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sábado, 19 de dezembro de 2015

"Duas cenas, um muro? e outras histórias" ou Meu primeiro conto publicado


Ontem fui ao lançamento da antologia Duas cenas, um muro?, fruto do I Concurso Bunkyo de Contos, promovido em 2012 (sim, há três anos), sendo que um dos trinta contos selecionados foi o meu ("Yumi quer ser mãe").

Abaixo, o índice (na verdade, deveria ser "Sumário"; o "Índice" geralmente aparece no fim do livro e por ordem alfabética) com os contos dos outros 29 contos selecionados:



O conto que dá nome ao livro foi escrito pela Célia Sakurai, que ficou com o primeiro lugar no concurso. Coincidentemente, estou lendo Os Japoneses, publicado pela editora Contexto, escrito por ela, em que se narra a história do Japão e dos japoneses; estou gostando e conseguindo entender muito melhor alguns aspectos da cultura japonesa por conta desse livro.

Mas, voltando à antologia, o segundo lugar ficou com a Camila Ferreira e o terceiro lugar ficou com dois autores: Fernanda Fuchs e Chico Pascoal.

Ontem houve uma cerimônia às 19h, no Bunkyo, uma associação japonesa que fica no bairro da Liberdade. Eu e a Yuri acabamos nos enrolando e chegamos com uns 30 minutos de atraso. Chegamos lá, fomos para o Salão Nobre no 2º andar, entrei e assinei uns papéis na entrada e me foram dadas as 10 cópias prometidas dentro de uma sacola de papel (um oferecimento da marca "Sakura" :).

Nos sentamos nas cadeiras vagas em um dos cantos, pegamos o discurso pela metade e não consegui me concentrar direito no que estavam falando. Havia cerca de 15 autores e convidados (tivemos que nos levantar conforme iam nos chamando pelo nome, para que as pessoas soubessem quem era quem), a maioria bem mais velhos que eu; nem todos puderam comparecer porque moram em outras cidades, outros estados, mas imagino que vão enviar as cópias dos livros para eles por correio.

Apesar de não ter conseguido me concentrar direito no que falavam, o sr. Handa, que faz parte da Comissão de Atividades Literárias (do Bunkyo, imagino), comentou em seu discurso que os descendentes de japoneses se destacavam em várias áreas, principalmente em Exatas e Biológicas, mas que não tinham nomes muito expressivos na literatura, como imigrantes e descendentes de imigrantes de outras etnias (italianos, alemãos etc.) têm, e que era preciso estimular a escrita entre os descendentes nipônicos para melhorar isso.

Outro dia, quando pensei nessa questão em que o sr. Handa tocou, tentei lembrar de autores nipo-brasileiros, só consegui pensar nesses quatro: Oscar Nakasato (que ganhou prêmios literários importantes com Nihonjin, um livro excelente, que, entre outras coisas, tem a ver com a imigração japonesa para o Brasil); André Kondo (que escreve literatura adulta e infantil, em prosa e verso; ele foi indicado ao Prêmio Jabuti pelo livro infantil O Pequeno Samurai este ano, mas não ganhou), que ainda não é conhecido do grande público, pois os livros adultos parecem ter sido publicados de forma independente (ainda não li nada dele, mas já encomendei alguns de seus livros pela Estante Virtual, acho que chegam ainda este ano); Lúcia Hiratsuka (que escreve e ilustra livros infantis) e Célia Sakurai (que parece se concentrar mais em publicações de não ficção e talvez escreva ficção a partir de agora, com o estímulo do prêmio). Talvez existam mais vários outros autores nipo-brasileiros, mas não conheço.

Se eu fosse me aventurar como "escritora de verdade", gostaria que uma parte da minha literatura tivesse um pé na cultura japonesa de alguma forma (fico pensando na literatura do Milton Hatoum e o que ele faz, aproveitando as raízes libanesas dele, é fantástico; imagina se eu conseguisse fazer o mesmo com a cultura japonesa? Mas que pretensão a minha... haha). Se bem que, querendo ou não, imagino que as minhas origens sempre vão sempre estar presentes na maioria das coisas que faço... é difícil se dissociar totalmente da forma como somos educados, acho.

Depois dos discursos, teve um coquetel com umas comidinhas gostosas e alguns autores foram tentando recolher assinaturas dos outros autores em um exemplar deles. Assinei dois livros porque vieram me pedir, mas deu preguiça de pedir para os outros autores assinarem uma cópia minha, mesmo achando que seria legal para guardar de lembrança depois.

Ficamos eu e a Yuri mais um tempo lá e depois jantamos no restaurante Mugui, na rua da Glória.

Estou animada com a possibilidade de continuar melhorando a escrita e, quem sabe, no futuro contribuir com algo diferente para a literatura brasileira. Mas até lá ainda tem chão, muito chão, aliás. Por causa dessa antologia e por um outro conto ter sido selecionado no Rio Grande do Sul, fico com a impressão de que o que escrevo não é tão ruim, mas tenho a consciência de que ainda falta muito para chegar a um resultado que eu considere "satisfatório". Na maioria das vezes, sei que o que escrevo é ruim e pode (deve) ser descartado. Mas com persistência e muito treino, talvez eu chegue lá.

Agradeço a minha tia Harumi, por sempre ter me dado livros e me estimulado a escrever, além de ter me levado para fazer uma oficina literária quando eu tinha 16 anos. Também agradeço aos amigos pelo mesmo motivo e por todas as conversas sobre livros e literatura. Não vou nomear todos eles, porque certamente ia esquecer de alguns, mas eles sabem quem são. Obrigada por me incentivarem e sempre torcerem por mim.

Banzai.


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