregado o TCC e ter o título de "especialista" em alguma coisa, mas eu já estava bem desanimada com o tema que escolhi (plano de abertura de uma editora que publicaria apenas e-books) e o desânimo vem do fato de o consumo de e-books estar estagnado no mundo inteiro e li outro dia que uma editora brasileira que publicava apenas e-books vai começar a publicar alguns títulos em papel, ou seja, e-books é uma coisa que "talvez, quem sabe, um dia, num futuro, sei lá quando" dê certo, mas no momento, não está indo para frente. Então, passemos para o próximo projeto. Agora estou muito animada com o outro MBA que vou começar ano que vem, dessa vez, em Book Publishing (para quem se interessar, falei disso aqui no outro blogue).

Mudando completamente de assunto, esse ano notei que algumas pessoas saíram da minha vida ou se afastaram, outras se (re)aproximaram. Também me afastei de algumas pessoas. A vida é assim, né? Movimento constante. Uma coisa bastante óbvia e que ficou ainda mais óbvia esse ano foi que não posso insistir em perder tempo com quem não quer manter contato comigo e talvez nem se importe com a amizade que um dia tivemos. Mais sensato ficar perto de pessoas que também querem ficar perto de mim e que me acrescentam, mas sem cobranças. O tempo quase sempre é escasso. O tempo é sempre finito.

Acho que o balanço geral é positivo. Algumas coisas foram ruins, em certas épocas bateu um cansaço de tudo, refleti muito sobre vida pessoal e também profissional esse ano, mas, por outro lado, também aconteceram muitas coisas boas e consegui me animar com novos objetivos profissionais e de vida (as setas sagitarianas foram lançadas, agora é torcer para que atinjam as metas que tracei; com sorte, atingirão, atingirei, e serei feliz para sempre dentro dos instantes que me cabem). Impossível não me sentir grata. 

Que 2016 seja doce para mim e para todos de quem eu gosto e que 2017 seja ainda melhor... =)

Bom Natal, excelente Ano-Novo etc.


2 comentários:

Karen disse...

Feliz aniversário, Aline! Pouco é perfeito na vida, são raras as coisas que acontecem como planejamos, mas é preciso celebrar aquilo que conquistamos. Parabéns por seus prêmios, não nos conhecemos pessoalmente, mas sempre fico muito contente por você! Um lindo final de ano!

aline naomi disse...

Obrigada, Karen!! ;)